OPINIÃO

Carta ao HuffPost Brasil

O desmonte do Hospital Universitário foi evidenciado pela morte de uma criança na sala de espera do Pronto Atendimento.

10/11/2017 13:30 -02 | Atualizado 10/11/2017 13:31 -02
Divulgação/Rapha Vianna
Crise no HU vem se arrastando desde 2014.

No dia 9 deste mês, os alunos do curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo deliberaram, em Assembleia Geral dos Estudantes, entrar em greve em defesa de seu Hospital Universitário.

Há anos, o nosso hospital vem sendo submetido a um processo de precarização e desmonte, que se traduziu em Programas de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDVs), na não contratação de novos funcionários, no fechamento de diversos leitos, na sobrecarga das equipes e, consequentemente, no prejuízo às atividades de ensino e atendimento à população da região.

Desde 2014, buscamos reverter essa situação das mais diversas formas: abaixo-assinado, atos, paralisações, diálogo com o conselho universitário e a reitoria da USP, articulação com a população da região oeste. Apesar desses esforços, nos deparamos com uma indisposição da reitoria em dialogar e ainda um aprofundamento desse processo de desmonte.

Divulgação

Recentemente, a quantidade de profissionais na Pediatria do HU diminuiu ainda mais e se tornou insuficiente para prover um atendimento adequado. Isso foi evidenciado pela morte de uma criança na sala de espera do Pronto Atendimento (PA), levando ao fechamento do serviço durante a noite para os casos considerados menos graves, com o intuito de evitar novos episódios como esse.

Isso só reforça a impossibilidade do funcionamento de um hospital sem os devidos recursos humanos. O PA da pediatria agora enfrenta a possibilidade de fechamento por completo a partir do dia 21 de novembro, sem perspectiva de volta.

O processo de desmonte em vigor não só prejudica os mais de 2.430 alunos dos mais diversos cursos da saúde que estagiam lá anualmente, mas também toda a população que depende de seus atendimentos. É sabido, ainda, que a região oeste tem um déficit na atenção primária e secundária à saúde, de modo que o HU cumpre um papel ímpar na saúde dessa população.

Reconhecemos, portanto, enquanto estudantes e futuros profissionais da saúde, a convocação de greve como um último recurso na tentativa de restaurar a qualidade de atendimento e ensino do HU, um hospital de excelência em ensino e assistência, e a principal referência de saúde da região oeste.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.