OPINIÃO

Os 5 maiores obstáculos para mudar de vida

20/08/2015 21:18 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Blend Images - John Lund via Getty Images

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Não queria passar a impressão de que tudo são flores em nossa mudança de vida. Temos, Melissa e eu, vivido processos intensos de conversas e reflexões que muitas vezes provém de momentos difíceis. A verdade é que, para dar um passo tão grande, largando tudo o que se tem e mudando de país, é preciso enfrentar desafios que muitas vezes nos jogam pra baixo, nos enchem de dúvidas e receios. Como tudo na vida, quanto mais se pratica, mais se aprende. No nosso caso, estamos aprendendo a lidar com esse conjunto de sentimentos, mantendo sempre a clareza de nosso desejo e nossa busca. O aprendizado, sem sombra de dúvidas, acontece.

Preparei uma lista dos maiores obstáculos que estamos enfrentando nesse processo de mudança:

1) Grana

Não há como negar que é preciso ter alguma segurança financeira para realizar uma grande mudança de vida. Para alguns, basta saber o que vai ter para o jantar. Para outros, é preciso um pouco mais...Há quem saia por aí chutando o balde só pra ver no que dá. Tem gente tão desprendida que, para mim, chega a ser meio loucura. Para esses, tiro o chapéu. Para a maioria das pessoas, no entanto, quanto mais dinheiro, mais segurança e mais possibilidades. Para nós, também é um pouco assim. Queremos aventura, queremos saltar e sentir o vento no rosto, mas precisamos sentir a segurança de que o paraquedas está bem dobradinho, e que o reserva estará pronto para ser acionado. Por isso, nosso planejamento é de médio/longo prazo. A gente pesquisou e fez a escolha de ir para um lugar cujo custo de vida fosse igual ou inferior a Brasília, de modo que nosso pé-de-meia dure mais.

2) Pressão social/familiar

O ambiente à sua volta tem pessoas empreendedoras, inovadoras, que desafiam o Status Quo? A resposta, provavelmente, é "NÃO". Simplesmente porque isso não é comum nos dias de hoje.

Cada comunidade, cidade ou país tem seus padrões. O sujeito que nasce em São Francisco, nos Estados Unidos, uma cidade de vanguarda, de gente jovem e empreendedora, provavelmente, saberá como transformar uma boa ideia em dinheiro no banco. O sujeito que nasce Brasília, provavelmente, terá uma habilidade maior para fazer provas de concurso público.

Vejo, ainda, uma diferença entre gerações. A geração dos meus pais cresceu sob regime militar, e experimentou um período longo de hiperinflação (nada comparável ao que temos hoje em dia). É natural que tenham seus próprios pontos de vista sobre a vida. Que tipo de influência vocês imaginam que nossa geração recebeu?

Desejar uma vida diferente à do seu meio é um desafio. Temos a tendência de ajustar nossa zona de conforto ao ambiente que nos rodeia. Sentimo-nos mal apenas por não fazer o mesmo que a maioria das pessoas à nossa volta faz. Superar isso pode ser mais complicado do que parece, porque mal enxergamos essa pressão sobre nós. Ela nos atinge de maneiras sutis e subjetivas.

3) Casa própria, carro e "coisas" em geral (...e o apego a elas)

Não importa que a matemática diga que não vale a pena comprar um imóvel nos dias de hoje. Quem não quer a segurança de uma casa própria? Nada mal saber que o mundo lá fora pode cair mas que, ainda assim, terei um teto para dormir. Compartilho em parte deste sentimento, mas meu lado racional é bem forte. Casa própria também pode ser uma prisão, que te impede de conhecer o mundo e viver em lugares estimulantes e diferentes. Tudo depende do ponto de vista. Se já é difícil abrir mão daquela calça jeans surrada que não usamos há mais de um ano, imagine abrir mão da sua casa própria?

4) Idade

Quando tinha lá meus 20 e poucos anos, ficava "P" da vida quando os mais experientes me diziam: - "você vai entender isso quando for mais velho". Não dá raiva constatar que eles tinham razão?!! Quando se é muito jovem, geralmente, não há nada a perder. É mais fácil arriscar. Por outro lado, a gente mal sabe o que quer da vida, mal nos conhecemos o suficiente para saber quais são nossos talentos e aspirações. Além disso, geralmente, jovens não tem muito dinheiro (vide número 1 acima) o que não facilita.

Quanto mais os anos passam, contudo, mais maturidade e experiência de vida nós temos. As respostas parecem mais fáceis, os caminhos mais curtos, o salário aumenta. Por outro lado (tem sempre um "por outro lado"), mais "responsabilidades" a gente assume. As contas a pagar ficam cada vez maiores, a disposição e saúde já não são as mesmas.

Acho que Deus cria esses dilemas de propósito, para nos testar. O segredo é encontrar o momento certo em que disposição e saúde estão em sintonia com experiência de vida, e as finanças estão em dia. Ninguém falou que era fácil, né?

5) Filhos

Eu considero esse tema o mais delicado e complicado. Ter filhos em idade escolar é, de fato, um limitante. Já existem pessoas pensando em alternativas de escola para os nômades modernos, mas ainda tenho dúvidas de como isso funciona. Acho que a interação social é importante na idade escolar e não estou muito certo de que isso será suprido pelos modelos alternativos que estão surgindo.

Nossa escolha tem muito a ver com a idade do Martin, que ainda permite aventuras mais, digamos, ousadas. Conciliar uma mudança de cidade, uma ausência de uma fonte de renda segura, com a educação dos filhos não é nada fácil.

Mas mudar de vida não significa mudar de cidade ou de país. Tudo começa com uma mudança de sintonia na mente. No final das contas, os obstáculos estão, quase sempre, na nossa cabeça. Melissa e eu encontramos o momento em que todos os obstáculos acima pareciam ser superáveis. Uma sincronia perfeita entre aquilo que buscamos e o que a vida nos ofereceu até aqui. Talvez seja sorte, mas prefiro acreditar que estamos construindo esse momento.

Bruno largou tudo, foi morar no Uruguai como a Melissa e o Martin, e criou o Blog Vida Borbulhante. Quer ter uma vida mais plena e interessante? Passe lá para conhecer. Curta o Blog no Facebook. Tem um monte de coisa bacana por lá.