OPINIÃO

Hoje o céu está tão lindo

15/01/2015 12:53 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
Chris Marchant/Creative Commons

E não é porque a cor era azul, porque não tinha nuvens ou porque a previsão dizia que não ia chover. É porque você foi embora, foi descansar como dizem os anjos. Foi em paz, dormindo, de olhos cerrados. Profundamente cerrados. Depois de 97 anos. Demorou vó, demorou muito, mas você disse adeus e a gente precisa aceitar. Já estou com saudades. Muitas. Estou com o coração em frangalhos. Só de saber que não verei mais seu rostinho, seu sorriso e seus olhinhos azuis brilhando quando via flores e cores. Usei meu vestido mexicano vermelho pra você. Pra encher sua alma de flores e cores. Te levei de presente as flores que você brotou em mim. Das sementes que você plantou. Você me deu sementinhas e eu te devolvi elas como flores. Flores floridas. Quantas vezes não vejo você em mim...sou tão você que...céus, como pode? Que presente dessa dona Vida poder ter avós. Um privilégio danado! E meus filhos que tiveram bisa?!

Pedro, com quase 11 anos, sofreu. Chorou profundamente. Soluçou e fez muitas, muitas perguntas. Se a gente, que é adulto, se pergunta os significados da morte, da passagem, do sofrimento...como faz com uma criança? Claro que é um momento em que ela precisa entender a morte (e não a perda), e que precisa de respostas. Concretas e espirituais. Pra onde vamos, viramos estrela, são os anjos que vem nos buscar, por que morremos? Infinitas e infindáveis pensamentos. Mas a gente pára pra pensar no significado da vida, da família, dos valores, das memórias e das saudades. Precisa acreditar em algo além da Terra, do mundo em que pegamos com as mãos. A gente precisa poder olhar pro céu e enxergar a imensidão do universo, da natureza, e saber que somos um grãozinho de nada perto de tanto tamanho. Que nosso controle é cientifico, mas não emocional e muito menos espiritual. A gente precisa ter fé de que do lado de lá as pessoas se encontram e tem a possibilidade de tentar de novo. Assim acreditam os hindus e os espiritas. Assim deveria acreditar nossa cabeça. Porque cabeça deveria ser coração para nos tornarmos mais humanos.

Minha vó foi minha infância. Ela foi minha fazenda, meu pé na terra, meus cafezais, o cheiro de creme amarelo com canela, as músicas sertanejas, minhas férias, meu primeiro furo na orelha, a praia... Assim será também para o Pedro com seus avós e também para meus outros dois filhos. Eles serão um pouco de seus avós também pois terão cultivado as sementinhas e as deixado florir. Mas por hoje, só pude dar a eles respostas e uma linda história que contei para acalentar os corações. História de uma menina chamada Estela que foi mostrar a praia ao irmãozinho pela primeira vez. Enquanto ela se divertia no mar, ele fazia muitas perguntas. Numa delas perguntou de onde vinham as estrelas do mar e Estela disse que elas caiam do céu. Eram estrelas cadentes que caiam no mar. Lucas, meu filho do meio, arregalou os olhos e me perguntou se era verdade. Achei tão lindo aquilo que fiquei em silêncio e ele me respondeu: "Deve ser mãe. Se o livro está falando é porque é". Verdade Lucas. Eu também acho.

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