OPINIÃO

O mais importante acordo climático: o que é e o que não é

14/11/2014 18:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02
Bloomberg via Getty Images
A demonstrator holds up a sign during the People's Climate March in New York, U.S., on Sunday, Sept. 21, 2014. The United Nations 2014 Climate Summit is scheduled for Sept. 23. Photographer: Timothy Fadek/Bloomberg via Getty Images

1) É histórico. John Kerry tinha razão ao usar a frase, em seu Editorial no New York Times, quando anunciou o acordo: pela primeira vez uma nação em desenvolvimento concordou em limitar eventualmente as suas emissões, o que se tornou uma necessidade para avançar nas negociações internacionais sobre o clima.

2) Não é, de forma alguma, obrigatório - De fato, o Presidente Obama está escrevendo um IOU (assinatura de documento reconhecendo a dívida) para ser descontado por futuros presidentes e Congressos (e o Presidente chinês Xi Jinping está fazendo o mesmo com os futuros Politburos). Se eles agirem com a intenção de atingirem as metas propostas, então é significativo, mas, por enquanto, é só uma promessa no papel. Já que a física não está interessada nas rotações, todo o trabalho duro ainda está por vir.

3) É prova, se necessária, que a energia renovável está pronta para ser usada. Os chineses dizem que vão usar 20 por cento de fontes de energia limpa até 2030 - o que não é apenas possível, mas deve ser fácil de realizar. Eles sabem disso porque revolucionaram a produção de energia solar, reduzindo o custo dos painéis em 90 por cento, ou mais, na última década.

4) Não é nem remotamente suficiente para nos afastar dos problemas climáticos. Somos responsáveis pelo aumento da temperatura, em ao menos um grau, e isso foi suficiente para derreter enormes quantidades de gelo, sem mencionar o fato de desencadearmos um clima frenético. Portanto, o plano que pretende deixar um aumento de mais do que o dobro, é loucura - embora, seja bom ver que os dois lados têm, pelo menos, concordado em não menosprezar a meta de dois graus, uma pequena conquista do fiasco da conferência de Copenhague.

5) É uma boa maneira de pressionar outras nações. Acabei de voltar da Índia, que tem se esforçado arduamente em evitar metas de qualquer tipo. Mas a lição que temos deste pacto é: os líderes mundiais atuais precisam, pelo menos, demonstrar que estão falando sobre o clima; o que faz com que os preparativos para as negociações globais em Paris, no próximo ano, fiquem mais interessantes.

6) Não é uma forma de redimir Obama em temas como o oleoduto Keystone. Se ele levar a sério, atingir esses tipos de metas, então precisamos de medidas sérias; precisamos de passos reais; um sinal mais claro de que este é apenas um tema de debate, e não um compromisso sério, seria aprovar novos oleodutos ou autorizar novas perfurações. Se você prometer sobriedade e depois comprar um barril de cerveja, as pessoas vão questionar essa decisão.

7) É um bom lembrete para os investidores de combustíveis fósseis continuarem sua fuga para um lugar seguro - o movimento de desinvestimento crescente tem argumentado não só por razões morais, mas também para fazer valer seu ponto de vista, de que o futuro conduzirá inevitavelmente as velhas formas de energia a uma curva decrescente. Este é mais um aviso - para quem enxerga além das projeções trimestrais, que o perigo é iminente.

8) Não é, de forma alguma, uma meta de expansão. Esses números são fáceis - se você fosse realmente cínico, você poderia dizer que eles estão tentando colocar um andar abaixo da redução de carbono, para gerenciar a redução dos combustíveis fósseis, ao invés de realmente acabar com o carbono. Os alemães, por exemplo, estarão usando 60 por cento de sua energia de fontes limpas em meados da década de 2020, quando os EUA cortarão as emissões de carbono em pequenas quantidades.

9) É isso, - e esta é a verdadeira chave - é um lembrete de que os movimentos funcionam. O Presidente Obama aprovou pela primeira vez a meta dos 80 por cento até 2050, que ele consagrou neste pacto, quando ele estava concorrendo à presidência em 2007, uma semana depois de 1.400 manifestações em todo o país exigirem que ele aderisse àquela meta. Isto acontece sete semanas depois de uma das maiores manifestações climáticas globais da história, e em meio a agitação que está acontecendo na China, sobre o ar poluído em suas cidades.

10) Não é, em outras palavras, um motivo para abrandar a luta existente por um clima habitável, uma luta que a nossa civilização corre o grande perigo de perder. Se queremos que este seja um começo e não um fim, nós temos que construir movimentos ainda maiores e mais poderosos que forçarão os sucessores destes chefes de estado a atenderem os pedidos que a ciência nos exige. Hoje é uma conquista para todos os que seguraram uma placa, assinaram uma petição, e foram presos - e um convite para que muitos mais se juntem a nós no futuro!

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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