OPINIÃO

As vantagens de ser gay

15/09/2015 16:33 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Yana Paskova via Getty Images
NEW YORK, NY - JUNE 26: (L-R) Kay Rzasa and Deb Crerie, theater properties designers and married couple living in Washington, DC, kiss in front of the Stonewall Inn during a a rally in support of the Supreme Court's landmark decision guaranteeing nationwide gay marriage rights on June 26, 2015 in New York City. Today the high court ruled 5-4 that the Constitution guarantees a right to same-sex marriage in all 50 states. (Photo by Yana Paskova/Getty Images)

Uma das grandes desvantagens, ou dores, de ser gay é o preconceito das pessoas próximas. Família, amigos, igreja.

Há reações violentas, como pais que renegam e expulsam de casa filhos que saem do armário. Ou usam a coerção emocional e religiosa para mantê-los, escondidos e machucados, dentro dele. E há também um preconceito mais velado, que diz que a culpa é do outro, da sociedade. "Não sou eu, o mundo que é preconceituoso e não quero que você sofra."

Ora, se o mundo é preconceituoso, vamos mudar o mundo.

Se não é possível mudar a igreja, mudemos de igreja. Woody Allen disse que nunca faria parte de um clube que o aceitasse como membro. Eu, que sou menos iconoclasta e talvez um pouco menos neurótica, nunca iria querer fazer parte de um clube que não quisesse me aceitar do jeito que eu sou.

Talvez essa seja a grande vantagem de ser gay. Pode ser confuso e doloroso se assumir gay. Reconhecer que o seu desejo e o seu afeto estão em um lugar diferente daquele estabelecido pelas normas sociais. Sim, você é diferente. Sim, ser diferente pode ser difícil.

Mas ser você é tão maravilhoso. Viver o seu desejo e o seu potencial. Saber quem você é e o que você quer. Poder cantar Paulinho da Viola: "Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim". Meu mundo é hoje.

Eu nunca gostei de clubes, guetos, patotas. Sempre questionei dogmas e líderes, de panelas de colégio a messias. E fujo de rótulos como o diabo foge da cruz. Talvez por isso tenha demorado a levantar bandeiras. "Que diferença faz alguém ser gay ou hétero?", dizia. Mas certamente o motivo mais forte foi o preconceito às avessas: não me assumir gay por não querer me expor a um preconceito que não deveria existir.

Percebi meu erro ao ver que a bandeira que eu deveria levantar não era para mim. Eu estudei nas melhores escolas, sempre vivi na zona sul do Rio de Janeiro e só sofri preconceitos do tipo #classemediasofre, em bares hipócritas no Leblon, em que é aceitável usar drogas ilegais mas não demonstrar afeto por alguém do mesmo sexo.

Enquanto isso, jovens na periferia e no interior sendo espancados e mortos por... amarem. A bandeira é para eles. Quem tem mais voz e privilégios precisa levantar bandeiras e lutar contra preconceitos para defender o direito daqueles que têm menos.

É claro que o ideal é que ninguém precise se rotular como hétero, gay, bi, poli, trans. Ser quem você é e poder amar quem você ama. Chegaremos lá. O que hoje é utopia, já foi passado e um dia será futuro. A perspectiva de que pessoas amam pessoas, e é simples assim.

Fotos da Parada Gay em SP

ETC: