OPINIÃO

O reduto boêmio que sobreviveu à modernização de Tóquio com estilo

23/03/2016 19:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02
Thomas Northcut via Getty Images
Four adults eating sushi and drinking sake, mid section, elevated view

Entre as ruas do agitado e cosmopolita bairro de Shinjuku, em Tóquio, se esconde um reduto de prédios baixos e becos estreitos que formam uma das mais autênticas e interessantes regiões boêmias da Ásia, a Golden Gai.

Se antes o lugar era um segredo muito bem mantido pelos locais, nos últimos anos se tornou comum esbarrar com um turista perdido entre tantos micro estabelecimentos, uns mais receptivos a estrangeiros do que outros.

O antigo ponto de prostituição ganhou novos ares no final da década de 1950, evoluindo para o que podemos ver hoje. Sobreviventes da especulação imobiliária e modernização de Tóquio, os pequenos quarteirões reúnem em torno de 60 bares minúsculos, um ao lado e em cima do outro, separados por uma fina parede de concreto e nada mais.

A penumbra e a falta de espaço ajudam a imaginar o lugar décadas atrás, quando atraía escritores e cineastas japoneses. Em anos mais recentes, Golden Gai provou novamente sua vocação para agregar famosos e talentosos boêmios do mundo das artes e não são poucas as histórias e registros de visitas de personalidades como Coppola, Tarantino, Tim Burton.

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(FOTO: Clarissa Ferreira)

Não fosse o Japão um país de baixíssima taxa de criminalidade, as estreitas e escuras ruelas botariam um viajante desavisado pra correr, mas basta espiar através de uma porta colorida entreaberta ou alguma janela translúcida para constatar que do lado de dentro se escondem ambientes para todos os gostos e clientes suficientes para encher cada um deles. Não que isso seja tarefa difícil, alguns bares não comportam mais do que cinco ou seis pessoas sentadas no balcão ou, em alguns casos, duas ou três mesas espremidas ao fundo.

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(FOTO: Clarissa Ferreira)

Mas a ideia aqui não é chegar pra ficar. Pense em tomar um drink ou dois e partir para o seguinte, já que o clima e a clientela variam bastante entre os bares. Alguns têm aparência mais sóbrea e tradicional, outros se jogam no kitsch ou no hippie. Há também os mais emblemáticos que acabaram fazendo fama internacional, como é o caso do La Jetee, que já serviu birita a Coppola e foi locação de um dos filmes de Wim Wenders.

Seja qual for a sua preferência de estilo, o saquê e os bons drinks estão sempre garantidos, assim como um papo com o barman ou com seu vizinho (ou vizinha) de mesa.

Golden Gai é um reduto de locais e não é voltado aos turistas, ponto super positivo pra tornar o lugar ainda mais interessante, mas que pode deixar alguns estrangeiros um pouco constrangidos ao entrar em ambientes tão intimistas.

A dica boa é se ligar nas placas em inglês na porta de alguns bares, sinal de que ali você é mais do que bem-vindo e livre para pedir seu saquê em inglês ou japonês improvisado. Só não se esqueça de dizer, em alto e bom som, "kanpai!"

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(FOTO: Clarissa Ferreira)

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