OPINIÃO

Quando amamentar não é tão legal assim: Um desabafo e respostas encorajadoras

20/01/2016 09:32 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Goodshoot via Getty Images
Baby breast feeding

Fiquei devendo escrever sobre minha experiência com o parto, mas ela vai ter que aguardar.

Hoje resolvi reproduzir no blog um post que escrevi recentemente em minha página no Facebook, sobre amamentação.

O motivo: despertou grande interesse de amigas que já são mães e de algumas que ainda pretendem ser, gerou um debate legal e, ao mesmo tempo, sinalizou que muita gente se identifica com a situação que descrevi no meu desabafo.

Por isso, achei que poderia ser útil também às leitoras do blog.

Começo compartilhando meu texto original:

Mães deste Facebook talvez me entendam, talvez me condenem, mas preciso desabafar: ESSE TREM DE AMAMENTAR TEM HORA QUE É UM PÉ NO SACO!

Quase toda semana tenho vontade de desistir, mas respiro fundo e penso nos benefícios para o Luiz e penso que já se passaram 40 dias (e como foram rápidos!), estou cada vez mais perto dos 6 meses (no meu caso, menos de 5 possíveis) de aleitamento exclusivo. E olho pra ele e vejo aqueles bochechões, aquelas dobrinhas nas pernocas, a saúde boa, o peso que já aumentou consideravelmente e tento ser mais corajosa, ou ao menos persistente.

Mas estou quase montando um calendário de presidiário, com um xizinho nos dias que faltam para a liberdade condicional. Tem hora que é maravilhoso, que tudo dá certo, que fico feliz por ver a satisfação do Luiz enquanto mama? Tem sim. Passei o último fim de semana inteiro desse jeito, só na santa paz das mamadas que dão certo. Mas tem hora que fico sentindo uma dor insuportável depois das mamadas, que nem o são Google explica, que já diagnosticaram como mastite, como duto inflamado, como ejeção de leite, como frescura, mas não importa o que eu faça, a dor só passa quando ela quer passar. Como estou sentindo agora, enquanto desabafo.

Na verdade, não conheço uma filha de deus que tenha amamentado sem nenhum problema no meio do caminho, nenhunzinho. Ou é leite de menos, ou é leite de mais, ou é infecção, ou é o escambau. Amamentar não é aquela coisa intuitiva e poética que a gente passa a vida acreditando ser: ao menos no começo, é um esforço danado, um empenho muito grande, é respirar fundo e falar "lá vamos nós".

Dizem que depois de um tempo as coisas só melhoram: o Luiz vai sugar mais rápido, essas dores inexplicáveis vão passar, o leite vai parar de vazar entre uma mamada e outra (o que vai me permitir fazer coisas prosaicas como ir ao clube), e tudo vai se tornar prazeroso e feliz. Bom, não vejo a hora que isso aconteça logo e, se acontecer, é possível que eu leia este post e pense "tudo passa, ainda bem que insisti" e sorria e decida manter a amamentação por mais de um ano além dos seis meses.

Mas, por enquanto, fico nessa oscilação entre a felicidade, a aceitação e a exasperação. E digo uma coisa: PARABÉNS às mães que conseguiram amamentar por seis meses, um ano, dois. Pago pau pra vocês, moças. Se alguém quiser tecer comentários encorajadores ou críticos ou meramente descritivos, serei toda ouvidos.

Respostas encorajadoras:

Recebi mais de 30 respostas de amigas incríveis que me contaram suas experiências ou simplesmente ofereceram apoio.

Algumas disseram algo na linha "É difícil mesmo, especialmente no começo, mas vai melhorar".

Outras decidiram, depois de muito insistir, que não valia a pena seguir amamentando, por suas razões particulares.

Clique aqui para ler alguns desses comentários, que acho que podem ser muito úteis a outras mães, assim como foram para mim.

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Amamentação é superestimada?

No mesmo dia, recebi também três indicações para ler o polêmico artigo (em inglês) "Breastfeeding is overhyped, oversold, and overrated", de Courtney Jung, coincidentemente publicado no mesmo dia em que fiz meu desabafo no Facebook. Pode ser lido AQUI.

E o blogueiro-cientista Roberto Takata me indicou outras três leituras: "Como amamentar sem dor e desconforto, "A importância do apoio da família" e "Reflexões sobre amamentação prolongada e desmames precoces".

O que você acha disso tudo?

Tenho certeza que, se você já teve um filho, tem alguma boa história para contar sobre sua experiência com a amamentação. Sobre suas dificuldades (existe alguém que passou por isso sem NENHUMA dificuldade?!), suas dúvidas, seus sentimentos e decisões. Sobre suas expectativas e a realidade que encontrou.

Você conseguiu amamentar por muito tempo? Ou achou melhor nem tentar, ou parar em algum momento antes do que gostaria? Você já sentiu alguma dor parecida com esta minha? O que fez a respeito?

Deixe seu comentário e, assim que der, farei um novo post com tudo o que pude aprender de novo nessa troca de ideias.

No meu caso, bom, seguirei em frente tentando amamentar com sucesso, não sei se por mais um mês, três, seis, um ano. Tudo vai depender de como será minha experiência daqui pra frente e minha capacidade de lidar com essas dores que surgiram há umas duas semanas, caso elas continuem. Daqui a algum tempo (sabe-se lá quanto), prometo voltar ao blog para contar o que aconteceu.

Post originalmente publicado no blog da kikacastro:

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