OPINIÃO

Ocupação pela dignidade

O fracasso das UPPs demonstrou que a polícia deve ser o último recurso da segurança pública.

29/09/2017 13:22 -03 | Atualizado 29/09/2017 13:22 -03
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As Forças Armadas vão permanecer no Rio de Janeiro até o final deste ano.

Ao abrir os principais sites de notícias, me deparo com a velha/nova manchete de que as polícias (neste estranho país em que há mais de uma) e o Exército invadiram sei lá quantas favelas no Rio. Fizeram e aconteceram, apreendendo armas e drogas e prendendo homens – negros e mestiços, quase todos – que o Estado quer nos fazer acreditar que são realmente os principais responsáveis pela desgraceira do tráfico de drogas.

Penso como seria bom dar o mesmo clique no mouse do computador e ver pular na tela uma manchete bem grande informando que o Estado invadiu ao menos uma favela carioca colocando escola, posto de saúde 24 horas, esgoto, quadras de esporte e centros culturais. Para nunca mais (ou quase nunca) ter que lá voltar com suas polícias – e agora Exército – em seu inútil trabalho de enxugar gelo.

É uma equação simples, que o fracasso das Unidades de Polícia Pacificadora, as outrora badaladas UPPs, demonstrou e que qualquer um que tenha a mais básica noção de como se faz segurança pública sabe: a polícia é a última instância, o último recurso, e só deve ser empregada quando o sujeito realmente prefere o caminho errado à dignidade que o Estado, com o dinheiro dos impostos que pagamos, o proporcionou.

Ou deveria ter proporcionado, que é o caso do Rio e do Brasil inteiro.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.