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Verônica Daminelli

Jornalista, estuda a relação entre erotismo, literaturas e gêneros

Jornalista pela PUC-Rio e Doutoranda pelas Universidade Nova de Lisboa e University of Minnesota, Verônica Daminelli tem como interesse o estudo da relação entre erotismo, literaturas e gêneros dentro da Academia. Acredita que a experiência de vida é inseparável da expressão e descrição literárias. Daí, cultura e vivência serem ligadas incondicionalmente à ficção. Após viver 10 anos entre Lisboa, Rio, Roma e Minneapolis, sabe que é uma apaixonada pela língua portuguesa e se tornou a carioca mais lisboeta do mundo. É feminista, mas ama Freud e Foucault com a mesma intensidade com que adora Madonna. Vive atualmente em Amsterdam e tem 33 anos.
South_agency via Getty Images

A violência que só acontecia na casa dos outros

O machismo existe, a violência de gênero existe, o suicídio existe, o sofrimento psíquico existe. A mulher, bem, a mulher normal também deveria existir, disse o psiquiatra ao me perguntar se eu me considerava normal por tentar me matar. Psiquiatras que nunca leram Foucault na vida, mas sabem o que é ser normal. Psiquiatras que não te deixam sair da sua solitária enquanto o seu namorado, teoricamente dono do seu corpo, não autorizar.
24/10/2016 11:17 -02
Richard Ross via Getty Images

A geografia erotizada do corpo e das sensações

A primeira vez dele ou a nossa primeira vez?, ela ia perguntar. Para logo depois responder: a nossa primeira vez primeiro. Começaria do começo, era melhor, como se a cronologia explicasse qualquer coisa. Mas e se, talvez, a primeira-realmenteprimeira tenha sido muito tempo depois, quase seis meses depois, quando ela se permitiu dormir? Com a intimidade já superficialmente conhecida que só o sexo e a cama podem logo proporcionar. Ou ao menos deveriam. No caso deles, foi preciso um segundo encontro que por um mero acaso ocorreu, mas que podia não ter ocorrido. Se ela acreditasse em energias e misticismos como ele... Mas ela era devota da razão.
22/07/2016 11:49 -03
PATRICIA DE MELO MOREIRA via Getty Images

O quarto do Tobi

O Tobi que agora conheço é aquele que está preso no quarto do hotel, ou nas prisões mais profundas da vida cotidiana, e que vai descobrir ainda que a pior solidão é a solidão acompanhada, a solidão de quem parece estar na praia, mas não consegue sair do seu corpo-hotel-parque-de-diversões. Eu não fui capaz de perceber, mas eu estava acompanhada do menino que ele nunca pôde ser.
23/03/2016 19:16 -03
Andreas Kuehn via Getty Images

A alma do corpo

Podemos reclamar que o mundo é cruel. Mas, para se ter afeto, para se tocar a alma com o corpo, para se ter o contato físico do qual o amor também depende, a pele é a fronteira.
24/05/2015 23:44 -03
Marcus Bichel Lindegaard/Flickr

As mortes (e as vidas) que importam

Naquela quinta-feira, a minha irmã me ligou dizendo que havia um tiroteio na Tijuca. Naquela quinta-feira, ela havia ido com a minha mãe ao salão de beleza fazer as unhas. Naquela quinta-feira, o meu pai que tem Alzheimer esperava por elas no Tijuca Off Shopping e, quando ouviu o tiroteio, telefonou para a minha irmã. Naquela quinta-feira, ela saiu do salão e, em vez de conseguir alcançar o meu pai, ela se deparou com a Silvia Maria Arnaut Costa no chão.
04/04/2015 11:20 -03
Reprodução

O hiato de Harper Lee

'O Sol É para Todos' conta a história do advogado Atticus Finch pela voz dos seus dois filhos. Branco e de família tradicional, ele encara o julgamento local ao decidir defender um habitante negro acusado de estuprar uma jovem branca. O romance vai apresenta negros e mulheres numa batalha diária contra aquilo que chamamos de "verdade" quando ainda falamos sobre raça, gênero e sexualidade
26/03/2015 17:35 -03
Deise R./Flickr

Fernweh

No dia em que o Rio comemorou 450 anos, lembrei-me da única história que sei sobre Jorge Amado. Ao ser perguntado porque havia deixado a Bahia e ido viver na Europa, se ser baiano era tão bom, ele respondeu: "É bom, mas há muita concorrência."
17/03/2015 18:44 -03
Dino Henderson/Creative Commons

'Quando é com os outros, toda forma de humor vale a pena'

Sim, por que, afinal, o que há de errado no humor "cáustico que precisa ser explicado" da "jornalista" Silvia Pilz? Achando que é o Caco Antibes dos anos 2010, Platz criou o seu "Je suis Thayanne" e fez o mesmo Brasil que sempre riu com Falabella odiá-la por mostrar como é "digno de inveja" ser pobre e estar doente. Afinal, que país é esse que queria ser Charlie, mas não é, e que aceita a piada com o povo-outro, mas não tem senso de humor para rir da sua própria desgraça?
16/01/2015 10:43 -02
Getty Images

O mundo não parece melhor para as mulheres

Destruindo a superfície das relações sem meias palavras, as mulheres de Elena vão ao limite da desconstrução ao tentarem romper com aquilo que a feminista americana Judith Butler chamou de "atos performativos".
26/09/2014 13:50 -03