OPINIÃO

Numericamente somos ótimos

08/10/2014 17:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
ASSOCIATED PRESS
An Anti-World Cup demonstrator holds a banner during a protest near Maracana stadium on the last day of the World Cup soccer tournament in Rio de Janeiro, Brazil, Sunday, July 13, 2014. Protesters criticize that the government should spend money on improvements for education, health and housing, instead of soccer. (AP Photo/Leo Correa)

Em julho de 2013, quando "o gigante acordou", mais pareceu que ele tivesse ficado seu sua dose de Rivotril. Ficou descontrolado, causou bastante, quebrou várias coisas e gritou. Porém, voltou ao remédio e as ameaças a ordem natural das coisas chegaram ao fim. De volta a normalidade retornou a rotina, o trabalho, aos deveres do dia a dia. Passou a Copa, que ele adorou, e todos aqueles ideais ficaram jogados pelas ruas da Avenida Paulista.

O gigante queria melhoras. Se ele fosse escrever uma notícia com tudo que exigia, teria o lide quase completo. Ele sabia O QUE queria, QUEM poderia realizar as mudanças, QUANDO elas deveriam acontecer, POR QUE elas eram necessário, ONDE elas eram mais urgentes. Faltou o gigante estudar o COMO.

Como mudar se votamos nos mesmos candidatos? Como revolucionar se temos medo de sair do óbvio; e mudar de ideia, trocar de partido? Será que nós, brasileiros, sabemos onde queremos chegar com a política? Estamos há cinco eleições revezando entre dois partidos, mesmo tendo tantas outras opções.

Deu vontade de rir na frente da TV quando uma repórter anunciou que as eleições no Brasil são as terceiras maiores do mundo. Claro, somos obrigados a votar. É burocrático e chato não votar. Dá muito menos trabalho ir até o local de votação e digitar os números mais conhecidos do que enfrentar o Estado, que torna o não cumprimento do "dever cívico" um tormento na vida do brasileiro.

Outra opção é o voto branco/nulo, que hoje é a mesma coisa. Não, não tem diferença entre votar branco e votar nulo. Mesmo que muitos não saibam as conseqüências desse tipo de voto, 10% da população o fez.

Acredito que deveríamos partir da premissa de quem nem todos são obrigados a serem interessados na política. Não é a toa que, em São Paulo, é a segunda vez que elegemos (não que eu tenha votado nele, mas NÓS, desse estado, colocamos ele na Câmara) Tiririca. Quem não lembraria do palhaço que cantava Florentina, cujo número é composto por apenas um dígito, na hora de votar? É fácil. Muito mais fácil que não ter ido votar.

Sendo assim, falta de interesse na política não é necessariamente um problema. Se torna um problema a partir do momento em que aquele que não tem interesse é obrigado a se envolver. É simples reclamar, reivindicar mudanças. Assistir o debate já dá um pouco mais de trabalho, mas imagina só ler as propostas e o plano eleitoral de um candidato? Poupem-se, as pessoas têm mais o que fazer. É, talvez elas tenham mesmo, mas, assim, votar não seria uma prioridade. A prova de desinteresse dos brasileiros é que 19,39% dos eleitores não votaram no primeiro turno.

Dentre os 15 países com os maiores PIBs do mundo apenas o Brasil tem voto obrigatório.

Escolher seu governante é um direito. Foi a grande bandeira dos movimentos populares no fim da ditadura militar. Porém, o que ganhamos com o voto obrigatório? Nada além de números.

Numericamente somos ótimos, afinal, 142 milhões de brasileiros exerceram seu dever como cidadãos. Entretanto, a mesmice, a falta de inovação, mostra que somos retrógrados. Somos medrosos e velhos. Mais que isso: somos obrigados. Se votar fosse um mérito da democracia conquistada pelos ativistas das Diretas Já, ele teria valor. Funciona como os livros para o vestibular: ninguém quer ler, porque são obrigatórios no Ensino Médio. Caem nas provas, que definem suas notas. E notas são só números.

Votar tornou-se uma banalidade. Mais um livro que cai no vestibular. Depois dá o maior problema pegar recuperação e ir no TRE lidar com as burocracias para passar de ano.

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