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Roberto Moll

Historiador e analista de Relações Internacionais. Interessado em tudo que acontece entre os Estados Unidos e a América Latina.

No segundo semestre de 2002, ingressei na graduação em Relações Internacionais na Universidade Estácio de Sá (UNESA), única instituição do estado do Rio de Janeiro a oferecer o curso naquela ocasião. No primeiro semestre do ano seguinte, ingressei na graduação de História na Universidade Federal Fluminense (UFF). Entre 2005 e 2007, desenvolvi a pesquisa intitulada “Comparando formas de se imaginar e narrar a nação nas Américas: as experiências argentina, brasileira e norte americana”, sob a orientação do Prof. Dr. Marco Antônio Vilela Pamplona, como bolsista de Iniciação Científica (IC) do CNPq. Ainda no ano de 2007, concluí as duas graduações, com duas monografias distintas, sob a orientação do Prof. Dr. Marco Antônio Vilela Pamplona na UFF e do Prof. Ms. Lauro Parente na UNESA. A monografia de história buscou abordar como as narrativas jornalísticas estadunidenses sobre a Guerra do Iraque e a Guerra do Vietnã reconstruíram o imaginário nacional a fim de legitimar tais intervenções. A monografia de Relações Internacionais buscou abordar como as narrativas dos jornais angolanos e os discursos de Agostinho Neto sobre as relações internacionais nos primeiros anos da Guerra Civil angolana (1975-2002) construíram a imagem da nação para o pós independência. Em 2008, ingressei no mestrado no Programa de Pós Graduação em História da UFF (PPGH – UFF) com a pesquisa “Reaganation: a nação e o nacionalismo (neo)conservador nos Estados Unidos (1981-1988)” sob orientação da Prof. Dr. Cecília Azevedo. A dissertação buscou responder como o projeto econômico e social do Governo Ronald Reagan (1981-1988), apelidado de Reganomics e com forte viés (neo)conservador, reconfigurou o imaginário nacional excluindo negros e imigrantes. Em 2010, concluí o mestrado ao defender a dissertação resultante da pesquisa supracitada, que ganhou o prêmio Franklin Delano Roosevelt de Estudos sobre os Estados Unidos da América (2011), concedido pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Em 2011, ingressei no doutorado no Programa de Pós Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, iniciativa conjunta da Universidade Paulista Júlio de Mesquita (UNESP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), sob orientação do Prof. Dr. Luis Fernando Ayerbe, com o projeto de pesquisa Imaginando o “outro” e a nação nas relações internacionais: Commentary Magazine, The New Republic e o intervencionismo dos Estados Unidos na Nicarágua e em El Salvador (1979-1992). Este projeto buscou compreender como as narrativas das revistas Commentary Magazine, de viés neoconservador, e a The New Republic, como viés neoliberal naquele momento, construíram imagens do “outro” nicaraguense e salvadorenho e, consequentemente, imagens da nação que justificavam diferentes formas de intervenção na Nicarágua, em meio a um processo revolucionário, e em El Salvador, que passava por uma guerra civil que opôs projetos socialistas e ultra-conservadores. Em 2015, concluí o doutorado ao defender a tese supracitada. Em 2016, fui selecionado pelo consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro para participar do Studies of United States Institutions on United States Foreign Policy (SUSI-USFP). Este programa ocorreu entre junho e agosto, majoritariamente no Bard College no Estado de Nova Iorque, sob a direção dos professores James Katterer e David Woolner. Contou com a participação de dezoito professores pesquisadores, doutores e doutorandos, de dezessete países diferentes a fim de: trocar experiências de pesquisa e docência; visitar Think Thanks, órgão do governo estadunidense e organizações internacionais; participar de palestras e atividades culturais sobre a política externa dos Estados Unidos e sobre o ensino de política externa dos Estados Unidos. O programa mostrou-se bastante plural e autônomo, ainda que patrocinado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Iniciei a carreira docente em 2010, na área de história, no Ensino Fundamental da Prefeitura Municipal de Quissamã, como resultado da aprovação em concurso público. Permaneci na instituição apenas até o início do ano seguinte. De forma concomitante, integrei o corpo docente da Universidade Cândido Mendes em Campos dos Goytacazes, onde ministrei aulas de sociologia, metodologia, temas do mundo contemporâneo, organizações internacionais, teoria das relações internacionais e história do Brasil contemporâneo para os cursos de Direito, Engenharia de Produção, Relações Internacionais e Pós-Graduação em Gestão Pública. Também de forma concomitante, lecionei no programa Pró Jovem, uma iniciativa do governo federal, que visava formar jovens e adultos com mais de dezoito anos que não tiveram oportunidade de estudar. Em 2009, fui aprovado em concurso público para lecionar no Instituto Federal Fluminense (IFF), obtendo a nota máxima na prova de aula. Comecei