OPINIÃO

Os tesouros perdidos do Netflix

17/10/2014 17:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
Divulgação

Que o Netflix foi uma das melhores invenções dos últimos anos (quase) todos sabem. Entre séries super premiadas e filmes obscuros, encontramos um catálogo grande de opções de entretenimento para diversos tipos de espectadores.

Mesmo tendo diversas opções no catálogo, geralmente escolhemos ficar na mesmice. Fugindo para os óbvios, perdemos algumas preciosidades escondidas no fundo desse imenso baú digital. A seguir, indico 5 filmes que estão lá no final da lista de indicações, mas que são peças interessantes para preencher seu portfólio cinematográfico.

el cuerpo

No gênero do suspense e thriller, encontrei um ótimo filme espanhol de 2012. El Cuerpo é um daqueles filmes que você termina de assistir e exclama um sonoro 'Que p***a é essa que eu vi'. A história se passa durante 8 horas (memorize essa informação) de uma investigação do sumiço de um corpo de dentro de um necrotério. Termino a sinopse por aqui para não estragar a surpresa do filme. É um filme ágil, com um elenco sólido e com pouquíssimas falhas de roteiro. O mais importante nesse caso é que somos convencidos. Essa é o principal objetivo do filme e, como marionetes, somos manipulados e conduzidos sem a menor cerimônia.

O próximo da lista é Sentidos do Amor (2011), um filme que se torna cada vez mais pesado e intrigante pela ideia central. A história é sobre um chef de cozinha e uma médica epidemiologista que se relacionam em meio ao caos de uma epidemia: aos poucos a humanidade começa a perder os sentidos. O filme incorpora, aos poucos, os mesmos sintomas da doença, perdendo um sentido de cada vez. É interessante notar, no entanto, que assim como os personagens, os outros sentidos se aguçam com a perda anterior. De repente, o fato de não ter som nos faz prestar mais atenção aos toques e cores da tela. Essa sinergia entre o visual e a história é digno de ser estudado e interpretado a fundo. Por fim, vemos que, por mais que estejamos divididos em sociedades, o fim da humanidade enquanto espécie será solitário, à medida que perdemos nossos sentidos fisiológicos. A sutileza dessa decadência está na capacidade de darmos sentido figurado e linguístico ao restante, uma vez que o futuro está fadado à extinção.

frances ha

Por outro lado, Frances Ha(2012), adota o tom otimista da vida. Ainda que tenha rodado por alguns circuitos de cinema e estado presente em algumas salas de exibição no Brasil, destaco o filme por ele ser como uma bijuteria esquecida no fundo da gaveta, deixando o dia de sua dona muito melhor após ser encontrada. Somos apresentados a Frances, uma jovem que vive uma enorme crise existencial. Aos 27 anos, se vê perdida no seu relacionamento e nas suas amizades e tenta sobreviver apesar de todas essas dificuldades. O truque do filme, no entanto, é nos mostrar não uma personagem forte, de caráter impetuoso e marcante, mas uma garota no corpo de uma mulher e que é terrível em fazer boas escolhas. Se fosse para descrever o filme em poucas palavras, definiria da seguinte forma: como aprender a viver fazendo péssimas escolhas. Tenha certeza que assistir a Frances Ha não será uma péssima escolha, pelo contrário: fará você (re)avaliar suas decisões dos últimos anos e servirá como solo fértil para uma boa conversa de travesseiro. Ao final, cada um terá uma visão do filme, por ele nos mostrar que as escolhas são daquelas poucas coisas que ninguém faz por nós.

Uma das jóias escondidas do Netflix feita fora do eixo EUA-Europa é Distrito 9 (2009). Rodado na África do Sul, o filme, embora de ação/ ficção científica, tem uma pesada crítica às questões humanitárias e suas resoluções propostas. A história narra a vida de um agente de uma organização que lida com a chegada de uma nave extraterrestre à Terra. Após um acidente, o agente começa um processo de mutação que lentamente o transformará em alienígena. Destaco o filme aqui, não pela história central, mas pelas tramas e dramas periféricos. Podemos ver como é tratada a questão dos refugiados e dos desfavorecidos, a corrupção das empresas para operar os "campos de concentração", além da metáfora de o protagonista se tornar um daqueles aliens. Em termos de efeito e direção é um filme muito bem elogiado, contém cenas e efeitos de alta qualidade, além de ser filmado como se a câmera estivesse no meio da ação o tempo todo.

Por fim, sugiro um filme duvidoso de um diretor controverso: Melancolia(2011), de Lars Von Trier. Somos apresentados a uma realidade complicada: no dia do seu casamento, vemos a protagonista numa intensa dificuldade em dizer sim no altar, mesmo com toda a pompa e luxo da cerimônia. Ao seu lado, um noivo bonito, mas sem o sentimento necessário para se comprometer uma vida de dedicação e amor. Em seguida vemos o porque no título: no céu, aparece um novo planeta, Melancolia, que, apesar de surgir distante, está sempre presente e observando as ações das pessoas na Terra. Com uma atuação impecável, ao nos mostrar visualmente o sentido da melancolia, Kirsten Dunst vive a noiva que sucumbe às próprias dificuldades em superar aquele sentimento. Ela não é depressiva, triste ou apática. Ela é a definição de uma pessoa melancólica. Por apresentar essa realidade difícil, o filme pode não ser muito popular entre seus espectadores, mas é, sem dúvida, uma ótima obra que ecoará por um tempo na cabeça de quem o assistir.

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