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Renato de Almeida Freitas Jr.

Advogado criminalista, mestrando em Direito pela UFPR

Sou filho de mãe nordestina que migrou da Paraíba para São Paulo tentar a vida. Meu pai, não conheci direito, exceto por algumas visitas, já que ele ficou presto por uns 15 anos. Saiu. Morreu. Mudei-me para a região metropolitana de Curitiba ainda criança, morei boa parte da infância na Vila Macedo, ao lado do Complexo Penitenciário de Piraquara, o que facilitava as visitas. Morei em terreno invadido, em casa ocupada, minha mãe, eu e meus dois irmãos. Trabalhei em quase todos os subempregos da vida (empacotador de mercado, balconista, repositor e etc). Tive uma infância vivida nas ruas, já que minha mãe trabalhava em casa de família e aparecia só quando o sol se escondia. Cometi pequenos delitos na infância e na adolescência. Perdi meu irmão, vitimado pela violência, ele tinha 24, eu, 23. Perdi meu pai aos 15 anos, também vitimado pela violência após fugir da prisão. Perdi amigos, muitos, nos becos invisíveis do subterrâneo periférico. Em algum momento me cansei de ser repositor de mercado e inventei de estudar. Alguns perrengues, sem dinheiro para ir ou voltar, muito menos para almoçar. Passei no vestibular, decifrei os códigos de linguagem dos “universitários esclarecidos”, vi que a dificuldade do Olimpo Acadêmico nem se comparava com a dificuldade da sobrevivência. Me tornei bilíngue, comunico-me pelo meu código, das ruas de terra, mas sou fluente, também, na linguagem e conhecimento universitário. Hoje sou formado em Direito pela UFPR, mestrando pela mesma Instituição, e Advogado Criminalista.
arquivo pessoal

Eu fui uma criança criminosa

Se em algum momento da minha infância e adolescência eu tivesse sido preso, meu destino seria outro. Teria, com certeza, minha vida abreviada pela pesada arte da sobrevivência. Por isso sou contra a redução da maioridade penal, pois do contrário eu não estaria aqui.
02/07/2015 14:59 -03