OPINIÃO

O futuro que queremos para o Brasil

Brasil pode ser o principal País a desenvolver uma economia de baixo carbono

22/11/2017 18:17 -02 | Atualizado 22/11/2017 18:17 -02
Cris Faga/CON via Getty Images
A poluição do ar em São Paulo é o dobro do considerado seguro pela Oganização Mundial da Saúde.

Por Marina Grossi*

A missão do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), instituição que presido, é a de promover e viabilizar a efetivação de uma agenda propositiva que permita a reorganização das atividades econômicas. Os parâmetros dessa reorganização são os três pilares em que se assenta o moderno conceito de desenvolvimento sustentável.

Na prática, isso significa construir uma abordagem que envolva os elementos sociais, econômicos e ambientais, sem o que, promove-se uma visão mutilada e reducionista da realidade.

Sabemos que o setor empresarial está sendo chamado a desempenhar um papel mais amplo na construção das soluções que farão um futuro mais sustentável. As empresas são, cada vez mais, indutoras e local privilegiado de geração da inovação e das transformações sociais. Sua atuação tem o poder de afetar uma infinidade de aspectos da vida cotidiana. Suas responsabilidades têm de estar à altura dessa posição.

Foi buscando cumprir as exigências desse papel que realizamos, em conjunto com a ApexBrasil e o Itamaraty, o I Biofuture Summit, no fim de outubro, em São Paulo. Estiveram presentes e formaram comigo a mesa de abertura o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira Filho; o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; o presidente da APEX, Embaixador Roberto Jaguaribe; além de representantes internacionais, como Paul Simons, diretor da Agência Internacional de Energia.

Com o objetivo de discutir as bases e metas futuras da utilização em larga escala dos biocombustíveis, o evento uniu duas iniciativas globais: a primeira conferência da Plataforma para o Biofuturo e o roadshow do below50.

Capitaneado pelo World Business Council for Sustainable Development, o below50 é liderado pelo CEBDS na América do Sul, em parceria com a ABBI, Abiogás, Ubrabio e Unica. Trata-se de uma colaboração de nível mundial visando alavancar o uso e produção de combustíveis renováveis capazes de emitir, no mínimo, 50% menos CO2 do que os combustíveis fósseis.

Estamos construindo as condições para aumentar o número de empresas que optem pelos parâmetros below50, criando oportunidades de negócios e empregos relacionados com esses combustíveis e demonstrando sua viabilidade econômica. O objetivo é a superação de barreiras legislativas e financeiras que possam estar dificultando o sucesso dessas iniciativas.

Discutimos como as vantagens naturais do Brasil podem se transformar em vantagens competitivas se soubermos como nos apropriar das biotecnologias. Neste terreno, temos condições de figurar na vanguarda mundial da inovação, conectados aos novos parâmetros de produção definidos pela 4ª Revolução Industrial.

O Biofuture envolveu lideranças de 26 países e teve como um de seus destaques o RenovaBio, programa do governo federal que proverá o suporte legislativo necessário para o avanço dos biocombustíveis no Brasil.

No Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – o Conselhão -, tenho defendido que a retomada do desenvolvimento econômico, apontada pelos indicadores de empregabilidade e produção, e pelos avanços no ajuste das contas públicas, pode se dar em moldes mais sustentáveis. Incorporando modelos mais consoantes com as bases de uma economia de baixo carbono, tanto no plano concreto da produção quanto nos mecanismos financeiros envolvidos.

Além da óbvia necessidade, amplamente confirmada pela ciência, de enfrentamento às mudanças climáticas, está cada vez mais evidente que implementar a agenda do desenvolvimento sustentável hoje é um fator de alta relevância na definição de quem irá liderar a geopolítica e a economia no futuro próximo.

Caso não aposte nessa agenda, o Brasil corre o risco de perder a oportunidade única de se tornar o principal ator global na transição para a economia de baixo carbono. O caminho a seguir deve ser o de multiplicar os esforços em pesquisa, tecnologia, inovação, financiamento, diplomacia e políticas públicas de fomento às soluções de baixo carbono.

E o tempo urge! A hora de construir o futuro que queremos é agora.

*Marina Grossi é presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

Poluição em nível máximo