OPINIÃO

HuffPost Árabe: em busca de respostas para uma geração filha da guerra

27/07/2015 14:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
TAUSEEF MUSTAFA via Getty Images
Syrian youths, inside a vehicle, film a protest against the regime of Syrian President Bashar al-Assad with their phones in the northern city of Aleppo on October 12, 2012. The army took a pounding at the hands of rebels in northern Syria, a watchdog said, as tensions between Damascus and Ankara escalated over cargo seized from a Syrian passenger plane. AFP PHOTO/TAUSEEF MUSTAFA (Photo credit should read TAUSEEF MUSTAFA/AFP/Getty Images)

Muitos anos se passaram até as pessoas perceberem que a guerra europeia de 1914 a 1918 era grande e influente o suficiente para merecer o nome de Primeira Guerra Mundial. Então ela ganhou esse nome grandioso, que foi complementado por um "Primeira" duas décadas depois, quando aconteceu uma guerra não menos terrível ou influente. As pessoas declaram guerra e depois inventam nomes que se adequam a sua grandiosidade e influência. Daqui alguns anos, os historiadores olharão para o que aconteceu em nossa região e talvez não encontrarão um nome mais apropriado que Terceira Guerra Mundial, especialmente porque o mundo nunca mais vai voltar a ser como era antes.

Nessa região, metade do mundo está em guerra com a outra metade, por procuração. Estados Unidos, Rússia, Israel, alianças militares internacionais, antigas monarquias e ditaduras: todos lutam aqui para preservar ou expandir suas áreas de influência. Ao mesmo tempo, grupos armados sectários, religiosos ou étnicos - cujo único rosto é o ódio - lutam para abolir tudo o que é antigo, para criar um novo mapa e talvez uma nova ordem mundial.

Aqui, você pode apostar em tudo, menos que as coisas vão permanecer iguais. Partos geram novas vidas. Mas essa nova vida pode ser sadia, ou então amaldiçoada com doenças. E então o futuro está aberto a todas as possibilidades, e nossas mentes estão confusas e cheias de perguntas. Somos aqueles que não têm nada a ganhar com essa guerra. Somos aqueles que só sonham em viver com dignidade e justiça, mas, agora, estamos preocupados somente com nossa sobrevivência. Somos aqueles sentados no sofá, acompanhando mísseis e bombas e sonhando com uma passagem para algum país distante, ou com um milagre que faça nossa vida voltar ao que era antes. Somos aqueles que não sabem: O que? Por quê? Como? Onde?

A primeira bala de uma guerra costuma ter a imprensa livre como alvo. Aí as luzes se apagam, e a vida humana perde valor, virando só mais um número nos registros militares, nos necrotérios, nas prisões políticas ou em navios cheios de refugiados arriscando a vida nas ondas. Na guerra, morrem a alegria e os sonhos - ou então eles estão marcados de morte. E nascem a perseverança, a rebeldia e o desejo de viver.

Aqui estamos, sentindo as dores do parto de uma guerra mortal para ambos os lados. Uma guerra que deu à luz nossa nova criança jornalística, o Huffington Post Árabe, cheia de liberdade, desafios e paixão por encontrar respostas e soluções, procurando a alegria onde quer que ela esteja - como os filhos da guerra.

Todos os meus amigos na redação pertencem a uma geração de jovens que não quer reinventar a roda ou vender os produtos que já inundam as prateleiras. Eles veem o Iraque como mais que uma guerra sectária ou étnica, e a Síria, como mais que um campo onde se despejam bombas, e o Egito, como mais que um país que enfrenta uma crise política; o mesmo vale para qualquer ponto de tensão no mundo árabe. Se você quiser contar os mortos, talvez esse não seja o seu lugar. Mas se você se pergunta como as pessoas se viram para viver em meio aos destroços, como sorriem em meio às preocupações, como têm esperança apesar das frustrações, se você quer saber: O que? Por quê? Como? Quando? - aí você está no lugar certo.

Nosso propósito aqui é apresentar um jornalismo que satisfaça sua necessidade de ignorar os ruídos e chegar ao cerne das questões; contrabandear momentos de alegria e entretenimento sem ser julgados; contar histórias de sucesso em vez de derramar lágrimas pelo que sabemos que é reconhecidamente um fracasso; e construir pontes de diálogo entre as várias partes que hoje estão sendo devoradas pela polarização.

Não fique chocado se estiver esperando uma coisa e encontrar outra, totalmente diferente. O Huffington Post é bom de surpresas, como provam suas outras 13 edições internacionais. É esse espírito jovem que fez desse site um destaque da mídia americana e internacional, como mais de 200 milhões de leitores ao redor do mundo, a maioria jovens que amam a liberdade e odeiam se limitar.

Um ano atrás, quando conversei com Arianna Huffington pela primeira vez, ela enfatizou o papel positivo que o jornalismo tem a desempenhar para que a vida das pessoas melhore. Ela me falou da sabedoria que existe na nossa região, uma região que foi o berço da civilização e da religião, e da necessidade de o mundo aproveitar essa sabedoria. De minha parte, acredito na positividade de procurar saídas. E acredito que a sabedoria inerente à nossa herança religiosa e histórica é uma arma necessária nesses tempos de Terceira Guerra Mundial.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.