OPINIÃO

Fortaleça-se para dizer NÃO ao seu filho

23/03/2014 07:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Ninguém precisa fazer Ph.D. na Universidade de Stanford para saber o que a palavra NÃO significa. Entretanto, para os adolescentes me parece que o exercício do Não é cada dia mais necessário.

Em uma conta rápida você descobre minha idade: meu filho nasceu quando eu tinha 25 anos e hoje ele tem 17 anos. Ou seja, não faz tanto tempo assim que o Não era exatamente isso: Não. Mas para a geração atual, de adolescentes, o não quer dizer: será? Quem sabe?

Vou mais fundo e avalio que isso é culpa dos pais, que, por medo ou falta de disposição de se impor e gerar uma possível crise, vacilam ao dizer não. Por isso é comum se deparar com seres recém-chegados ao mundo impondo suas vontades à família.

Outro dia no elevador encontrei uma mãe, de uns 45 anos e genitora de outros dois rebentos mais velhos, dizendo à caçula que ela não deveria carregar a mochila pesada e deveria usar a de rodinhas que ganhou.

A doce garotinha disse: "Mas não gosto de rodinhas".

Não perdi a chance e devolvi, me dirigindo à mãe: quando ela tiver um problema na coluna, ela vai te culpar e ela está certa, porque afinal quem é a mãe na história?

Oras, falar não é impor limites e é disso que a criança e o adolescente precisam para ser, no futuro, um cidadão que respeita os demais. Durante a infância esse treino não é tão complicado, desde que você comece já no primeiro ano de vida. Na adolescência o cenário muda e a prática de mãe me ensinou, a duras penas, que essa é a hora do Não estar quase disfarçado de sim, para não revoltar tanto.

Se o Não for punitivo, pode ser dito, por exemplo: "Por mim você não vai, mas, se for, arcará com as consequências se voltar alcoolizado ou usar drogas ou desrespeitar o horário, etc".

É um não disfarçado de sim, onde você quase morre de ataque de pânico se assim mesmo seu filho for, mas que mostra que ações geram reações.

E como ser pai e mãe é um exercício, com a prática tenho aprendido que é preciso se fortalecer para impor sua reação, caso ocorra alguma ação que você desaprove.

Mas não diga o que fará, diga apenas que haverão consequências. E é aí que tem uma bifurcação. Se sua filha sair e voltar bêbada, só estabeleça o castigo se você tiver certeza absoluta que irá bancar. Ou seja: que você, pai e/ou mãe, cumprirá. Porque se fizer duas horas de ladainha e não fizer ou cumprir o que estabeleceu, seu rebento vai rir de você no próximo Não que receber.

Não se trata de ser pai ou mãe castrador, mas de estabelecer limites e mostrar que a vida tem mesmo consequências.

Por isso, dizer Não aos filhos e exigir o cumprimento do que foi estabelecido precisa ser uma meta em sua vida. Exige treino psicológico (e de sabedoria) intenso, muito maior do que o treino físico que você faz na academia toda segunda-feira.