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Luciana Brito

Doutora em saúde pública pela UnB e pesquisadora da Anis Instituto de Bioética

Luciana Brito é psicóloga e doutora em saúde pública pela Universidade de Brasília. É pesquisadora da Anis - Instituto de Bioética. Faz pesquisa em temas como saúde mental, direitos sexuais e reprodutivos, mulheres e privação de liberdade.
Detroit Free Press via Getty Images

Falar de aborto é falar da vida de mulheres

Figueiredo Pimentel é autor brasileiro pouco conhecido. O Aborto foi um romance escrito em 1889 em formato de folhetins para um jornal de Niterói intitulado Província do Rio. O título original era O artigo 200 - assim mesmo com, o "o" definido - e remetia ao Código Criminal do Império do Brasil de 1830. O artigo 200 da Lei advertia que "fornecer com conhecimento de causa drogas ou quaisquer meios para produzir o aborto, ainda que não se verifique" teria pena de prisão de dois a seis anos. O código criminal datado há quase duzentos anos não se distancia muito do que está em vigor em nosso atual século 21 - que prevê cadeia para mulheres e profissionais de saúde pela prática do aborto no Brasil.
12/12/2016 17:57 -02
Lyle Leduc via Getty Images

A máquina de abandono habitada por mulheres

Cadeia: relatos sobre mulheres, livro de Debora Diniz é um convite às leitoras para se aproximarem das histórias e vida na cadeia. Os relatos são sobre o vivido e ouvido dos instantâneos da vida de mulheres presas no momento em que visitavam o Núcleo de Saúde do presídio. Debora Diniz permaneceu durante seis meses no Núcleo de Saúde da penitenciária feminina do Distrito Federal. Com um caderno de notas e vestida de preto para ser ignorada, ouviu histórias de sobrevivência e resistência de mulheres anônimas vivendo em regime de precarização da vida e abandono.
11/11/2016 16:30 -02
Divulgação

Djaimila Pereira e a história do cabelo que é muito mais do que aparência

Mas a tentativa de ser indiferente ao cabelo fracassa quando Mila se dá conta de que seu cabelo é mais que aparência, é também um modo de se apresentar no mundo. É assim que a biografia de um cabelo provoca a leitora - a discriminação cordial vivida por Mila nos subúrbios de Lisboa não nos deixa esquecer que ainda estamos distantes da vida em uma democracia racial. Nem em Lisboa, tampouco no Brasil.
29/10/2016 15:40 -02
Divulgação

Daniele Toledo: A mulher que se tornou infanticida pela opinião pública

Os exames laboratoriais não encontraram nenhuma cocaína na mamadeira da bebê, apenas medicamentos receitados pelo médico. Nunca nenhum médico, autoridade policial ou o hospital foram responsabilizados. Daniele foi inocentada apenas em 2008 e recebeu 15 mil reais de indenização do Estado brasileiro. Não custa lembrar que o montante - que não representa nem um mês de trabalho de um juiz ou delegado - não lhe devolverá a vida que foi interrompida no dia da morte de sua filha.
23/09/2016 11:17 -03
Ricardo Moraes / Reuters

O tempo da ciência não poderá ser o tempo da garantia de direitos

Pouco se fala, mas é sempre bom lembrar: há uma epidemia de zika em curso no Brasil. E o protagonista não é o mosquito, mas mulheres e crianças. O procurador-geral da República Rodrigo Janot emitiu parecer na última sexta-feira dia 06 de setembro e defendeu a proteção de direitos constitucionais de mulheres e crianças afetadas pela epidemia, e reconheceu que a maioria são "mulheres pobres e nordestinas, vítimas da negligência estatal".
09/09/2016 11:23 -03