OPINIÃO

Estamos grávidos, e é grave

28/05/2014 15:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Getty Images
A pregnant woman with a painted baby on her belly takes part in the Movement for a Humanized Childbirth demonstration, at Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil, on Februrary 3, 2013. People protested against the new regulations of two hospitals --Pro Matre and Santa Joana-- which will allow women in labor to have only one person in the delivery room, forcing patients to choose between a family member and a doula --a woman who provides emotional and fisical support. AFP PHOTO/Yasuyoshi CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

Caros amigos da interweb. Não há como fugir. Para onde quer que você olhe, clique, poste, curta, instagrame, a palavra COPA vai estar lá, piscando e te chamando como te chama um letreiro de fast food quando você está voltando pra casa às 5 da manhã.

Sim, ela vai acontecer. Sim, temos artigos dissecando os gastos absurdos, as supostas roubalheiras, as greves organizadas e outras nem tanto, as manifestações, a indignação.

Sim, e também temos as propagandas non stop de promoções que nos fazem crer que todos os ingressos para os jogos do Brasil foram reservados para quem comprar um celular Sony com cartão Visa, e enviar o código SMS das tampinhas de Coca Cola que juntou no Extra.

Mas falta uma coisa que nem os textos nem as imagens conseguiram até agora repassar: por mais que falemos de Copa, falta sentirmos a Copa. A menos de 15 dias para o mundial, não há ruas decoradas, bandeiras nos carros, janelas enfeitadas, ursinhos de pelúcia vestidos de verde e amarelo. Não há amigos montando esquema de quem leva a pipoca e quem faz o churrasco. Não há meninas pintando as unhas com bandeirinhas. Não há emoção no ar.

Ah, que saudades da Alemanha, não é? Quando o mais agressivo era Zidane, o Brasil - mais criticado - era o time em campo e o entusiasmo se via em cada esquina. Quem não se lembra de ter a casa toda enfeitada, reunir os amigos, pagar R$19,90 a mais para ganhar uma camiseta do Guaraná ou correr atrás dos mini craques com mais desespero que quando vemos o último ônibus sair do ponto e ainda estamos a duas quadras de distância?

Hoje não se fala em torcida; se relembram o aniversário de um ano dos protestos. Não se veste a camisa da seleção, se pergunta "imagina na Copa". Basta uma olhadinha nos termos mais buscados do Google. "Protestos Copa" tem o dobro de buscas que "torcida Copa".

Se a Copa é certa, se vale ou valerá a pena? Seguramente é uma boa discussão. Mas é uma discussão que eu não quero ter agora. Porque em 15 dias, meu país, meu time vai entrar em campo. E eu quero vibrar, sentir a emoção de cada roubada de bola, o frio na barriga de cada ameaça de gol, angústia de cada bola na trave.

A Copa é como gravidez: tá ou não tá. E estamos grávidos, meu amigo. Discutir sobre quem é o pai, sobre a responsabilidade da mãe? Tudo bem. Mas perder a emoção de curtir o filho, isso eu não quero.

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