a lecionar no IFF em 2011, após convocação, e sob o regime de dedicação exclusiva terminei os vínculos anteriores. Além disso, 2013, fui aprovado em quarto lugar no concurso docente para lecionar Organizações Internacionais no curso de relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Durante esta trajetória acadêmica, desenvolvi projetos de pesquisa e extensão em grupos e núcleos de pesquisa. Na Universidade Cândido Mêndes, desenvolvi junto aos alunos o projeto Observatório de Política Externa e Organizações Internacionais, com objetivo de investigar, debater e produzir relatórios contínuos acerca das relações internacionais contemporâneas. Junto ao professor Ayerbe, integro o Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), onde participo de dois projetos de pesquisa: “Extraterritorialidades, entrecruzamento de soberanias e conflitos na América Latina” e “Sem Diplomacia”. Junto com docentes de outras universidades do Brasil, sou membro fundado da Rede de Estudos dos Estados Unidos (REEU). Como resultado das pesquisas nesses grupos produzi três capítulos para três diferentes livros, são eles: “Construção de Hegemonia: Metodologia para análise de conjuntura internacional por meio das narrativas de filmes e séries de ficção” no livro “Análise de Conjuntura em Relações Internacionais: Abordagens e Processos (2016)”; “Da primavera ao outono: as narrativas discursivas da The National Interest sobre as crises na Ucrânia e na região entre Síria e Iraque (2013-2014)” no livro “Sem Diplomacia: Um mundo de equilíbrios precários” (2015); e “México: Estado Falido? Percepções por Parte da Imprensa dos Estados Unidos” no livro “Territorialidades e Entrecruzamentos Geopolíticos na América Latina” (2014). Participo da Rede de Estudos dos Estados Unidos, em companhia de professores e estudantes de diversas universidade do país. Neste grupo, atuei na organização de eventos e na organização do livro Visões da América: A História dos EUA discutida por pesquisadores brasileiros (2014), no qual publiquei o capítulo entitulado Neoconservadores e a Construção da Nação na Commentary Magazine. Como resultado da monografia em relações Internacionais fui convidado para escrever o capítulo “Entre o amor e o ódio: relações internacionais e a construção nacional angolana após a independência” no livro “Relações Internacionais Contemporâneas: Visões Brasileiras” (2013). Ademais, publiquei os artigos: “Revolução na Nicarágua e contrarrevolução nos Estados Unidos: os sandinistas, os projetos de intervenção do Governo Reagan-Bush e as narrativas contrarrevolucionárias na revista Commentary Magazine” na “Revista Contemporânea” do Núcleo de Estudos Contemporâneos (NEC) da UFF; e “Gramsci e as Relações Internacionais: para superar a reificação do Estado e a anarcofilia” no periódico “Monções: Revista de Relações Internacionais” da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Dois outros artigos estão no prelo, aprovados para publicação: “Armas e letras: a nova burguesia nicaraguense e suas relações com governo estadunidense na contrarrevolução na Nicarágua Sandinista (1979 – 1992)” na “Revista Interdisciplinaria de Estudios Sociales” do Colectivo de Estudios e Investigaciones Sociales (CEISO); e “A nação como “comunidade imaginada” nas relações internacionais: o caso das narrativas sobre o papel dos Estados Unidos diante da revolução na Nicarágua e da guerra civil em El Salvador nos anos 1980” na revista “Tempo do Mundo” do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Atualmente, no IFF, desenvolvo a pesquisa Distanciamentos e reaproximações nas relações entre Estados Unidos e Cuba no pós Guerra Fria (1989 – 2016), que tem por objetivo compreender os distanciamentos e reaproximações entre Estados Unidos e Cuba, especialmente o processo de reaproximação iniciado em 2014 pelo Governo de Barack Obama. Para isso, pretende analisar as recentes transformações nas relações entre Estados Unidos e Cuba e como a sociedade civil estadunidense compreende as mesmas. No IEEI, em conjunto com outros pesquisadores, desenvolvo uma pesquisa sobre as polarizações políticas na América. Especificamente, sobre o fenômeno Bernie Sanders nos Estados Unidos. Há a previsão para lançamento de um livro sobre está pesquisa em meados de 2017. Como resultado da participação no SUSI-USFP, há previsão para publicação de um artigo sobre a concepção de terrorismo e contraterrorismo na intervenção estadunidense na América Central nos anos 1980 em um livro que congrega os pesquisadores que fizeram parte do programa. Por fim, apresentei diversos artigos em congresso nacionais e internacionais com publicação em anais, sobretudo em organizações importantes, como a Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), a Associação Nacional de História (ANPUH), a Associação Nacional de Pesquisadores e Professores de História das Américas (ANPHLAC) e a International Studies Association (ISA).
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Além do mito: Um breve balanço político de Obama na Casa Branca

