OPINIÃO

Sete coisas para considerar antes de escolher um lado no conflito do Oriente Médio

03/08/2014 16:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
ASSOCIATED PRESS
Smoke and fire from the explosion of an Israeli strike rise over Gaza City, Wednesday, July 30, 2014, amid Israel's heaviest air and artillery assault in more than three weeks of Israel-Hamas fighting. (AP Photo/Hatem Moussa)

Você é "pró-Israel" ou "pró-Palestina"? Ainda não é meio-dia quando escrevo isto e já fui acusado de ser ambos.

Esses termos me intrigam porque falam diretamente à natureza insistentemente tribal do conflito israelense-palestino. Você não ouve falar de muitos outros países que sejam tratados universalmente dessa maneira. Por que esses dois? Tanto os israelenses quanto os palestinos são complexos, com histórias e culturas diferentes e duas religiões incrivelmente semelhantes (embora divisoras). Colocar-se totalmente do lado de um ou de outro não me parece racional.

É revelador que a maioria dos muçulmanos ao redor do mundo apoie os palestinos e a maioria dos judeus apoie Israel. Isso é natural, é claro -- mas também problemático. Significa que não se trata tanto de quem está certo ou errado, mas de a que tribo ou nação você é leal. Significa que os defensores dos palestinos seriam tão ardentemente pró-Israel se tivessem nascido em famílias israelenses ou judias, e vice-versa. Significa que os princípios que orientam a visão da maioria das pessoas sobre esse conflito são amplamente acidentes de nascença -- que por mais que intelectualizemos e analisemos os componentes da confusão no Oriente Médio ela é, em seu núcleo, um conflito tribal.

Por definição, os conflitos tribais prosperam e sobrevivem quando as pessoas assumem lados. Escolher um lado nesses tipos de conflitos os alimenta ainda mais e aprofunda a polarização. E, pior, você suja as mãos de sangue.

Por isso, antes de escolher um lado neste último conflito israelense-palestino, considere estas sete perguntas:

1. Por que tudo é tão pior quando há judeus envolvidos?

Mais de 700 pessoas morreram em Gaza até agora. Os muçulmanos despertaram em todo o mundo. Mas é realmente por causa dos números?

Bashar al Assad matou mais de 180 mil sírios, na maioria muçulmanos, em dois anos -- mais que o número de mortos na Palestina em duas décadas. Milhares de muçulmanos no Iraque e na Síria foram mortos pelo Exército Islâmico (EIIL) nos últimos dois meses. Dezenas de milhares foram mortos pelos taleban. Meio milhão de muçulmanos negros foram mortos por muçulmanos árabes no Sudão. E a lista continua.

Mas Gaza faz que os muçulmanos de todo o mundo, sunitas e xiitas, se manifestem de uma maneira incomum. A contagem de mortos atual e as imagens horríveis dos cadáveres destroçados de crianças gazenses inundam as mídias sociais todos os dias. Se fosse só por causa dos números, os outros conflitos não teriam precedência? Então por que é?

Se eu fosse Assad ou o EIIL hoje, estaria dando graças a Deus por não ser judeu.

De maneira incrível, muitas imagens de crianças mortas atribuídas ao bombardeio israelense que circularam online são da Síria, baseadas em uma reportagem da BBC. Muitas das fotos que você vê são de crianças mortas por Assad, que é apoiado pelo Irã, que também financia o Hizbollah e o Hamas. O que poderia ser mais exploratório de crianças mortas que atribuir as fotos de inocentes mortos por seus próprios aliados a seu inimigo, simplesmente porque você não estava prestando atenção suficiente quando os seus próprios estavam matando os seus próprios?

E isto não desculpa de modo algum a indiferença, a negligência e às vezes a completa crueldade das forças israelenses. Mas claramente indica a probabilidade de que a oposição do mundo muçulmano a Israel não tem a ver apenas com o número de mortos.

