OPINIÃO

Alceu Valença compõe um cangaço romântico em 'A Luneta do Tempo'

02/10/2014 09:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02
reprodução

Já escrevi sobre Luneta do Tempo para o meu site, o GarotaFM, mas não fiquei satisfeita. Depois de assistir pela segunda vez ao filme que marca a estreia de Alceu Valença como diretor (a primeira foi em uma exibição para convidados), no Festival do Rio, fiquei com vontade de reiterar a admiração que sinto pelo cantor, compositor e, agora, diretor e ator pernambucano. Plagiando meu colega de profissão Beto Feitosa, Alceu Valença "não precisa de luneta para enxergar longe". Mas o seu Lampião, interpretado pelo grande Irandhir Santos, precisa para entender o outro lado da vida, muito bem vivida ao lado de sua Maria Bonita, revivida pela ótima Hermila Guedes.

O lado romântico do casal de cangaceiros, nunca visto antes no cinema ou na TV, dá o tom ao roteiro, escrito por Alceu todo em rimas. O romance começa na Caatinga e, também, na cidade de São Bento do Una, onde nasceu Alceu Valença e onde chega o Circo Mazzola para alegrar os moradores. O líder da trupe, o estrangeiro Mazzola (Ceceu Valença) arrebata o coração de Dona Dodô (Ana Claudia Wanguestel), mulher de Antero Tenente (Servilio Almeida), a autoridade máxima e o maior inimigo dos cangaceiros. Mas isso é uma outra história que acho melhor não contar...

luneta

Ao mesmo tempo em que são vistos e ouvidos muitos tiros, há muito amor entre os integrantes do grupo liderado por Lampião. Severo Brilhante (Evair Bahia) forma um apaixonado casal com Nair (Khrystall). O braço direito de Lampião não mata Antero Tenente - o "rei da gaia" (expressão típica de Pernambuco que equivale a "chifre") - por clemência e é aí que a história começa a sofrer uma reviravolta.

A trilha sonora é de Alceu Valença e Paulo Rafael, guitarrista do pernambucano há quase 40 anos. O músico Tito Lívio aparece no papel do escritor Severino Castilho na segunda parte do longa, que se passa 25 anos depois dos primeiros acontecimentos. Outro artista local ganhou um papel: o sanfoneiro Ari de Arimateia volta à cidade como integrante do circo - agora dirigido por um Mazzola velho, interpretado por Roberto Lessa - e acaba desagradando o filho do Antero Tenente, Antero Filho (Charles Teony). Alceu faz uma pequena participação como um palhaço do circo do Mazzola.

O filme levou dois kikitos no 42º Festival de Cinema de Gramado e foi exibido em 25 de setembro (quinta-feira) no Festival do Rio (24/09 a 08/10). A estreia no circuito comercial está prevista para 2015.

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