OPINIÃO

PEC 241: Quem vai pagar o pato?

13/10/2016 14:17 -03 | Atualizado 13/10/2016 14:17 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Inflatable dolls in the shape of ducks are seen in front of the National Congress during a protest against tax increases in Brasilia, Brazil, October 1, 2015. The campaign "I will not pay the Duck" is organized by the Federation of Industries of Sao Paulo (FIESP) and uses the duck symbol in reference to industries that pay high taxes. REUTERS/Ueslei Marcelino TPX IMAGES OF THE DAY

O que é essa PEC 241 senão a completa desmontagem de um Estado voltado para as questões sociais, com crivo para fazer isso por duas décadas?

O governo fala em ajuste fiscal através da redução de gastos com educação e saúde. E diz que quem discorda é "contra o Brasil".

Se olharmos com atenção as pesquisas sobre a insatisfação ou preocupação do brasileiro veremos, por motivos óbvios, a corrupção e a saúde.

Neste último caso, a falta de médicos e enfermeiros e a qualidade no atendimento são os que mais geram apreensão.

A proposta também inclui congelamento do valor do salário mínimo, que seria reajustado apenas segundo a inflação.

Trocando em miúdos, põe a conta no colo do trabalhador e precariza ainda mais o sistema de saúde que esse mesmo trabalhador usa.

Isso é um imenso retrocesso! E minha consciência não me permite calar diante disso.

Sem contar que não se fala em sacrifício de nós, políticos em todas as esferas, inclusive dos governantes.

O PT errou, Dilma tem responsabilidade enorme, mas esse caminho de colocar as contas nas costas do pobre é uma história que se repete, independentemente de quem está sentado na cadeira e com a caneta na mão.

Vale frisar que há outros caminhos e que se o governo se empenhasse, com força máxima, para ver aprovado o imposto sobre grandes fortunas, ou Imposto para os ricos ou ainda o imposto de solidariedade (como é chamado em vários países) - o nome importa pouco -, metade do ajuste fiscal já estaria feito.

A verdade é que o famoso leão do imposto de renda, não passa de um gato diante dos ricos.

Em 2013, nada menos do que 71.440 brasileiros, ganharam quase R$ 196 bilhões sem pagar nada de imposto de renda de pessoa física (IRPF).

Foram recursos recebidos como lucros e dividendos das empresas das quais são donos ou sócios.

Sem a taxação sobre grandes fortunas, o paraíso fiscal é aqui. E a PEC não será nada além da manutenção do atual sistema: quem continuará pagando o pato é o trabalhador.

Bem que a FIESP avisou que não pagaria o pato...

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