OPINIÃO

Uma pílula de sabedoria para deixar 2016 para trás e encarar 2017

28/12/2016 13:16 BRST | Atualizado 28/12/2016 13:16 BRST
Alberto Ruggieri via Getty Images
Man taking flight using the pages of a book

Quando chegamos nessa época do ano sempre temos a sensação de que corremos atrás do tempo ou ele corre atrás da gente. Tudo foi tão rápido.

Um ano especialmente duro para todos. A cada momento um acontecimento atordoante. Sem tempo para incorporar uma ideia, logo vinha outra notícia que nos fazia engolir a anterior. E, assim, fomos nós os engolidos nesse redemoinho louco que foi 2016.

Acredito na premissa de que depois de "passar pela barriga do lobo" renascemos melhores, mais sábios. Espero que seja isso que possamos extrair de tudo o que vivemos e sofremos neste ano. Creio que ainda estejamos dentro da barriga, no poço escuro. Sabemos que a história continua e vamos sair. Só não acho que seja com a ajuda do caçador.

Gosto de pensar em histórias para refletir sobre cada momento da vida. No fim do ano sempre escolho uma para gravar e enviar aos amigos como cartão de Natal. Busco uma história que traga alguma reflexão, tentando comentar o ano que passou e trazer alguma esperança para o que virá.

E, fuçando em minhas estantes, me deparei com a coletânea As 14 Pérolas da Sabedoria Sufi, de Ilan Brenman e ilustrado por Ionit Zilberman, da Editora Escarlate. Ali achei o conto que buscava.

Aqui vai ele. Se quiser ouvi-lo contado por mim é só clicar aqui:

Na cidade de Sanaa, capital do Iêmen, um poderoso rei ouviu dizer que um filósofo estrangeiro andava lotando uma sala de aula com centenas de alunos.

Curioso, o soberano decidiu conhecer o mestre e, numa linda manhã de outono, dirigiu-se à sala de aula. Ao se aproximar da porta, ele percebeu uma disposição espacial interessante. Os alunos formavam três semicírculos: um bem próximo ao professor, outro bem no meio e o último mais distante.

Ao terminar a aula, os alunos perceberam a presença real, inclinaram-se e foram embora. O rei se aproximou do filósofo e disse:

- Achei muito interessante a disposição espacial que o senhor usa com seus alunos. Na minha corte a disposição é a mesma. Diga-me: o que significa este arranjo?

- Vossa Majestade me daria a honra de explicar primeiro o motivo do vosso arranjo? - perguntou o filósofo.

- Claro! Na minha corte o primeiro semicírculo é formado por pessoas da minha mais alta estima, os meus favoritos. Os do meio são nobres e comerciantes ricos. E o último semicírculo é formado por pessoas de pouca importância para o meu reinado. Agora é a sua vez - disse o rei.

- Bom, depois de alguns meses ensinando em sua cidade, a disposição dos meus alunos ficou um pouco diferente do que acontece no castelo. O primeiro semicírculo é formado por alunos com deficiência auditiva; o do meio pelos alunos que têm dificuldade de compreensão e, por isso, necessitam de mais proximidade; e, finalmente, o último e mais distante semicírculo é formado pelos alunos que já se iluminaram, e os quais qualquer proximidade ou distanciamento não afetará o que eles já alcançaram.

O rei foi embora, pensativo. Talvez no próximo encontro com seus súditos algo mudaria...

Um ótimo 2017 para todos!

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