Obama termina o mandato com 57% de aprovação dos estadunidenses. Mesmo assim, não conseguiu resgatar a confiança na política, nos políticos e na democracia. Oito anos depois da vitória de Obama, Trump construiu propositalmente sua imagem como o político anti-político. Assim, venceu políticos tradicionais do Partido Republicano nas primárias e Clinton na corrida presidencial.
20/01/2017 14:54 -02
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Nem herói, nem vilão: Um revolucionário

A morte de Fidel pode ser uma barreira a menos para o fim do embargo econômico e das operações de desestabilização, que resistem ao fim da Guerra Fria. Que aqueles que veem Cuba como um farol compreendam que o maior legado de Fidel Castro e da Revolução Cubana, mesmo com todas as contradições, é a concepção de que a luta emancipatória é necessária e possível. Que Cuba siga os rumos que seu povo escolher. Que conserve as conquistas da revolução. Que seja a América que deu certo.
28/11/2016 18:09 -02
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A eleição quase esquecida entre os interesses dos Estados Unidos e da China

Entretanto, o resultado da eleição de 2011, que conto com observadores internacionais, não é tão diferente do resultado do pleito deste ano. Em 2011, Ortega e a FSLN obtiveram 62,4% dos votos. Mais do que qualquer fraude eleitoral ou projeto de poder, em 2011 e 2016, Ortega e a FSLN se apoiaram no crescimento econômico, quase sempre acima de 3% ao ano desde 2006, exceto no entre 2008 e 2009; na redução da miséria em 13%; e na segurança pública, que evitou o crescimento da criminalidade, sobretudo associada as Maras, gangues envolvidas com o tráfico internacional de drogas, que atuam em Honduras, Guatemala e Estados Unidos. Ortega ainda tem prestígio e popularidade.
22/11/2016 18:51 -02
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Donald Trump: De onde ele veio e para onde pode ir?

No cenário internacional, Trump não vai inventar um novo isolacionismo puro. Possivelmente, adotará medidas protecionistas, mas não colocará em risco os interesses do capital internacional. Provavelmente, não terá dificuldades em mobilizar alianças para garantir interesses indiretos do capital estadunidense. Por isso, dificilmente abandonará a ONU e a OTAN, mas poderá buscar uma relação menos custosa para os Estados Unidos. E, não vai deixar de usar tropas para assegurar a posição dos Estados Unidos como garantidor do capital internacional. Especialmente para América Latina, Trump não será necessariamente mais benevolente. Ao contrário, poderá reagir ao crescente investimento chinês no sub-continente. No Brasil, Trump já inspira seguidores e alimenta opositores. Resta saber o que nascerá do medo.
14/11/2016 13:56 -02