OPINIÃO

O que manchetes sobre o divórcio de Angelina e Brad Pitt dizem sobre a 'cultura dos tablóides'

20/09/2016 23:17 BRT | Atualizado 20/09/2016 23:17 BRT
NOVO! DESTAQUE E COMPARTILHE
Destaque o texto para compartilhar no Facebook e no Twitter
Michael Hanschke / Reuters
U.S. actors Brad Pitt and his partner Angelina Jolie pose for photographers on the red carpet at the German premiere of the movie "The Curious Case of Benjamin Button" in Berlin January 19, 2009. REUTERS/Hannibal Hanschke/File Photo TPX IMAGES OF THE DAY

Fim de Brangelina. The end of Hollywood power couple. Mr. & Mrs. Smith, it's over. Fim trágico para o casal mais ativista do globo. Divórcio do ano: Brad e Angelina se separam. Após o divórcio entre William Bonner e Fátima Bernardes, um novo casal famoso prova que o amor está morrendo em 2016.

São algumas das manchetes que vi por aí, sobre a separação que causou furor na web hoje.

Identidades, apego, bolha coletiva. Ser famoso não blinda ninguém de nada, a gente sabe disso. Dificuldades seguem, confusões seguem, desequilíbrios ligados a gênero seguem, incoerência, prisões, violência doméstica, dificuldades com os filhos, conflitos, tristezas, e por aí vai. A impermanência das coisas e o fim das relações também. E está tudo bem.

Seria incrível, nessas horas, ver um jornalismo humano, acolhedor, real, ao invés de um sanguinário e histérico, que reforça sofrimento ao invés de ajudar as pessoas a crescerem, que nos incentiva a julgar e fazer piada ao invés de enxergar questões compartilhadas e caminhos para elas.

Ao contrário, a cultura dos tablóides reforça o que tem de pior nas coisas. De assalto a mão armada no metrô até divórcio de famosos, nada fica a salvo da visão estreita e superficial da mídia tradicional.

As notícias são narradas de forma sensacionalista, com exagero, pessimismo, fatalismo - quando não envolvem mentiras. Os discursos são inflamados e simplistas. Os títulos dos textos puxam cliques desenfreados. Depois de ler, a gente sai com um amargo na boca e uma sensação de preto no branco, maniqueísmo. Dá vontade de culpar alguém, apontar dedo, fazer fofoca.

E os tablóides só são um exemplo fácil desse jornalismo que não olha de fato para as pessoas e que informa com viéses. Um jornalismo que não é tão imparcial quanto se diz e que tem, na verdade, rabo preso e está trabalhando a favor de sistemas, não dos indivíduos ou de visões benéficas e amplas.

Um jornalismo que falha absurdamente com um papel bem importante, o de educar, mover, mobilizar, desatar nós sociais. Construir nova cultura, em um sentido público, de bem comum.

Daí, fica a pergunta: para que o jornalismo está olhando? A quem está servindo? Qual é a função dele?

Precisamos falar sobre isso. Esse jornalismo que está posto aí já está morto, e precisa urgentemente ser reinventado.

LEIA MAIS:

- O que o caso Fabiola nos diz sobre o machismo nosso de cada dia e o que podemos aprender com isso

- No episódio do Quitandinha, não podemos perder de vista o que realmente importa

Também no HuffPost Brasil:

Celebridades engajadas em causas da ONU