OPINIÃO

Em ‘Dunkirk’, um desastre muda a História  -  e um diretor muda o cinema

O diretor Christopher Nolan fez um filme de guerra diferente de todos já produzidos anteriormente.

28/07/2017 20:28 -03 | Atualizado 01/08/2017 13:41 -03
Melinda Sue Gordon/Warner Bros.
O estreante Fionn Whitehead, de apenas 20 anos, é Tommy, o protagonista.

Vinte e cinco anos estão entre os primeiros rabiscos da ideia de Dunkirk (2017) e a estreia do novo longa-metragem colossal dirigido por Christopher Nolan, também responsável por Interestelar (2014), A Origem (2010) e pela trilogia Batman — O Cavaleiro das Trevas (2005–2012). Todos, sem sombra de dúvida, são alguns dos maiores filmes dos últimos anos.

Uma das principais diferenças entre Nolan e outros tantos diretores de blockbusters é a ambição do cineasta britânico: ele sempre busca alargar as possibilidades que o cinema oferece para contar histórias. Seja em aspectos técnicos ou em estruturas narrativas, muitas delas labirínticas, como as de A Origem e Amnésia (2000).

Dunkirk não é diferente. Aproximadamente 70% do longa-metragem foi rodado em IMAX 65 mm e em película 65 mm, para ser exibido nos cinemas em 70 mm  —  algo raro hoje em dia, considerando que a mídia digital já dominou quase todas as salas de cinema do mundo todo.

Nolan e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, indicado ao Bafta por Interestelar e O Espião Que Sabia Demais (2011), decidiram filmar tudo de perto, para transmitir a sensação tátil das experiências que os personagens vivem.

Isso implicou em, por exemplo, colocar as grandes, pesadas e barulhentas câmeras de IMAX em suportes nas asas e dentro das cabines dos Spitfires. Estes são aviões de caça usados pelo exército britânico na II Guerra Mundial, período no qual a história de Dunkirk acontece. Hoytema e os cinegrafistas carregaram as câmeras sobre os ombros e também com a estabilizadora de câmeras Steadicam.

O som vibrante, os efeitos quase todos práticos, os barcos  - os mesmos usados no episódio histórico aqui abordado  - e a assombrosa trilha sonora composta por Hans Zimmer, colaborador de longa data de Nolan, não negam que o filmeé uma experiência sensorial e de imersão na evacuação do exército britânico das praias francesas em 1940.

Christopher Nolan dá alguns passos a frente tanto com narrativas de guerra quanto com o cinema em geral. Dunkirk foi feito para ser visto em IMAX. É claro que nem todo mundo pode pagar pelo ingresso dessa modalidade de sessão, que tende a custar o dobro da tradicional. Mas se for possível, veja-o na maior tela e com o melhor som possíveis. Esta experiência sublime não vai deixar você escapar ileso da sessão.

O longa tem poucos diálogos. Todos são pontuais e concisos, escritos em um modesto roteiro de 70 páginas, ao contrário dos vários outros que Nolan já escreveu. Ainda assim, há uma estrutura narrativa engenhosa, baseada em três pontos de vista do conflito: o molhe (com duração de uma semana), o mar (um dia) e o ar (uma hora).

Cada um tem seu personagem principal: Tommy (Fionn Whitehead), Sr. Dawson (Mark Rylance) e o piloto Farrier (Tom Hardy), respectivamente. E a ordem dos acontecimentos não é cronológica.

O elenco, todo em boas atuações, ainda conta com Kenneth Branagh, Harry Styles, Aneurin Barnard, Tom Glynn-Carney, Jack Lowden, Cillian Murphy e Michael Caine, em participação não creditada, como a voz na comunicação via rádio da Força Aérea inglesa.

Em quase todos os 106 minutos de duração de Dunkirk, o foco está em detalhes. Praticamente não há sangue, mutilação ou soldados em rompantes de desespero. Nolan fugiu de muito do que já foi feito em filmes de guerra antes de fazer o seu.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

LEIA MAIS:

- Para o bem ou para o mal, 'De Canção em Canção' é o típico filme de Terrence Malick

- 9 livros indispensáveis para entender (e combater) o fascismo

As 10 melhores franquias do cinema de todos os tempos