OPINIÃO

Meta: Extinguir a inovação no Brasil

24/08/2015 21:27 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
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Focused engineer assembling robot

Deve existir um cartaz no Palácio do Planalto que diz: "quem conseguir arrancar mais dinheiro do contribuinte, ganha férias prêmio dobrada."

Não é possível que mais uma vez vemos o pior inimigo da inovação, geração de emprego e renda ser colocado na mesa: taxação e regulamentação de serviços de tecnologia. Há pouco tempo o Uber foi o vilão, agora são Netflix, Youtube (que está em operação no Brasil há quase 10 anos) e Whatsapp.

Bastante engraçada essa postura: ao invés de cortar Gastos (com G maiúsculo mesmo) como aumento de salário de servidores ou redução da imensidade da máquina pública (39 é o número), ataca-se a livre concorrência, liberdade de escolha dos consumidores e a inovação. Afinal, brasileiro é bicho burro e não sabe nada sobre economia, finanças e muito menos sobre política econômica.

Há alguns dias, resolvi matar uma curiosidade: ver os projetos de inovação e criatividade nas plataformas de crowdfunding (financiamento coletivo) como Kickstarter, Indiegogo e o brasileiro Catarse. Quanta diferença!

Enquanto nos sites estrangeiros a maior parte dos projetos eram produtos de (alta) tecnologia, no Brasil, a grande maioria dos projetos são de cultura e arte. O mais próximo que se chega de um produto de tecnologia eram alguns aplicativos de celular, softwares e projetos individuais de engenharia mecânica. Deixo claro que não há nenhum problema em projetos de cultura e arte utilizarem a plataforma do crowdfunding para encontrar dinheiro e sustentar seus projetos - é exatamente para isso que o Catarse existe mesmo. E considerando a política de incentivo à cultura, me surpreende não haver mais projetos de cinema, artes, exposições, fotografia, etc.

No entanto, enquanto se vê milhares de projetos de design, tecnologias novas, soluções para problemas que muitas vezes nem percebemos que existem em outros países, o mesmo não acontece aqui. Não existe incentivo à inovação, à criação, à busca de soluções novas. Quando acontecem, ficam relegadas às Universidades (que nem dinheiro para pagar segurança privada nos campi tem). Impedir (ou, no caso dos aplicativos, criar barreiras para) o uso da tecnologia é impedir a criatividade, inovação e destruir a chance de que o próximo Mark Zuckerberg fosse brasileiro. O velho argumento de que empregos estão sendo perdidos é mais uma burrice e falácia: quando se desenvolve uma indústria nova, a geração de empregos é uma imediata consequência. Agora cadê essa nova industria da informação e da tecnologia? San Pedro Valley, em Belo Horizonte, vive aos tapas com o governo estadual. A relação das grandes companhias como Google, Facebook, etc. com o governo se dá apenas entre advogados e procuradores. Onde está a política de desenvolvimento da inovação?

O grande problema no raciocínio do governo é que, numa economia que se arrasta há algum tempo, o bolso se torna a medida das coisas. "Tá caro? Paro de comprar", "Aumentou o preço? Diminui a quantidade, meu filho". Quando o bolso se torna a medida para as escolhas, não existe solução nesse mundo que promova o crescimento econômico, a não ser o botão de reset. Estamos caminhando para isso, quer o governo queira, ou não.

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