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Deborah Goldemberg

Escritora

Adora escrever crônicas que façam o leitor refletir sobre si e a sociedade em que vivem através do humor.
Shutterstock / OLJ Studio

Eu tenho pouco leite...?

Recordo-me da mãe de seios fartos, voluptuosa, sentada na cadeira ao meu lado com uma neném recém-nascida chupetando no colo. Eu olhei para elas e disse, "Que gostoso, né?" A menininha arregalou os olhos e eu brinquei com ela, "Já mamou na mamãe? Agora vai nanar?" Foi a vez da mãe me olhar desanimada e confessar, "Eu tenho pouco leite. Estou tendo que introduzir a mamadeira." "Pouco leite???"
07/08/2015 16:09 -03
Shutterstock / Fabiana Ponzi

Smartpeople vs. smartphones

O corpo da pessoa está ali, mas ela não quer estar ali. Há dentro dela um ímpeto, claramente incontrolável, de olhar regularmente para aquele caixote de plástico repleto de neurotransmissores que pode transportá-la a qualquer instante para o mundo de uma notícia internacional ou de um novo trabalho ou, ainda, para o de uma paquera mais interessante do que a que está no seu entorno.
06/07/2015 17:26 -03
divulgação

Os Minions e o porquê dos pais trabalharem fora

No primeiro dia das férias, cabulei o trabalho e levei minha filha para assistir aos Minions. Adoramos! Além do passeio perfeito, as pipocas e os serezinhos amarelos serem as coisas mais fofas do mundo, pudemos ambas gargalhar das travessuras Minions e suas crises existenciais. Esse é o gênio dos bons filmes infantis - divertir crianças e pais. De quebra, eles me ajudaram a comunicar a importância da mamãe voltar ao trabalho.
01/07/2015 14:44 -03
Reprodução

Lado a lado

Quem tem filhos pequenos está sempre correndo atrás deles. Outro dia, passeando no parque com minha filha de quatro anos, me dei conta de que caminhávamos em plena harmonia. Talvez porque já tínhamos comido pipoca e tomado café e não estávamos com fome? Talvez porque ambas queriam ir ao aquário? Talvez porque não estivéssemos com pressa para nada? Talvez porque o sol estava brilhando, as árvores reluzindo e importava mais o caminho do que o destino? Me veio a sensação de que a preciosidade desse caminhar lado a lado é rara em geral - e não apenas na convivência com os filhos.
07/05/2015 17:34 -03
Getty Images

Pessach não é a Páscoa dos judeus

O que a popularização do termo "Páscoa dos judeus" no Brasil (ao que parece isso não ocorre em outros países) faz pensar é no como nos satisfazemos facilmente com verdades simplórias ou, seria dizer, falsas verdades. Alguém algum dia disse algo sobre Pessach e explicou que era a Páscoa dos judeus, então, deve ser isso mesmo. Assim como alguém algum dia falou que o candomblé tem a ver com macumba, então, deve ser isso mesmo. E, claro, todo mundo anda dizendo que os muçulmanos são contra o ocidente, então, deve ser isso mesmo.
06/04/2015 17:31 -03
Shutterstock / arindambanerjee

Aldo, o menino negro da escola

Nós, seus colegas de classe, sabíamos que ele era negro, diferente de nós por isso, mas não sabíamos exatamente o que significava de ser isso no Brasil. Essa consciência política só me veio na época da faculdade. Depois disso, a felicidade de conhecer e conviver com pessoas negras que ampliaram a minha vida.
02/04/2015 10:42 -03
Markus Reugels/500px

Homenagem à você que é, também, mulher!

