OPINIÃO

Como a tecnologia pode virar o jogo da educação no Brasil

29/01/2014 19:04 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Enquanto a seleção brasileira de futebol se prepara para tentar o hexacampeonato na Copa do Mundo de 2014, nossas ruas já têm sido tomadas por milhares de pessoas na torcida pela conquista de títulos bem mais importantes. Na sequência da onda de manifestações populares iniciadas no meio do ano passado, no último sábado, dia 25 de janeiro, milhares foram às ruas questionando os gastos elevados para a realização do Mundial enquanto o país carece de investimentos em direitos sociais básicos, como transporte, moradia, saúde e, principalmente, educação.

Se no futebol o Brasil está sempre entre os melhores do mundo -- somos a única seleção a disputar todos os Mundiais desde 1930 e a única pentacampeã --, nos rankings mundiais da educação amargamos historicamente as últimas posições. No que se refere ao acesso ao ensino superior, apesar de termos alcançamos importantes vitórias recentemente, temos um longo campeonato a disputar. A população universitária brasileira dobrou nos últimos dez anos. Mas apesar de atualmente contarmos com um time de 7 milhões de estudantes universitários, o número de pessoas com formação superior ainda é muito baixo na comparação com outros países: menos de 10% da população brasileira tem ensino superior completo, enquanto 30% da população dos países da OCDE têm um diploma de graduação.

Outro ponto crítico é a falta de espaço para o estudante brasileiro: nossa rede atual simplesmente não comporta todos os candidatos a uma vaga no ensino superior. Segundo o Censo da Educação Superior de 2012, na modalidade presencial, há 3,5 milhões de vagas para cerca de 11 milhões de candidatos. Na modalidade a distância, uma das grandes apostas do governo para ampliar o acesso ao ensino superior, são 7 milhões de inscritos por ano disputando uma das 2,3 milhões de vagas oferecidas.

É nesse cenário que acreditamos que a tecnologia ocupa uma posição decisiva para reverter os resultados do campeonato por um país mais educado, e nesse contexto nasceu o Veduca, startup brasileira de tecnologia, cujo propósito é democratizar o acesso à educação de alta qualidade. Nas últimas décadas, vimos a adoção massiva da tecnologia e das múltiplas possibilidades proporcionadas pela internet revolucionarem os mais diversos setores da economia e das relações humanas. Aconteceu com o sistema bancário, com a indústria fonográfica, com a medicina. Ao olharmos mais de perto para essas revoluções, identificamos um fenômeno comum a todas elas: onde a tecnologia entra massivamente, mais poder é transferido para as mãos das pessoas, do usuário final, do cliente, do consumidor. Mais recentemente, do estudante. Acreditamos que a tecnologia tem um papel fundamental para democratizar o acesso à educação de qualidade, disponibilizando conteúdo livre e aberto a todos aqueles que querem aprender.

Um dos caminhos propostos, quebrar os muros das melhores universidades do mundo, por meio dos cursos abertos massivos online (os MOOCs, do inglês massive open online courses) e cursos livres são estratégias já conhecidas de times lá de fora como Coursera e EdX para espalhar conteúdo na rede. No Brasil, o Veduca foi responsável por começar a tornar acessíveis esses conteúdos, de algumas das melhores universidades do mundo, como Harvard, Stanford, MIT, entre outras, por meio de legendas em português (apenas cerca de 2% da população brasileira domina o idioma). Em 2013, o Veduca lançou os primeiros MOOCs com certificação da América Latina, em parceria com professores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Brasília.

Mas foi mais recentemente -- acreditamos -- que marcamos o gol mais importante até agora, com o lançamento do MBA em Engenharia e Inovação, o primeiro MBA aberto online do mundo. Estruturado no formato de MOOCs, o MBA em Engenharia e Inovação é composto de videoaulas cujo acesso é aberto e gratuito a todos com interesse no tema. O modelo é único sob diversos aspectos. Seu conteúdo interdisciplinar, totalmente aberto, é composto por cursos de universidades diferentes - neste caso, da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Santa Catarina. Aqueles que desejarem, podem optar por um Programa de Certificação pago. Ele consiste em um pacote de serviços educacionais para ajudar os candidatos a conquistarem um certificado reconhecido pelo Ministério da Educação. Para o programa de certificação contamos com a parceria do Centro Universitário UniSEB, reconhecidamente um dos melhores provedores serviços em de educação a distância no Brasil.

Eis o diferencial mais importante da proposta brasileira: a partir de um conteúdo totalmente aberto e gratuito, há a possibilidade de uma certificação oficial, amplamente aceita no mercado, e não apenas um atestado de participação em um curso online. Dentro do modelo, quem opta pelo Programa de Certificação passa a contar com tutoria e orientação pedagógica personalizada, acesso a polos presenciais do UniSEB para a realização de provas presenciais e defesa de um trabalho de conclusão de curso. O acesso a videoaulas, quizzes e estudos de casos reais, apresentados por profissionais nos mais diversos setores do mercado, é aberto a todos, e não é exclusivo àqueles que optaram pelo Programa de Certificação.

Em apenas três semanas, sem nenhum grande esforço em publicidade, 7.500 alunos se inscreveram na modalidade aberta e mais de 500 manifestaram interesse pela certificação. O brasileiro tem sede de virar o jogo e melhorar de vida. E ele sabe que investir em sua educação e buscar conhecimento e qualificação nas áreas mais estratégicas para o desenvolvimento econômico do país é a jogada mais certeira para vencer.

A educação é a chave para o crescimento econômico e social do país. Aliar a tecnologia ao estudante é conferir-lhe poder, desenvolver sua autonomia e capacidade criativa. É fazendo crescer o cidadão que o Brasil ocupará o seu lugar de direito no topo de todos os rankings, e não só no futebol, mas também da educação, do desenvolvimento sustentável e social. A tecnologia em educação pode fazer o Brasil ganhar o campeonato. Temos diante de nós o início de uma das maiores revoluções da humanidade. Mas esse torneio está apenas começando.