OPINIÃO

Qual é a receita para tornar o Brasil uma potência olímpica?

21/01/2016 20:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Stuart Franklin - FIFA via Getty Images
ZURICH, SWITZERLAND - JANUARY 13: FIFA Women's World Player of the Year nominee Marta Vieira da Silva of Brazil and Tyreso FF looks on in a press conference prior to the FIFA Ballon d'Or Gala 2013 at the Kongresshaus on January 13, 2014 in Zurich, Switzerland. (Photo by Stuart Franklin - FIFA/FIFA via Getty Images)

Certa vez, conversando com alguns amigos, o assunto Jogos Olímpicos surgiu. Logo, veio a pergunta que vale 1 milhão de dólares. Qual é a receita para tornar o Brasil uma potência olímpica de fato? Cada um elaborou um plano mirabolante, mudamos de assunto, voltei para casa e a pergunta não saiu da minha cabeça.

Na verdade, qualquer candidato a potência olímpica precisa de duas coisas para o início de conversa: paciência e muito dinheiro. Não se torna uma potência em quatro anos de preparação. Fato. Para ter um salto de colocação no quadro de medalhas é preciso, no mínimo, oito anos de trabalho para preparar uma geração de novos atletas lapidados ainda nas categorias juniores.

Outra coisa é definir o que é ser uma potência olímpica. Uns irão considerar os países que conquistam o maior número de ouros e outros as nações que sobem mais vezes ao pódio e em diferentes modalidades.

Para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro o Comitê Olímpico do Brasil (COB) escolheu o caminho de ficar entre os 10 melhores países no quadro de medalhas, levando em conta o total de medalhas: ouro, prata e bronze. Porque o total de medalhas? A opção faz toda a diferença. A escolha faz com que o país desenvolva em diferentes esportes, em detrimento de ficar dependendo somente de uma ou duas modalidades. O que vemos nos últimos anos mostra bem, como subir ao pódio no mundial de luta olímpica, desenvolver o tiro com arco e a evolução no tênis de mesa.

Porém, existe um caminho mais fácil para ficar entre as potências nos Jogos Olímpicos, na minha humilde opinião. Basta focar no número de medalhas de ouro. Critério difundido e criado pela imprensa norte-americana. Vale lembrar que o Comitê Olímpico Internacional (COI) não estimula esse tipo de análise de resultado das olimpíadas.

A estratégia é a seguinte: escolhe os três esportes que mais distribuem medalhas e coloca todo o dinheiro, tempo e conhecimento técnico nos atletas dessas modalidades. No caso, tem que esquecer os outros esportes.

Atletismo é o esporte que mais vai distribuir medalhas de ouros nas olimpíadas do Rio de Janeiro, sendo 47 medalhas. A natação vem em segundo lugar, com 32 pódios, com mais duas medalhas das maratonas aquáticas. Podemos escolher o último esporte entre o ciclismo, ginástica ou luta olímpica, que distribuem 18 medalhas cada.

Assim, teremos condições de disputar em alto nível 97 provas, das quais os atletas têm a missão de conquistar entre sete e dez medalhas de ouros. "Basta" ter sucesso em 10% das provas disputadas. Nos Jogos de Londres, por exemplo, a Austrália ficou em décimo lugar com sete medalhas de ouros e 35 pódios no total. Quatro anos antes, em Pequim, o décimo lugar ficou com a França, que também conquistou sete medalhas de ouros, com 40 pódios no total.

Infelizmente, a minha estratégia não serve para o Brasil. Iríamos continuar com a monocultura esportiva nacional. Quando o assunto é olimpíada a nossa vocação é nos esportes coletivos. Vôlei, vôlei de praia, futebol e, agora, handebol. Quem sabe, poderíamos convencer o COI a contabilizar no lugar de uma medalha no futebol, por exemplo, as 11 -- uma para cada jogador. E a contagem seguiria também nos outros esportes coletivos.

Seria uma boa, não é mesmo?

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