OPINIÃO

Em tempos de crise, história do rei Salomão pode dar um conforto. Mesmo que temporário

13/05/2016 17:48 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Thomas Jackson via Getty Images
Hand holding snapshot of trees

As histórias são companheiras e confidentes. Através de seu mundo simbólico encontramos forças e referências para lidar com a vida real.

Em muitos momentos da minha vida as histórias foram a rede de proteção na qual me segurei para enfrentar adversidades. Mas também foram fonte de prazer enorme quando me remetiam a momentos especiais da minha vida.

A história parece que repercute aquele momento de uma maneira profunda que vai além da simples lembrança. Nesses tempos cascudos que estamos vivendo lembrei-me de uma lenda da tradição judaica do sábio Rei Salomão.

O Anel Mágico

O Rei Salomão foi o mais sábio de todos os homens. Ele entendia até mesmo a linguagem dos pássaros e dos outros animais. Ninguém podia se comparar a ele em sabedoria.

Mas o Rei Salomão tinha um problema. Por ser muito inteligente, às vezes ficava tão feliz que se esquecia as boas maneiras e não se comportava como um rei, pulando e saltando de alegria. Às vezes ficava tão triste, que não queria ver ninguém, trancando-se em seus aposentos.

Ele gostava de andar no meio de seu povo para senti-lo de perto.

Numa manhã de domingo, Salomão foi ao mercado. Ali viu comerciantes apregoando suas mercadorias: "Maçãs à venda!", gritava um homem. "Venham ver meus lindos tecidos", gritava outro. No fim da praça do mercado, o rei ouviu um comerciante contando vantagem: "Eu sou o maior joalheiro de toda a terra. Ninguém faz joias como eu!".

Salomão não gostou de ouvir alguém assim tão convencido. Foi até o homem e disse:

"Você realmente acha que é o mais talentoso joalheiro da terra?".

"Sim", respondeu o artesão, "Minhas joias agradarão qualquer homem ou mulher".

"Se é assim, então me faça um anel", o rei disse. "Eu quero que esse anel me traga temperança, me deixe calmo quando eu estiver muito eufórico e, quando eu estiver me sentindo triste e deprimido, quero que ele me levante o ânimo. A joia deverá ser entregue até amanhã à noite."

"Mas como poderei criar tal anel?", disse o joalheiro com medo, "Eu não sou mágico. Eu sou um simples artesão".

"Você devia ter pensado nisso antes de começar a se vangloriar", disse o rei. "Lembre-se, eu quero que o anel seja entregue até amanhã à noite, nem um dia mais."

O joalheiro foi para casa triste a amedrontado. "Como produzir tal anel?" Ele pensou e pensou. Depois de muitas horas, já ao amanhecer, teve uma ideia. Pegou suas ferramentas, acendeu o fogo e começou a criar a joia, moldando o ouro.

No dia seguinte, correu para o palácio e, diante de sua corte, entregoo-o ao rei numa pequena caixa. O Rei Salomão abriu a caixa e quando viu o anel olhou para ele com admiração. "Você realmente realizou meu pedido. Toda vez que eu olhar para esse anel saberei que as tristezas são temporárias. E que os momentos alegres também se vão."

No anel estava gravado:

"Isso também passará."

Não deixemos passar simplesmente, temos que tomar nossas posições e pensar que caminhos queremos. Mas lembrar que tudo passa nos dá uma luz quando estamos cansados da dor, da luta ou esquecendo de aproveitar um momento bom.

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