OPINIÃO

16 filmes gays que te farão pensar sobre a vida

26/11/2014 17:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02
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Após a fase da adolescência, muitos ainda insistem em não aceitar a própria sexualidade, tentando mascarar e esconder a todo custo o fato de se sentirem atraídos pelo mesmo sexo, o que lhes causa muito sofrimento e tristeza. É com esse fato que lidam os filmes a seguir, com mais ou menos dramas envolvidos.

Do Começo ao Fim (2009) tem uma proposta pouco usual e de certa forma polêmica: mostra dois meio irmãos que se apaixonam um pelo outro desde pequenos. O (quase) incesto é amenizado pela forma surreal que a família aborda aquela situação, com uma naturalidade pouco provável de existir. Ainda assim, é um filme bonito, que mostra a importância do amor para os dois, mesmo com essa situação difícil de ser explicada.

Burning Blue (2013) é um filme-denúncia da política das Forças Armadas americanas Don't Ask Don't Tell, de ocultação de atos homossexuais por parte de seus funcionários. O filme foca no relacionamento entre dois pilotos da Marinha Americana, ambos noivos de mulheres e se veem apaixonados um pelo outro. O longa não atingiu grandes cinemas ou circuitos, muito em função de ser ruim. O público não percebe que os protagonistas se envolveram até muito tempo depois do acontecido e só ficamos sabendo da política vexatória ao final do filme. Uma pena que a execução tenha deixado a desejar, pois trata-se de um momento importante da história dos direitos LGBT, que chegou ao fim apenas com a eleição de Obama em 2008.

Também relacionado ao mundo militar é Free Fall (2013), filme alemão que mostra a relação de dois policiais e como o mundo entre eles começa a cair em queda livre pela condição em que se encontram. Ambos os filmes tratam da saída "tardia" do armário, com fatores complicadores como filhos, mulheres e instituições conservadoras. Free Fall é infinitamente mais bem feito do que o seu semelhante americano, tanto nas atuações quanto na direção.

Dois representantes brasileiros se encaixam na categoria de "atrasados" e instituições militares. Tatuagem (2013) conta a história de um soldado durante a ditadura militar que se apaixona por um artista de humor escrachado, diretor de uma trupe de artistas que buscam denunciar, por meio das risadas, os absurdos cometidos pelo comando militar no governo. É um filme excepcional, pelas críticas sutis, mas precisas e por mostrar uma época da história onde ser gay era mais um motivo para ser preso. Já Praia do Futuro (2014) mostra um salva-vidas que se muda para a Alemanha em função de seu amor e vemos a difícil adaptação dele no país frio e sem praia, algo que ele não consegue suportar. Para piorar, seu irmão vai em busca de respostas ao desaparecimento repentino e se vê diante de um quase desconhecido. O filme esteve nos jornais não pela sua execução ou aclamação, mas pelo aviso polêmico e cenas de nudez frontal dos atores, o que eclipsou seu sucesso e qualidade confirmadas pelos críticos e público.

Ainda na seara dos filmes com mensagens políticas temos Além da Fronteira (2012), longa israelense que conta o drama de dois amantes, um judeu e outro palestino, que buscam morar juntos, mas se veem impossibilitados pela política segregacionista de Israel. O filme é poderoso ao envolver dois conflitos em um único roteiro: a disputa entre Israel e Palestina e também a falta de aceitação dos palestinos em ter um gay na família. A sensação que se tem ao final da sessão é que aquela é uma ficção com enormes possibilidades de ser uma história verdadeira. Essa talvez seja a maior mensagem que o filme queira passar: enquanto houver disputas territoriais, muitos amores possíveis serão destruídos pela simples existência de um muro.

Filmes um pouco mais maduros também lidam com a vontade em se assumir gay. Plan B(2009) é um filme argentino curioso: mesmo com um ritmo lento e até arrastado em alguns momentos, vemos um projeto de vingança despertar o amor entre dois homens. Certo de que o atual namorado da sua ex é gay, o protagonista planeja seduzi-lo para reatar com a ex namorada. O plano toma um pequeno desvio quando um se apaixona pelo outro, por isso o plano B entra em ação. Do mesmo diretor e com o mesmo ator como protagonista (Manuel Vignau), Hawaii (2013) também é lento, sem uma proposta muito clara desde o início. Vemos dois personagens que convivem desde pequenos reatar a amizade e estão sempre planejando alguma coisa para deixar o outro numa situação sexual. Só entendemos o título no fim, que parece demorar a chegar. É um filme leve, para quem tem tempo e paciência, mas vale a pena ao final.

