OPINIÃO

A gente assistiu a um workshop de élfico e te conta como foi!

06/02/2015 12:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:11 -02

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Por Clara Monteiro

Quem é fã de Senhor dos Anéis e de toda mitologia criada por J.R. Tolkien sabe que um dos maiores legados do autor foram as línguas criadas especificamente para contar as histórias da Terra Média. A Wizard está na Campus Party oferecendo aulas e Workshops de Quenya, uma das várias línguas élficas da série e elas estão sendo ministradas por Pedro Henrique Bernardinelli. Pedro não é um professor, na verdade ele é um estudante de Física que desde 2010 estuda e pesquisa a língua e foi convidado especialmente pela escola de idiomas para ensinar o que sabe.

Quenya, em Senhor dos Anéis, é uma das duas principais línguas élficas, junto com o Sindarin, e são bastante desenvolvidas, com vocabulário extenso e com um sistema de escrita completo e funcional. O workshop contém o básico: alfabeto, pronuncias e os tempos verbais mais comuns, condensados em pouco mais de uma hora de aula. Uma apostila é oferecida a quem se matricula, para apoiar o aprendizado e instigar a curiosidade de quem quer aprender a falar, escrever e ler em Quenya. Há também um certificado personalizado para quem quiser provar que realmente fez um minicurso de uma das línguas élficas.

Por conta do pouco tempo, a aula acaba não sendo muito completa, mas ensina o básico para quem quiser aprender sozinho, como sobre usar as letras, como lê-las e como montar uma frase simples. Na apostila há explicações detalhadas sobre o Tengwar, que é o alfabeto fonético, onde cada letra representa um som, não apenas uma letra como no nosso alfabeto atual. É explicada a origem do idioma segundo a mitologia e quais foram os idiomas reais usados pelo autor como base para suas criações, como o finlandês (para seus sons) e o latim (para sua formação gramatical).

Pra quem é fã de Senhor dos Anéis, esse é um daqueles eventos que a gente não pode deixar passar despercebido, porque não se aprende somente sobre a língua, como também sobre curiosidades relacionadas a série.

Criador e Criaturas

Pedro conta que, por mais que sua área de estudo seja completamente diferente da área, sempre se interessou pelas línguas criadas por Tolkien. "Eu sempre gostei de estudar essa parte de línguas e o Quenya foi uma coisa pela qual eu acabei me apaixonando e é por isso que eu tô fazendo essa brincadeira aqui". Ele conta também que o convite chegou de surpresa e que acredita ter sido uma indicação de amigos "Entraram em contato comigo pelo Facebook, acho que foi indicação de um amigo meu, porque eu tinha dado uma palestra no finalzinho de novembro pra um evento que teve aqui em São Paulo, a Nazgul Com e acho que o pessoal acabou me achando lá".

Ele falou que inclusive é a primeira vez que dá aulas e workshops, mas que chegou a começar um curso no Conselho Branco, um grupo de estudos de Tolkien, mas por falta de tempo por parte dele, as aulas tiveram que ser suspensas. Entretanto, ele pretende recomeçar com o projeto e as aulas seriam de graça. "Quem quiser entrar é só se credenciar no site do Conselho Branco que você vai ser registrado provavelmente pra Toca - São Paulo, que é o pessoal daqui, e a gente tem várias discussões e a gente costuma marcar lá os eventos".

Para Anderson, um linguista que assistiu a palestra conosco, o trabalho de Tolkien é algo fantástico e um caso quase único, pois, além de um trabalho de uma vida inteira, foram línguas completas criadas. "É incrível porquê você não cria línguas, isso é muito raro", comentou "É incrível como ele [Tolkien] estrutura essa língua (...) A questão da língua é: ela surge de uma comunidade linguística, existe uma necessidade que leva a criação da língua e ele não, ele pega, não de uma necessidade, mas ele cria a língua antes e a necessidade depois". Anderson também diz que sempre teve curiosidade em aprender Quenya, pois, segundo ele, é uma língua fantástica que chama a atenção de qualquer pessoa que goste de Senhor dos Anéis por sua complexidade e perfeição.

O Quenya é uma língua criada para a poesia, ela soa de maneira muito musical e bela, sendo perfeita para poesia. A língua tem regras simples, mas essas regras possuem muitas exceções, as quais quem a estuda precisa estar bem atento. Além disso, a comunidade fluente em Quenya é muito pequena, pouquíssimas pessoas no mundo conseguem se comunicar fluentemente no idioma por conta de sua complexidade, mas para quem quiser começar seus estudos, Pedro dá a dica: comece usando o inglês como seu idioma base. Por ter sido criada e idealizada por um falante da língua inglesa, o élfico se torna muito mais simples de entender quando se usa o inglês como base.

Então, se você quer aprender o basicão de Quenya, corre para o estande da Wizard! Tem aula todos os dias, de manhã e a tarde, pra você escolher o horário que melhor se encaixa na sua programação. Ah, mas seja rápido, o curso tem tido uma procura bem grande.

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