OPINIÃO

Amor e dignidade, uma vitória de todos

26/06/2015 17:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02
Mark Wilson via Getty Images
WASHINGTON, DC - JUNE 26: Arielle Cronig (L) and Elaine Cleary embrace outside of the U.S. Supreme Court after the ruling in favor of same-sex marriage June 26, 2015 in Washington, DC. The high court ruled that same-sex couples have the right to marry in all 50 states. (Photo by Mark Wilson/Getty Images)

Hoje, dia 26 de Junho de 2015, testemunhamos uma grande vitória para a dignidade humana.

Uma conquista que chega em tempos estranhos e instáveis. A intolerância parece crescer galopante ao nosso redor, e gostaria de poder dizer que é só em nossas timelines, onde cada um despeja sua fúria e incompreensão do mundo e do outro protegido pela virtualidade.

Mas acontecimentos recentes, como a pedrada recebida pela menina Kailane Campos quando saía de um culto de candomblé ou a chacina em Charleston no EUA, nos mostra que a intolerância é bastante real e dolorosa, muitas vezes fatal. Raça, classe social, orientação sexual, posição política. Infelizmente, a violência, verbal ou física, está sendo a resposta para a diferença e a diversidade. A humanidade retrocedendo algumas casas no "Jogo da Vida" em cada tuíte de pastor caça-níquel.

Para compensar, hoje caminhamos pra frente. A Suprema Corte dos Estados Unidos garantiu o direito constitucional ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. E é dia de comemorar, bebê, independente de qual seja a sua orientação sexual.

É uma decisão que traz justiça, igualdade, liberdade e dignidade para toda uma sociedade. Eu, por exemplo, não acho que o casamento é uma obrigação. Não acho que é para todos. Não acho que precisa morar junto. Não acho que é a única maneira de celebrar o amor e constituir uma família. Não acho que família precisa, necessariamente, de filhos.

Mas para muitos, como disse o juiz Kennedy em sua decisão de hoje, "nenhuma união é mais profunda que o casamento, pois ela incorpora os maiores ideiais de amor, fidelidade, devoção, sacrifício e família". Não é obrigação, mas deve ser direito.

Sinceramente, não entendo quem é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tentando regular o afeto, o amor, a sexualidade de outras pessoas. É claro que, dentro de casa, cada um faz o quer, inclusive alimentar seus preconceitos e medos. Cabe ao Estado, no entanto, garantir direitos iguais aos seus cidadãos.

Sempre que preciso, me lembro das palavras de Luís Roberto Barroso, hoje juiz do Supremo Tribunal Federal, no histórico julgamento no STF, que enquadou a união homoafetiva no conceito constitucional de união estável:

"Impedir uma pessoa de colocar o seu afeto e a sua sexualidade onde está o seu desejo é o mesmo que aprisionar-lhe a alma, é instrumentaliza-la ao projeto dos outros, às metas dos outros, é impedir essa pessoa de existir na plenitude da sua liberdade de ser, querer e de pensar. Viola a dignidade da pessoa humana impedir que ela coloque os seus afetos onde tem o seu desejo e seja respeitada por isso."

No Brasil, hoje, um congresso conservador alimenta intolerâncias em todas as esferas, e Igrejas pregam o ódio no lugar do amor. E, apesar da vitória da união estável, ainda não temos o casamento civil. Mas continua minha esperança de que vamos voltar a abraçar nossa diversidade, que é nosso maior ativo cultural.

Viva a amor, viva a diversidade, viva o Brasil!

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