OPINIÃO

Uma web-paranoia chamada remarketing

26/02/2015 14:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
Dr T J Martin via Getty Images

Elas estão em todos os lugares. Basta ligar o computador para que apareçam: no e-mail, no Facebook, nas páginas de pesquisa. As passagens aéreas para Madrid estão invadindo a minha vida de tal forma, que apenas nesta manhã consultei três ofertas, inclusive pela Air China. Havia também uma promoção pela Ethiopian Airlines. Achei por demasiado exótico, até mesmo para um espírito aventureiro como o meu.

À espreita e pronto para me encarar, sem o menor constrangimento, está o meu peso desejado. Quando as ofertas aéreas permitem, ele se apresenta. Vem disfarçado de post ou e-mail: "Saiba como atingir 58 quilos". Por fim, bem mais discreta, está uma sandália que pensa poder competir com as companhias aéreas e com a indústria da dieta. Pobre, não tem a menor chance de passear nos meus pés.

Essa web-paranoia chama-se remarketing. Tudo começa quando, em estado de absoluta distração, resolvo fazer uma pesquisa de preços online. E aí que uma ferramenta me identifica, passando a exibir anúncios frequentes do meu possível objeto de desejo em vários dos portais e redes sociais por onde navego.

É possível driblar esses mecanismos, mas como esse aqui não é um artigo técnico, vou adiante para fazer um pedido: por gentileza, insiram esses códigos em outras páginas que visito. Quero ser por perseguida pela obra do poeta místico Rumi e, quem sabe, de vez em quando pelo pensamento de Schopenhauer.