OPINIÃO

Exclui o sétimo mandamento e dá outras providências: Deputado articula aprovação de PEC-LS nº 157

12/10/2015 01:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

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O deputado Eduardo Culpa (PMDoCéu) já articula no Congresso Celestial a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional do Livro Sagrado (PECLS) nº 157, que entre outras providências, exclui do Livro Sagrado o Sétimo Mandamento, "Não roubarás".

A matéria, que divide opiniões entre conservadores do mundo inteiro, está em tramitação e, ao que tudo indica, irá à votação em regime de urgência e já conta com o apoio de diversos setores tradicionais e conservadores da sociedade.

O parlamentar ostenta o apoio desses setores desde que deu declarações, no início do seu mandato como presidente da Câmara dos Deputados do Reino Celestial, de que estaria em uma "Cruzada" (ato de repreender com a cruz, preces e medidas legislativas conservadoras) contra os maconheiros, abortistas, negros e LGBT.

A Bispa Sonialda, uma das centenas de lideranças que serão beneficiadas pela medida, disse:

"Também preciso do alcance desse perdão, pois todo o dinheiro que venho transferindo dos cofres da minha igreja para bancos nas Ilhas Cayman e Miami é para contribuir com esta "Cruzada". O Senhor Supremo está ao nosso lado. Nossos atos não podem ser vistos como algo errado e lesivo à população."

Se aprovado, o projeto anistiará todos os líderes de alguma coisa que evadiram divisas e abriram contas em bancos na Suíça e outras instituições financeiras do estrangeiro. A nova lei dará a esses líderes o poder e força suficiente para destituir da Presidência da Republiqueta das Bananas a presidenta Vilma Rocheff.

O deputado Eduardo Culpa, que vinha calado e sem dar quaisquer declarações à imprensa sobre o confisco de suas contas por parte da Justiça Suíça, reuniu por conta própria a imprensa. Em coletiva, ele disse:

"A presidenta também é uma das pessoas contra as quais travei uma "Cruzada". Não podemos permitir que esta senhora e seu partido que está destruindo a Moral & os Bons Costumes travem uma batalha contra a nossa corrupção e saiam ilesos. O foco deve ser neles. Somente neles."

O PEC-BC "precisa ser aprovado em regime de urgência, para que eu consiga, juntamente com os meus irmões (sic), permanecermos no poder sem precisar dar nenhuma explicação à sociedade, que com fé em Robin Hood, não baterá uma única panela para esses pobres líderes tradicionais e conservadores".

O deputado Marcu Feliz (PSCores) está estudando a possibilidade de aglutinar uma emenda à PECB, que "retire do benefício da anistia, qualquer líder gayzista, negro, umbandista, comunista, petralha, esquerdopata e de setores progressistas, pois estes grupos amaldiçoados não merecem perdão nenhum", afirma.

Quem não está nem um pouco empolgado com a grande adesão dessa medida é o deputado Gilvan Wyllyans (PLua).

O parlamentar, que acaba de ser eleito pelo Congresso em Lentes Super-Macro como o melhor deputado do País, afirma que "ou a população começa a bater panelas como vem fazendo para a presidenta ou em breve uma Reforma Constitucional ganhará força nas mãos desses setores conservadores, que vêm acumulando uma vitória atrás da outra no Congresso, destruindo a família não-tradicional (que não será mais reconhecida como família em breve, será apenas um grupo marginalizado, segundo o Estatuto da Família)."

Durante a coletiva na qual todos estes depoimentos foram colhidos, a deputada Maria das Coroas de Flores (PTralha) tentou falar para os jornalistas presentes que Eduardo Culpa é um parlamentar "muito esperto" e sabe muito bem os caminhos e brechas no Regimento da Casa de Leis, e que essa medida tem tudo para vingar, no calar da noite, mas foi brutalmente interrompida pelo também deputado Bolsonaldo (PGuns), que disse:

"Fique calada, Excelentíssima Senhora, ou iremos articular um projeto que determine que mulheres como você não mereçam ser estupradas, somente alguns outros tipinhos, e outro projeto que obrigue as mulheres estupradas a terem o filho ou filha, fruto desse estupro e ainda não ganharem o reconhecimento de Família Base da Sociedade."

Esta crônica, felizmente, ainda não é baseada em fatos reais e todos os nomes citados não são inspirados em nenhuma pessoa real. Qualquer semelhança é mera coincidência.

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