OPINIÃO

Há os profissionais que pensam e aqueles que fazem. Certo? Não.

28/01/2014 19:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02
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O mundo é formado por dois tipos de gente: os que pensam e os que fazem. Há pessoas que teorizam. Há aqueles que colocam a mão na massa. Certo? Não exatamente.

Sei que pode ser duro ouvir isso assim de repente, mas você pode ser fazedor e pensador. Não precisa escolher entre uma coisa ou outra.

É o que deveríamos dizer às mulheres: você pode sim ter lindas mechas californianas, ser magra, arrasar no look, manter uma carreira de sucesso e ainda publicar artigos científicos sobre psicologia. A Natalie Portman fez isso (é sério).

O melhor da vida está mais no "e" do que no "ou". As limitações e divisões no mundo, essas somos nós que as criamos em nossas cabeças.

Mas voltando ao tema central deste post: como profissional do mercado, e aqui vou me concentrar no profissional de comunicação (a minha praia), saiba que separar a teoria da prática pode se revelar uma bela armadilha. Afinal, a teoria é a forma de se entender o mundo tal como ele se dá na "prática".

Ou seja, a teoria não é uma inspiração de gênios intelectuais da universidade. É um conhecimento construído que impulsiona uma melhor prática.

Do mesmo modo, quem "faz" costuma pensar sobre o que está fazendo. Estudos, modelos, esquemas abstratos, conceitos, roteiros e guias são ótimos para nortear os nossos trabalhos práticos.

Sei que a polêmica é antiga. No mundo da comunicação, costumo ouvir: "Na prática, essa teoria está furada". Do outro lado, ouço: "Eles fazem as coisas sem pensar, é um trabalho mecânico". Isso pra ser elegante, pois já ouvi coisa bem pior.

Mas o fato é o seguinte: na hora em que surgem os entraves nas práticas de mercado, no dia a dia dos projetos, ter uma compreensão teórica sobre o que está acontecendo pode ser o pulo do gato que faltava para juntar lé com cré.

Pode significar o insight e a ferramenta certa para criar soluções de uma forma mais focada e eficaz.

Isso vale para muitos casos e inclusive para os profissionais que hoje trabalham com projetos de comunicação digital, como eu: não é preciso reinventar a roda todos os dias.

Nem esperar por um momento de iluminação divina quando os problemas nos projetos começam a surgir (e eles vão surgir aos montes mesmo).

Mais do que nunca, ainda mais hoje com toda essa facilidade de acesso à informação, conseguimos partir de alguma compreensão da realidade (conceitos e teorias) -- em vez de sairmos do zero.

Como se faz isso? Respeite sua intuição, mas lute contra o achismo.

É fundamental que nos informemos sobre as hipóteses já testadas em outros projetos, os acertos e erros já vividos em outras organizações e sabermos crescer com as lições aprendidas.

Isso começa com leituras mais aprofundadas sobre os temas que nos interessam, aliando-as ao monitoramento sistemático de projetos e iniciativas do mercado.

Estar aberto para ouvir pessoas com experiências variadas também funciona. Colocar o chinelinho da humildade e ir procurar aqueles que já quebraram a cabeça "teorizando" sobre o assunto nunca será uma má idéia.

É preciso ser curioso e estar disposto a descobrir as coisas com o coração e a mente abertos. No caso do digital, por exemplo, ouça o que os usuários têm a dizer. Não faça produtos online considerando somente o que você acha, faça algo para aqueles que irão de fato usá-lo.

A partir daí, o exercício de reflexão e idealização abre portas para a criação de produtos e serviços relevantes (ou pelo menos mais interessantes para a sociedade). É uma maneira inteligente para chegar mais longe com menos sofrimento e menos gasto de dinheiro.

E, no fundo, isso nada tem a ver com ser um sujeito muito teórico ou muito prático. Significa ser um profissional que usa a cabeça para fazer melhor.

Nada mais prático que uma boa teoria, como diria Kurt Lewin.

Decidi abordar logo de cara esse tema polêmico pois carrego comigo a forte convicção de que esses mundos (teoria e prática) precisam andar de mãos dadas. Assim tenho tocado a minha carreira como pesquisadora científica e profissional do mercado, buscando encontrar um bom equilíbrio nesta jornada. Essa será a pegada do blog: vamos abraçar essa ponte entre o pensar e o fazer, especialmente no que diz respeito ao fazer comunicação online.

Em tempo: novas oportunidades para jornalistas.

Se você tem interesse em debater a formação dos jornalistas e as novas oportunidades de trabalho na carreira, venha ao Campus Party Brasil 2014 no dia 30 de Janeiro. Lá estarei às 16h para mediar o painel "Novas oportunidades para jornalistas". O encontro faz parte do StartupMediaBrasil, organizado pela OrbitaLab. A programação completa está aqui: http://orbitalab.com.br/

Até lá! ☺