OPINIÃO

Sua empresa é positiva?

08/07/2015 18:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02
TARIK KIZILKAYA via Getty Images
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Não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe, certo? Errado. Ao menos do ponto de vista da Psicologia Positiva, o braço caçula da ciência que estuda o comportamento humano. Embora tenha ganhado força no século 21, seus primeiros passos foram dados nos anos 1950, pelo genial Abraham Maslow.

Ciente de que a doença já estava bem catalogada, o psicólogo americano decidiu investigar a saúde ou, em outras palavras, o que havia de especial nas pessoas que triunfam. O fato é que há traços comuns em indivíduos que apresentam um nível superior de satisfação com a vida. E essa característica nem de longe passa por beleza ou prosperidade - aquilo que a cultura ocidental contemporânea vende como felicidade.

Martin Seligman, pesquisador e professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia e escritor consagrado, desenvolveu um modelo amplamente empregado para descrever o bem-estar humano. Chama-se PERMA, quase um acróstico para Emoções Positivas (Positive Emotions), Engajamento (Engagement), Relações (Relationships), Significado (Meaning) e Realizações (Achievement). Paralelo ao trabalho de Seligman, cientistas sociais e neurocientistas passaram a produzir material consistente e relevante a partir de investigações sobre felicidade, conferindo a esse estado até então etéreo e subjetivo um caráter tangível.

Graças à ciência, tem se evidenciado que há muito o que fazer, deliberamente, para tornar a experiência humana positiva e plena de sentido. No lugar do fatalismo, apresenta-se uma composição que empodera o indivíduo enquanto autor de sua própria história: cerca de 50% da felicidade possui caráter genético, 40% é associado ao estilo de vida e 10% é relativo ao ambiente.

A positividade tem caráter ressonante - e isso também tem sido especulado e comprovado nos laboratórios. Pessoas que conseguem alcançar um estado de fluidez (flow) na vida são capazes de exercer importante influência em seus núcleos familiares e sociais. São capazes de contaminar com saúde suas relações.

Se tudo isso é válido para indivíduos, será válido para organizações? Certamente. A Psicologia Positiva tem se mostrado altamente eficaz tanto em instituições públicas, quanto privadas. Em escolas e ONGs. Até mesmo no exército americano.

Convenhamos, poucos espaços podem ser mais negativos que empresas, o que por si só constitui uma dicotomia. Enquanto batalham para navegar no positivo, do ponto de vista financeiro, muitas constroem culturas altamente nocivas, capazes de desapropriar a energia vital de seus colaboradores, tão essencial à produção e à boa performance. E ao lucro.

Empresas positivas devem pensar, comunicar e atuar de maneira coerente, eliminado os abismos que comumente se vê entre a Missão que estampa as paredes e a hora da verdade vivenciada pelo cliente. A positividade não se instala ao acaso dentro de uma organização.

Contudo, felizmente parece ser um fator intrínseco ao ser humano que, quando ainda não a experimentou, tudo que espera é uma chance.