OPINIÃO

O dilema de Everton Lopes: pátria ou dinheiro?

15/01/2015 09:23 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
EVELSON DE FREITAS / ESTADÃO CONTEÚDO

Uns dizem que o dinheiro move o mundo. Outros, que o dinheiro não traz felicidade. Por unanimidade, as pessoas reconhecem que a grana é necessária para sobreviver. Escrevo isso pela polêmica que envolveu o pugilista baiano Everton Lopes, de 26 anos, que decidiu trocar a pátria pelo dinheiro.

No mundo futebolístico, o jogador que troca de clube por um salário mais alto geralmente é taxado pela torcida como mercenário - aquele que trabalha visando ao lucro, sem se importar com as regras, ética ou princípios impostos pela profissão que escolheu.

Ao assinar um contrato com a promotora de boxe Golden Boy, Everton não poderá mais lutar contra atletas "amadores", ficando de fora do time olímpico brasileiro. Atual segundo colocado no ranking mundial, o baiano é campeão pan-americano, campeão mundial em 2011 no Azerbaijão, bronze no mundial do Cazaquistão 2013 e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, e uma das grandes esperanças de medalha em 2016.

A decisão do pugilista meio-médio, de desistir de representar o país nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e seguir os passos dos irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão rumo ao boxe profissional, poderá ter um impacto direto no desempenho da delegação brasileira na competição.

Procurar melhores condições financeiras é legítimo para qualquer um. No esporte, em que a carreira tem a duração média de 15 anos, o atleta busca estabilidade financeira para garantir a aposentadoria.

A polêmica ficou por conta do período em que decidiu trocar de lado. Diferentemente dos irmãos Falcão, que abdicaram do sonho olímpico logo depois de subirem ao pódio nos Jogos de Londres 2012 (prata e bronze), Everton Lopes fez a escolha a menos de dois anos para os Jogos do Rio. O pugilista passou mais da metade do ciclo olímpico com a missão de defender o país nas Olimpíadas. Patrocinadores, governo, confederação e COB investiram pesado no atleta. Ele poderia ter esperado passar, pelo menos, o Rio 2016 para fazer a transição para o profissional.

Entenda

Existem dois tipos de boxe. O amador, que é disputado nos Jogos Olímpicos e que não chama a atenção dos patrocinadores privados, e o boxe profissional, em que as altas bolsas para subir ao ringue fazem brilhar os olhos dos atletas que sonham em chegar ao patamar de fortuna do boxeador Floyd Mayweather Jr, atleta mais bem pago do mundo.

A saída de Everton Lopes na categoria até 64kg abriu caminho para Joedison Teixeira - conhecido como Chocolate. Esta não será a última vez que veremos boxeadores amadores abrindo mão de defender o país nos Jogos Olímpicos na busca de bolsas pomposas. Mas serve para ligar um alerta para os dirigentes que cuidam do boxe brasileiro.

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