OPINIÃO

Este governador bilionário dos EUA aumentou os impostos para os ricos e reajustou o salário mínimo

Agora, a economia de seu estado é uma das melhores do país.

30/04/2017 17:31 -03 | Atualizado 01/05/2017 13:34 -03
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O governador Dayton não conquistou todas essas reformas manipulando as pessoas de forma perspicaz.

Quando assumiu o posto em janeiro de 2011, o governador de Minnesota, Mark Dayton, herdou um déficit do orçamento de US$ 6,2 bilhões (cerca de R$ 19,8 bilhões) e uma taxa de desemprego de 7% de seu antecessor, Tim Pawlenty, o rapidamente esquecido candidato republicano à presidência que se autodenominou o primeiro governador de Minnesota da história moderna realmente conservador na área fiscal.

Pawlenty se orgulhava de nunca ter subido os impostos no estado — o máximo que ele fez para gerar novas receitas foi aumentar os impostos sobre os cigarros em 75 centavos de dólar (cerca de R$ 2,40 no câmbio atual) por maço. Entre 2003 e fim de 2010, quando Pawlenty estava no comando do estado de Minnesota, conseguiu criar apenas 6.200 empregos.

Dayton, por sua vez, durante seus primeiros quatro anos como governador, elevou o imposto de renda no estado de 7,85% para 9,85% para indivíduos com renda anual superior a US$ 150.000 (cerca de R$ 480.000) e para casais que ganham acima de US$ 250.000 e fazem declaração conjunta — um aumento de impostos de US$ 2,1 bilhões.

O governador também fechou um acordo para elevar o salário mínimo para US$ 9,50 por hora até 2018 e aprovou uma lei que garante remuneração igualitária para as mulheres. Republicanos, como o deputado estadual Mark Uglem, se posicionaram contra os aumentos de impostos dizendo que "os geradores de empregos, as grandes e pequenas empresas irão embora. Para eles, cada centavo conta".

O amigo ou parente conservador com o qual você compartilhou este artigo provavelmente diria o mesmo se o governador deles tentasse fazer a mesma coisa. Mas, assim como Uglem, perceberiam que estão errados.

Entre 2011 e 2015, o governador Dayton adicionou 172.000 postos de trabalho à economia de Minnesota — apenas em seu primeiro mandato, foram 165.800 empregos a mais do que o total de postos criados em ambos os mandatos de Pawlenty.

Embora a maior alíquota de imposto de renda em Minnesota seja a quarta mais alta do país, o estado possui a quinta menor taxa de desemprego dos EUA, de 3,6%. Segundo dados do censo norte-americano, entre 2012 e 2013, a renda média dos residentes de Minnesota era US$ 10.000 superior à média do país, e a renda média atual no estado ainda está US$ 8.000 acima da média nacional.

No fim de 2013, o crescimento do nível de emprego no setor privado em Minnesota superou os níveis anteriores à recessão, e a economia do estado mostrava a quinta taxa de expansão mais rápida nos Estados Unidos.

A revista Forbes até mesmo classificou Minnesota como o nono melhor estado para os negócios — o estado de Wisconsin, cujo governador Scott Walker tentou promover com o slogan "Wisconsin is Open For Business" (Wisconsin está aberto para os negócios), ficou em um distante 32o lugar na lista.

Apesar do receio de que as empresas fugissem dos impostos em Minnesota, o número de pessoas que declararam imposto de renda na faixa mais alta subiu em 6.230 em 2013, apenas um ano depois do aumento de impostos de Dayton entrar em vigor. Em janeiro de 2015, Minnesota tinha um superávit fiscal de US$ 1 bilhão, e o governador Dayton prometeu reinvestir mais de um terço desse valor em escolas públicas. E, de acordo com o Instituto Gallup, a confiança na economia de Minnesota é a mais alta entre todos os estados.

O governador Dayton não conquistou todas essas reformas manipulando as pessoas de forma perspicaz — este artigo descreve a impressionante falta de carisma e articulação de Dayton.

Ele não promove o conflito de classes movido pelo desejo recuperar as perdas da parcela 1% mais rica da população americana — Dayton é bilionário, herdeiro da fortuna da loja de departamentos americana Target. Não foi apenas uma maioria no legislativo que o forçou a fazer tudo isso — Dayton teve de trabalhar com um legislativo controlado pelo Partido Republicano em seus primeiros dois anos no cargo.

E, ao contrário de seu vizinho republicano no leste, o governador Dayton não impôs sua vontade contra o desejo da população ao criar obstáculos entre as pessoas e o voto — Dayton, na verdade, criou um sistema de inscrição de eleitores on-line, facilitando como nunca antes o registro daqueles que queiram votar.

A razão pela qual o governador Dayton conseguiu transformar radicalmente a economia de Minnesota em uma das melhores do país é simples aritmética. Aumentar os impostos para os que podem pagar mais transformará o déficit em superávit. Reajustar o salário mínimo elevará a renda média. E, em um estado onde a educação é uma prioridade do orçamento e o crescimento econômico é um dos mais altos dos EUA, simplesmente faz sentido que mais empresas queiram ficar.

Já é oficial — favorecer ainda mais os privilegiados não faz sentido. Minnesota provou isso de uma vez por todas. Se você pensa de outra maneira, está errado.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública.

Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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