OPINIÃO

Além da crise, além da internet, está a "destruição criativa" e uma nova lógica de empreender

18/04/2016 11:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

É fato que estamos vivendo uma crise política e econômica no Brasil, com recessão e previsão da estagnação econômica para os próximos anos. Mas se empreendedores olharem apenas para tais problemas para pensar nas suas estratégias de negócio, estarão deixando de olhar de forma visionária para uma mudança ainda maior no mercado, que a internet trouxe para ficar: uma onda de "destruição criativa" que apenas começou e está camuflada em toda esta crise.

A onda de mudança começou com a internet, que já transformou nossa sociedade e transformará ainda mais. Há mais celulares do que população no Brasil, somos 110 milhões de brasileiros usuários de internet e já superamos a quantidade de tempo vendo televisão para navegar na rede. Hoje, existem cerca de 8 bilhões de dispositivos conectados à internet e a previsão é que em 2030 será 1 trilhão em que todos os aspectos estarão conectados à internet das coisas. A internet das coisas, revolução móvel, computação na nuvem e outras tendências de inovação que podem romper padrões do nosso mercado, descontinuando até mercados consolidados, apontam para um mundo exponencial em que muitas coisas nas quais vivemos hoje estará obsoleto (Organizações exponenciais de Salim Ismael, 2015).

Mas não é apenas a tecnologia que mudou. Ela acelerou o surgimento de uma nova lógica de aplicá-la em rede de forma mais horizontal, há uma nova forma de empreender negócios. Por isso, empresas existentes e start-ups devem estar atentas aos cenários futuros e suas competências, ter processos mais flexíveis, rever o modelo de planejar olhando para o passado, e mudar seu pensamento linear e hierárquico para conseguir sobreviver - além de se destacar - nesse novo mercado. Já surgiram com esta nova mentalidade empresas e organizações inovadoras que têm habilidade de surfar no potencial da internet e na multidão que a usa, desenvolvendo modelos baseado na economia colaborativa e na crowd (multidão em inglês). São os famosos crowdfunding, crowdsourcing, entre outros.

Muitas das empresas e organizações que estão inovando nesta área também estão resolvendo problemas de bilhões de pessoas, porque nesta nova lógica estamos todos engajados para, juntos, resolver problemas "bilionários". Neste novo cenário, acompanho o surgimento de novas empresas que aliam lucro com a busca de impacto social e organizações sociais que maximizam seu impacto social ao aprender a usar de forma estratégica as novas tecnologias.

Para quem ainda não conhece o movimento de economia colaborativa, crowd e negócios de impacto social, vale a pena investigar mais a respeito e ampliar horizontes além desta crise atual. Conheçam o Social Good Brasil, Impact Hub, Perestroika, Imagina.vc, Benfeitoria, Atados, e tantas outras iniciativas bacanas.

E para quem já ouviu falar de todo este movimento e pretende engajar-se na área, fica o convite para inscrever uma ideia no SGB Lab, laboratório pioneiro no apoio a ideias que usam as tecnologias, novas mídias e comportamento inovador para melhorar o mundo, que está com inscrições abertas até 17/04. No Lab - do qual eu faço parte do time desde o primeiro e até hoje já somos 250 empreendedores - a gente aplica todas estas novas lógicas.

Fica o convite para olharmos além desta crise, há muita oportunidade para os novos modelos crowd2crowd. ; )

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