OPINIÃO

Família êh, família ah, família

12/12/2014 11:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
Matthew Micah Wright via Getty Images

"Papai, mamãe, titia..." - assim cantavam os Titãs nos anos 80. Hoje poderíamos cantar a música dos Engenheiros que fala que o Papa é pop. Afinal, até a religião já mostrou claros sinais de que preconceito e rejeição de famílias constituídas por casais de gays tá fora, literalmente. Se dois homens que vivem juntos, ou duas mulheres, querem ter um filho seja adotando, barriga de aluguel, inseminação ou da forma que for o problema é único e exclusivamente deles.

Nosso desejo, como ser humano e como sociedade deveria desejar-lhes felicidade e que essa criança venha com muita saúde. Obviamente não vou entrar no mérito de falar sobre as inúmeras formas de constituição familiar que vivemos hoje. Não tenho conhecimento suficiente para listá-las e nem para me aprofundar sobre elas. Mas é muito claro que antes dessa discussão tem outra mais profunda que é a do preconceito. É a não aceitação do diferente, daquilo que você não sabe conviver e que não conhece.

Todo estranhamento assusta. Crianças quando passam de fase têm épocas de noites corridas de pesadelo. O desconhecido assusta. Mas melhor do que afastar-se de qualquer coisa que você não quer, é aprender a conviver e se relacionar com ela. Sabe quando tem uma criança na escola que você não gosta do comportamento e justo essa - justo essa - é o melhor amigo do seu filho no momento? Pois é, a primeira coisa que a gente pensa é acabar com a amizade, dizer que fulano não pode mais vir em casa e etc. Que tal ensinar nossos filhos a se relacionar com a diferença? Mostrar a eles que nem tudo são flores e nem tudo é como gostaríamos que fosse, mas mesmo assim existe relação. Aprender a se relacionar com quem você não gostaria por perto é tão vital quanto respirar eu diria.

Tem um comercial no ar da Natura que a menina conversa no berço com sua meia irmã que acabou de nascer e ela questiona porque é meia irmã. No final ela termina dizendo "ah! Tanto faz porque o que importa é que eu amo ela". Criança não tem esse discernimento que nós adultos fazemos. Elas amam porque amam. Sem explicações. Alias, as explicações confundem, atrapalham.

Com os filhos temos a grande oportunidade de repensar e começar de novo. Olhar as pessoas e as diferenças da mesma altura. Sabe quando você abaixa pra falar com uma criança? Pra olhar olho no olho? É nessa altura que eles nos colocam pra lidar com o que incomoda ou é diferente. É educando eles que temos a oportunidade de nos olhar, nos questionar e poder fazer de novo - só que diferente. Só com amor. Sem achar que um homem e uma mulher juntos podem ser melhores pais do que dois homens, duas mulheres ou uma avó... sei lá. É simplesmente diferente daquilo que estávamos acostumados até pouco tempo atrás. E a vida está nos dando a oportunidade de repensar e fazer diferente. Como ser mãe.

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