OPINIÃO

'Você não é minha mãe!': A frase que toda madrasta tem medo de ouvir

20/10/2015 20:18 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Divulgação

Mesmo que a boadrasta ainda não tenha ouvido um "você não é a minha mãe", certamente já pensou em váááárias respostas.

A primeira resposta de todas: não, sou beeeeem mais magra (é politicamente incorreto e preconceituoso, sabemos; mas o pensamento rola e a penitência também, de acordo com a culpa católica de cada uma). Após alguma ponderação (bem pouca): não, e nem você é meu filho, graças a Deus (puro ressentimento, né?). Com um ano de terapia, a resposta passa a ser: não, mas adoraria ser (mas não adianta querer porque não é e pronto). A resposta edificante: não sou, meu amor, mas amo você e estou aqui para te educar, assim como o seu pai e a sua mãe.

Mas... Por que pensar nisso, hein?

Quem não é de muitos abraços e beijos normalmente cultiva uma pseudo autossuficiência. Aliás, considero que esta seja uma característica das mulheres da nossa geração: cultivar a tal autossuficiência, bastar-se. Partindo dessa premissa, pode-se imaginar o quanto é difícil se permitir amar "o filho dos outros". Mas não é "dos outros", querida. Estamos falando dos filhos do seu marido/namorado/lance/esquema. Eles são/serão seus enteados!

Na boa: nem o coração do ursinho carinhoso Coração Gelado (um ursinho azul, zangado e de poucos amigos... vocês lembram?) resistiria aos meus dois enteados.

O mais novo, desde pequeno entra no meu quarto na pontinha dos pés e me acorda com um beijo; mexe nos meus cabelos enquanto dirijo; senta no meu colo sem convite; deita (e baba!) no meu travesseio (que é um lugar sagrado). Em resumo: invade sem pedir licença (hoje com o meu feliz consentimento) o que um dia foi meu personal space (raio de 1,5 m cujo centro sou eu e cuja entrada é vedada a quase todos os humanos). Ele simplesmente desconsidera o meu aclamado individualismo e eu acho lindo!

O mais velho (um sábio, diga-se), bate na porta e pede licença para entrar no meu quarto; desculpa-se ao interromper a conversa dos adultos; retribui quando abraçado, mas normalmente não pula em cima de mim; quando deita na minha cama, leva seu próprio travesseiro; no carro, curtimos o bom e velho rock, às vezes conversando, às vezes em silêncio; procura "jogos de menina" no Xbox para viabilizar a participação da madrastinha. Ele entende o meu jeito e respeita meu espaço. É um perfeito cavalheiro aos 14 anos.

E assim fui nocauteada por ambos, cada um com sua tecnologia. Acho que por isso as madrastas têm pavor de ouvir o tal "você não é a minha mãe". Não são mães mesmo e o nascer desse afeto é assustador. Mamães são biologicamente programadas para amar suas crias; madrastas não dão cria e amam por um bom período sem se dar conta.

Você já se deu conta? Que tal pensar nisso? Pode chorar, viu?

Crianças têm esse talento. Como costumo dizer: elas ensinam coisas. Que tal nos preocuparmos menos e deixar fluir? Que tal não ter tanto medo de uma frasezinha injuriosa que talvez nunca seja dita?

Não somos mães deles mesmo, mas nosso lugar é ótimo.

Criança não divide o seu amor entre a mãe, o pai, o irmão, a madrasta, a avó... Isso é papo de adulto. Criança gosta de gostar de todos, at the same time! Sendo assim, mesmo não sendo a mamãe, o lugar da madrasta no coração dos pequenos existe. Acomode-se. Esse lugar é seu pra sempre. Que eu saiba, não existe ex-filho e nem ex-enteado.

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A realidade ~turbulenta~ de cuidar dos filhos