OPINIÃO

Em defesa de Rachel Sheherazade (VÍDEO)

16/02/2014 10:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Vou fazer o que parece impossível, mas vou ser obrigada a defender a âncora Rachel Sheherazade, do SBT. Sim, ela fala muita besteira. Ok, besteira é pouco. Acho que não concordo com absolutamente nada do que a ouvi falando até agora.

Dito isso, rolou nas redes sociais um vídeo chamado "a redenção de Sheherazade" (veja acima). Sensacional. Algum indivíduo fez um compilado e editou vídeos dela para que ela dissesse coisas como "você realmente me conhece? Alienada e ignorante" e por aí vai. Eu ri.

Ri até o momento em que ela (editada) "lança uma campanha". A campanha? "Preciso de um homem. Preciso de um pau nas costas". E essas colocações foram o suficiente para que eu não compartilhasse a brincadeira. Foram elas, também, que me motivaram a defender (ainda que só um pouco) a polêmica apresentadora.

A verdade é que nós, mulheres, estamos de saco cheio (risos) de sermos julgadas pelo excesso ou falta de sexo que fazemos. Quantas mulheres que chegam em uma posição de poder, pra bem ou pra mal, e são chamadas de mal comidas, frígidas, mal amadas ou, no caso, simplesmente afirmam que "falta um pau" para elas?

Vou contar uma coisa pra vocês: não, não falta um pau. Como se um pau fosse "amansar" uma mulher forte, líder e agressiva. Como se mulheres fortes, líderes e agressivas precisassem ser amansadas. Bem-vindos ao século 21, gente. O século em que as mulheres escolhem ser engenheiras, médicas, advogadas, artistas, donas de casa, o que quiserem e o que bem entenderem.

Sheherazade, com suas opiniões, na minha opinião, nauseantes, é forte e se impõe. Presta um desserviço para a humanidade, claro, e homofobia, elitismo e discursos de ódio têm de ser combatidos. Assim como machismo. Qualquer um que insinuar que ela (ou eu, ou sua irmã ou qualquer outra mulher) precisa de um pau para ficar mais tranquila, presta um desserviço para as mulheres. E para todas elas, não apenas para as reacionárias.

Temos que parar de ver uma mulher opinando ou participando de um debate e automaticamente classificá-la como mal comida ou vadia. Como se dar quando e para quem quisermos diminuísse o nosso valor. Com homens esse julgamento nunca acontece. Um homem bem sucedido nunca é "mal comido". E um homem que transa demais, bem, já sabemos né? Esse cara é ídolo. Mulheres é que têm de ser discretas.

É a tal da história de que mulheres precisam "se dar ao respeito". Por favor. Respeitar outro ser humano é dever seu. Dar para quem e quando eu quiser, direito meu.