Pois é, o dia 8 de Março passou e não é mais dia das mulheres. As flores que as secretárias ganharam dos seus chefes estão murchas nos vasinhos. Os chocolates foram devorados e elas retomaram suas dietas. As mensagens de "Feliz Dia da Mulher" recebidas pelo Whatsup e Facebook ficaram para trás nos timelines e, afinal, o que elas significaram mesmo para as receptoras delas: "Hoje é meu dia! Que dia mais feliz!"? Acho que não.
20/03/2015 16:35 -03
Tinker Tailor loves Lalka/Flickr

Os aristocratas estavam certos sobre o casamento

Tenho me dado conta que, apesar do imaginário do casamento perfeito continuar dominante na mídia e as pesquisas indicarem que muitas mulheres ainda sonham em casar e ser feliz para sempre, vêm surgindo silenciosamente uma gama de arranjos afetivos alternativos. Não falo de esqueminhas de traição burguesa. Falo de arranjos criativos e sofisticados que exigem coragem para serem implantados, dignos da nobreza dos tempos passados.
09/03/2015 17:10 -03
Reprodução Internet

Crônica sobre Crônicas

Uma das coisas engraçadas sobre publicar crônicas no Brasil Post é que alguns leitores as levam à sério! Juro! Os comentários vêm repletos de opiniões e julgamentos sobre as situações contidas nas crônicas, sendo que na maior parte elas nunca aconteceram. Eu não tenho um vizinho que foi linchado por lavar a calçada e, apesar de ter tido uns amigos meio porquinhos na faculdade, nem todos os ingleses compartilham a água da banheira com quatro pessoas.
14/02/2015 17:11 -02
LivyAnn/Flickr

10 estratégias europeias para economizar água

Resolvi trocar as lágrimas pelo riso, me inspirando nos meus amigos europeus da época da faculdade em Londres. Me dei conta que eles sempre viveram como nós estamos tendo que viver agora - coisa de países que passaram por guerras. Não é que deu certo? Para rir ou chorar, se você quiser economizar, não deixe de ler essas dicas imperdíveis para uma a vida sem água.
10/02/2015 17:33 -02
Mike Licht, NotionsCapital.com/Flickr

Blogueiros: os novos-ricos literários

Ser escritor de literatura no Brasil não é tarefa fácil. Quero dizer que não é uma profissão que dá dinheiro. Mais precisamente, que todo mundo ganha mais dinheiro do que um escritor. Não apenas o editor, o cara da gráfica e o dono da Kombi, mas os servidores públicos de todas as esferas (mesmo os que vivem em greve e por justa causa), os flanelinhas e os malabaristas de sinal de trânsito. Pode parecer piada, mas não é. Basta calcular que o autor ganha 8% do valor de capa do livro (que custa em média uns R$30), que quando faz sucesso vende alguns poucos milhares após anos de trabalho.
02/02/2015 19:15 -02
divulgação

Baby Alive e fraldinhas recicláveis: 'a revolução da infância eclética'

Passeamos com nossa Baby Alive vestida com as fraldinhas recicláveis pela praça. Ela come a papinha antroposófica de espinafre e batata-doce feita em casa e estamos todos felizes. Sinto-me vitoriosa ao ponto de conceder uns beijinhos e abraços na Baby Alive quando que ela pede, pede, pede. Não fico nem tão irritada com o risinho ridículo que se segue quando ela consegue. Afinal, a experiência com ela me fez constatar que não preciso ceder em tudo para deixar de ser a xiita dos brinquedos de madeira.
23/01/2015 14:54 -02
Landahlauts/creative commons

O calor insuportável e a nossa ignorância

Não precisamos ir longe para entender que é possível conviver muito bem com qualquer condição climática. Os índios brasileiros dominam essas técnicas há milhares de anos. Mas claro que nós brasileiros das capitais não perdemos tempo com esses "primitivos" que não trabalham tanto quanto nós. Para nos provarmos superiores, seguimos na vida absurda de irmos para os escritórios entre 8-17hs, ficar no trânsito uma hora antes e outra depois fritando no trânsito, para chegarmos exaustos em casa e dormirmos (ao menos tentarmos) num colchão quente na mira de ventiladores supersônicos ou ar condicionados congelantes.
20/01/2015 11:46 -02