OPINIÃO

Casais sorodiscordantes para HIV podem recorrer à fertilização assistida para ter filhos

06/10/2014 14:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02
Tetra Images via Getty Images

Mais de 35 milhões de pessoas estão infectadas globalmente com o vírus da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) - doença que pode levar entre dez e quinze anos para se manifestar. É consenso que a infecção pelo HIV representa uma importante barreira para a reprodução. Mas, como 86% dos infectados se encontram em idade reprodutiva, se impõe uma questão importante a ser estudada com muito interesse. Afinal, com a introdução da terapia antirretroviral introduzida na última década, indivíduos HIV positivos passam a ter uma qualidade e expectativa de vida maior e, consequentemente, o desejo de ter filhos - já que a possibilidade de acompanhar seu desenvolvimento é uma realidade. Hoje em dia, técnicas de reprodução assistida se empenham nesse sentido.

Existem três situações possíveis entre os casais. A mais comum é quando o homem está infectado pelo HIV e a mulher não. Neste caso, não existe impedimento para a gestação. Procedemos à lavagem seminal, que faz com que os espermatozoides infectados sejam separados dos sadios. Depois dessa seleção é que eles são inseminados com técnicas de reprodução assistida. Outra possibilidade é que ambos estejam infectados. Quando tanto o homem quanto a mulher estão infectados, o que vai definir a viabilidade dessa gestação é a saúde da paciente. Se for uma mulher jovem e saudável, com carga viral positiva baixa, seguimos com técnicas de reprodução assistida. Por fim, os casos em que somente a mulher está infectada. Esse é outro caso em que a saúde da paciente será determinante para a viabilidade e o sucesso de uma inseminação intrauterina ou uma fertilização in vitro.

Vale ressaltar que, quando a paciente é a única soropositivo, há grandes chances de ela já ter sido infectada, também, por outras doenças sexualmente transmissíveis (DST). Ou seja, as chances de as tubas uterina já terem sido danificadas são grandes. Outro ponto importante: há 25% de chance de haver transmissão vertical, que acontece quando a mãe transmite o vírus da Aids para o bebê. Determinadas condutas e terapias, tanto para a mãe quanto para o feto, podem reduzir consideravelmente a taxa de infecção. Mas há que ressaltar que até mesmo a amamentação deve ser evitada. Por fim, quando não se consegue reduzir ao mínimo a quantidade de vírus através de medicamentos, as técnicas de reprodução assistida deixam de ser indicadas.

A Aids ainda é mais frequente entre homens do que mulheres, principalmente na faixa etária em que a doença é mais incidente: entre 25 e 49 anos. Quando o assunto é gravidez, esse é um aspecto favorável, já que as técnicas de reprodução assistida possibilitam que um casal sorodiscordante engravide com segurança quando somente o marido é infectado pelo HIV e a esposa é soronegativa. Um grande desafio que a medicina tem pela frente é a inversão constatada entre os jovens. A faixa etária entre 13 e 19 anos é a única em que o número de casos de Aids é maior entre as meninas. Como a transmissão da doença ocorre principalmente por causa do sexo desprotegido com pessoas soropositivas, é promover mais campanhas de conscientização que tenham como alvo os adolescentes. Só assim a Aids poderá ser tratada como doença crônica sem gerar tanto impacto na qualidade de vida ou nos planos para o futuro dos infectados.

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