Alguns outros dramas chamam a atenção pelo roteiro bem construído e pelo contraste entre os personagens. De repente Califórnia (2007) coloca a dificuldade em se aceitar como centro da narrativa entre dois surfistas. É um filme visualmente bonito e tem uma história bem amarrada. Não é o melhor do mundo, mas basta como opção de entretenimento e pode ajudar a compreender as aflições e nervosismos dos primeiros pensamentos gays. Similar, temos Just a Question of Love(2000), filme francês com temática parecida. Por meio do gosto compartilhado pelas plantas e cultivo, vemos dois jovens, um já assumido e outro na crise de identidade, buscando acertar os ponteiros para viver enquanto casal. Esse último é um pouco mais dramático pelo envolvimento da família na trama, sempre uma parte delicada para qualquer um que queira se assumir.

Weekend (2011) é um dos poucos exemplos onde não há nenhuma descoberta de sexualidade. É um filme doce e sofrido, ao mostrar dois homens que compartilham um fim de semana e se colocam vulneráveis um para o outro. Aqui, o inimigo é o bad timming do casal: um deles irá se mudar em definitivo na próxima semana, deixando o drama por conta do andar do relógio. Também encontramos em Keep the Lights On (2012) um roteiro diferente, no qual o despertar da sexualidade não é foco principal do longa. Trata-se de um filme cujo centro da história é a relação entre dois homens, como poderia ser também entre homem e mulher ou duas mulheres. Por focar nos sentimentos universais, o filme traz uma naturalidade difícil de ser encontrada em filmes LGBT, mas igualmente aflitivo com a adição do abuso de drogas como fio condutor dos problemas do casal.

Fora do gênero do drama, destaco dois exemplos: um thriller e um pseudo-documentário. Um Estranho no Lago (2013), francês, gira em torno de um lago onde gays vão para ver e ser vistos. Como se fosse um Grindr na vida real, basta mostrar interesse e procurar um arbusto para se satisfazer. É nesse ambiente que começam a acontecer alguns desaparecimentos. O protagonista, na adrenalina do envolvimento e curiosidade para saber o que aconteceu com seus conhecidos, busca solucionar o mistério. É um filme cuja tensão (e tesão?) vai crescendo à medida que vemos os personagens se envolvendo. O final, por mais que previsível, é satisfatório e mostra que cinema gay não é só sexo e dramas do armário. Getting Go, The Go Doc Project (2013) é um drama travestido de documentário. Vemos o protagonista como um documentarista que, obcecado por um stripper, propõe ao último gravar sua rotina e seus pensamentos sobre diversos temas. Ainda que rodado no formato de documentário e de forma precária (várias cenas são feitas com um iPhone), é um filme interessante e diferente do restante.

No grupo de filmes mais maduros (tanto nos temas quanto atores atuando) destaco dois de excelente qualidade: Direito de Amar (2009) e Toda Forma de Amor (2010), ambos indicados ao Oscar pela performance de seus atores (o segundo ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Christopher Plummer). O primeiro, dirigido por Tom Ford, gênio da moda masculina, tem um apelo visual fortíssimo. É uma história de tocar o coração pela simplicidade e ao mesmo tempo angústia. No filme, é narrada a história de um professor que está a beira do suicídio após a morte de seu amor. É nessa fase que conhece um aluno que tenta apresentar a ele o lado positivo da vida. Belíssima obra de cinema, com atuações fortes e merecedoras de aplausos.

Toda Forma de Amor conta a história do designer interpretado por Ewan McGregor e sua relação com seu pai à beira da morte. Diante da notícia que tem pouco tempo de vida, o pai não desperdiça seu tempo e aproveita para ficar ao lado de quem ama: curiosamente um amante mais jovem. O filme faz pensar na perda e na tristeza, não só entre amantes, mas também amigos e parentes. Interessante notar que o protagonista cria a história da tristeza como uma obra e (ironicamente triste) não consegue vendê-la. Beginners, seu título em inglês, dá a deixa para o final: a tristeza e a perda como motores para recomeçar a partir do zero.

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