OPINIÃO

O Ebola e as pessoas em Madri

07/10/2014 10:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
Shutterstock

Vivo em Madri há 3 anos e confesso que é uma experiência antropológica ímpar ver como reagem as pessoas frente a uma possível epidemia. Quando surgiu o H1N1, eu ainda estava no Brasil e foi uma loucura!

Saiu hoje nos jornais locais que o marido da auxiliar de enfermagem que ontem, 06/10, foi detectada com Ebola, também foi internado segundo confirmação da Diretora Geral de Saúde Pública, Mercedes Vinuesa.

Este homem é a maior preocupação para as autoridades, por ser quem teve mais contato com a mulher. Vinuesa especificou que ele ficará em quarentena e isolado para um maior controle dos sintomas. Além dele, um homem recém chegado da Nigéria e outra enfermeira também foram isolados.

Em uma conferência para a imprensa, o gerente do hospital La Paz, Carlos III, Rafael Pérez- Santamarina, explicou que o paciente vindo da Nigéria deu negativo no primeiro teste para Ebola realizado na última segunda-feira, mas deve esperar para realizar um segundo teste. Se este for negativo, o paciente terá alta. A segunda enfermeira está internada por precaução pois teve contato com vírus, mas não apresenta todos os sintomas.

No meu trabalho, frente a uma possível dor de barriga ou febre de alguém, já fazem piada. Hoje, vi 2 cartazes pelas ruas alertando sobre uma possível epidemia e no metrô, vi várias pessoas com máscaras, ignorantes do fato de que o vírus não se transmite pelo ar. Não há risco por estar ao lado da pessoa. O contágio se dá através de contato direto com feridas abertas na pele, saliva, sêmen ou qualquer outro fluido corporal.

A magnitude do pânico vem das seguintes dúvidas: Por que a propagação é tão rápida e letal? Existe algum componente do vírus que seja específico da África? Por que há mais de 7 mil casos e mais de 3 mil mortes? Um sistema sanitário como o espanhol, apesar de estar gravemente afetado por cortes, garante que qualquer caso poderá ser controlado de maneira rápida.

O medo, companheiro inseparável do homem, se manifesta de diversas maneiras e se desenvolve ao longo dos anos, acompanhando as mudanças estruturais e psicológicas de cada sociedade.

E como disse Schopenhauer, enquanto a morte permanece desconhecida, "o homem vive de forma tranquila e é o conhecimento de sua existência e a percepção de que se é finito que o torna temente ao tal evento".

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