OPINIÃO

Croácia, terra do mar azul (FOTOS)

13/02/2014 12:19 -02 | Atualizado 18/03/2017 08:18 -03

zadar

Os nativos de Zadar, cidade com pouco mais de 75 mil habitantes na costa do mar Adriático, na Croácia, contam com orgulho a visita que o mestre do suspense Alfred Hitchcock fez, em maio de 1964, à pequena localidade pesqueira no leste da Europa. Hospedado no quarto 204 do Hotel Zagreb, o cineasta inglês queria filmar o pôr-do-sol que, segundo ele, era "o mais belo do mundo". Os turistas -- na maioria italianos -- que desembarcam no aeroporto do município ou chegam de barco estão em busca das praias de água azul turquesa, do calor que pode facilmente ultrapassar os 30° no verão e dos preços baixos, num Velho Mundo mergulhado em profunda crise econômica.

Importante rota comercial para os povos fenícios e gregos desde o século 7 a.C., Zadar preserva costumes, tradições e vestígios arquitetônicos que remontam às invasões romanas do general Júlio César. Com homens e mulheres acostumados a lidar com o mar e dele retirar o sustento da casa, a cidade sofreu com inúmeros conflitos armados no decorrer das épocas e só conquistou definitivamente a paz com o fim da Guerra Pátria em 1995. Ainda é possível ver as cicatrizes deixadas pela artilharia pesada nos muros e prédios nos anos de batalhas pela independência contra a Iugoslávia.

Os tempos difíceis da recessão econômica do pós-guerra e a modesta vida levada pelos nativos, no entanto, não afetaram a hospitalidade croata. Anualmente os habitantes das ilhas da região se reúnem em Zadar para comemorar o Noć Punog Miseca (Festival da Noite da Lua Cheia) no mês de agosto. Movidos por iguarias típicas e licores tradicionais, anfitriões e turistas dançam ao som de músicas antigas à beira-mar. Uma tradição que passa de geração em geração nas ilhas da Dalmácia, como Radovin, Brac e Korcula.

Em um dia normal de verão, os pontos turísticos mais procurados em Zadar são a igreja de St. Donat, o Fórum Romano, o arco Kopnena Vrata e as movimentadas ruas do centro murado da cidade, onde artistas expõem seus trabalhos e é possível encontrar bons restaurantes de peixes. Curiosamente, o interior da Croácia não sofreu com a invasão desenfreada das redes de fast food. Vendedores de milho assado, ostras, pipoca e doces caseiros ainda não enfrentam a concorrência desleal com as marcas transnacionais.

Os brasileiros que começaram a descobrir as belezas naturais e históricas da Croácia, terra mãe da gravata, não podem reclamar dos altos custos da viagem de férias. A kuna (Kn), moeda em circulação no país, é pouco valorizada frente ao real. Uma kuna pode ser comprada por cerca de 0,43 centavos. Com isto, um copo de 500 ml da cerveja Pan é vendido normalmente por 15Kn (R$ 6). Um prato tradicional de frutos do mar não sai por mais de 80Kn (R$ 35). A pernoite em hotéis de baixo custo podem ficar por até 130kn (R$ 56). Mas mesmo com os preços compatíveis com o bolso dos brasileiros ainda é pequena a presença verde e amarela nas praias croatas.

Split, cidade cortiço

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Se o escritor maranhense Aluísio Azevedo tivesse visitado a parte antiga de Split antes de escrever seu livro mais representativo, "O cortiço", ambientado no Rio de Janeiro de 1889, os casarões que compõem a obra e a atmosfera das ruelas poderiam ser outros. O cheiro de lavanda entre as casas geminadas e becos iluminados por uma luz amarela, as roupas estendidas em varais improvisados nas janelas dos edifícios e os inúmeros gatos que perambulam entre as construções maltratadas pelo tempo criam o cenário perfeito para o romance do naturalista brasileiro.

Localizada na costa do mar Adriático, a cidade de Split tem cerca de 200 mil habitantes e está a pouco mais de 400 quilômetros de Zagreb, capital da Croácia. Protegida desde o ano 305 pelo Palácio de Diocleciano, a cidade é a segunda maior do país. Hoje, nas dependências do palácio funcionam uma feira de artesanato e um museu que conta a história do lugar e os anos como fortaleza murada do imperador romano César Aurélio Valério Diocleciano.

Split foi até décadas passadas um importante centro industrial na fabricação de embarcações e gêneros alimentícios. Após a independência croata da Iugoslávia em 1995, a cidade sofreu com a crise econômica do pós-guerra e a destruição deixada pelo confronto armado. A aposta dos nativos para superar os estragos deixados pelos anos de batalha e o declínio comercial foi atrair turistas para as praias com águas cristalinas.

Os milhares de visitantes que anualmente desembarcam na cidade também estão em busca de acesso fácil para a ilha de Hvar, conhecida nos últimos anos como a Ibiza do Leste Europeu, referência às belezas naturais da badalada ilha espanhola frequentada por atores de Hollywood, milionários sauditas e estrelas da música pop. A grande diferença por aqui fica mesmo por conta do custo de vida. É possível chegar à ilha a partir de Split com 2h30 de barco e mais 20 minutos de ônibus. Toda a viagem não sai por mais de 72Kn (R$ 30).

Os cerca de 4 mil habitantes de Hvar dividem o tempo entre a recepção aos turistas em restaurantes e lojinhas espalhados pelos becos da cidade e o cultivo de campos de lavanda e uvas. Os vinhos produzidos na região são muito apreciados na Croácia. As praias de água azul turquesa vêm se transformando em um dos destinos mais procurados por jovens e famílias da Europa que buscam uma alternativa de lazer no verão. Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, a ilha preserva o mesmo estilo barroco e renascentista de outras cidades da Dalmácia. Hvar proporciona uma mistura de cores, sons, tons e temperos capazes de transformar os visitantes em verdadeiros marujos da cultura croata.