Aqui está uma pergunta para os que cresceram no Oriente Médio e em outros países de maioria muçulmana, como eu: se Israel se retirasse dos territórios ocupados amanhã, de uma vez -- e voltasse para as fronteiras de 1967 -- e desse aos palestinos Jerusalém Oriental, você acredita honestamente que o Hamas não encontraria alguma outra coisa para puxar uma briga? Você honestamente acredita que isso não tem absolutamente nada a ver com o fato de eles serem judeus? Você se lembra do que você via e ouvia na TV pública quando era jovem na Palestina, na Arábia Saudita ou no Egito?

Sim, existe uma ocupação injusta e ilegal lá, e sim, é um desastre de direitos humanos. Mas também é verdade que grande parte do outro lado é profundamente movido pelo antissemitismo. Qualquer pessoa que tenha vivido no mundo árabe/muçulmano por alguns anos sabe disso. Nem sempre há uma divisão nítida da culpa, de um ou de outro, nessas situações como os Chomskys e Greenwalds gostariam que você acreditasse. São os dois.

2. Por que todo mundo continua dizendo que esse não é um conflito religioso?

Existem três mitos generalizados que circulam sobre as "raízes" do conflito no Oriente Médio:

Mito 1: Judaísmo não tem nada a ver com sionismo.

Mito 2: O islã não tem nada a ver com jihadismo ou antissemitismo.

Mito 3: Este conflito não tem nada a ver com religião.

Para a turma do "sou contra o sionismo, e não o judaísmo", é mera coincidência que este trecho do Antigo Testamento descreva tão precisamente o que está acontecendo hoje?

"Eu estabelecerei suas fronteiras do mar Vermelho ao mar Mediterrâneo, e do deserto ao rio Eufrates. Eu colocarei em suas mãos o povo que viverá nessa terra e você o conduzirá à sua frente. Não faça um acordo com eles ou com seus deuses." -- Êxodo 23:31-32

Ou este?

"Veja, eu lhe dei esta terra. Vá e tome posse da terra que o Senhor jurou que daria a seus pais -- a Abraão, Isaac e Jacó -- e aos seus descendentes depois deles." -- Deuteronômio 1:8

Há mais:

Gênesis 15:18-21 e Números 34 para mais detalhes sobre as fronteiras. O sionismo não é a "politização" ou a "distorção" do judaísmo. é seu renascimento.

E para o pessoal do "Isto não tem a ver com o Islã, mas com política", este verso do Corão não tem importância?

"Oh, vocês que acreditaram, não tomem os judeus e os cristãos como aliados. Eles são [na verdade] aliados entre si. E quem quer que seja um aliado deles entre vocês -- então de fato é um deles. De fato, Alá não guia o povo que erra." - Corão, 5:51

E os numerosos versos e hadiths citados na carta do Hamas? E o famoso hadith da árvore Gharqad que explicitamente ordena que os muçulmanos matem judeus?

Por favor, digam-me -- à luz dessas passagens escritas séculos e milênios antes da criação de Israel ou da ocupação --, como pode alguém concluir que a religião não está na raiz disto, ou pelo menos é um fator chave? Você pode revirar os olhos diante desses versos, mas eles são levados muito a sério por muitos dos atores neste conflito, dos dois lados. Não deveriam ser reconhecidos e abordados? Quando foi a última vez que você ouviu uma boa discussão secular e racional em apoio à expansão dos assentamentos na Cisjordânia?

Negar o papel da religião parece ser uma maneira de poder criticar a política enquanto se mantém humildemente "respeitoso" às crenças das pessoas por medo de "ofendê-las". Mas essa humildade e "respeito" pelas ideias desumanas valem a morte de seres humanos?

As pessoas têm todo tipo de crenças -- desde insistir que a Terra é plana a negar o Holocausto. Você pode respeitar o direito de alguém ter essas crenças, mas não é obrigado a respeitar as crenças em si. Estamos em 2014 e as religiões não precisam ser "respeitadas" mais que qualquer outra ideologia política ou sistema de pensamento filosófico. Os seres humanos têm direitos. As ideias não. A muito citada dicotomia política/religião nas religiões abraâmicas é falsa e enganosa. Todas as religiões abraâmicas são inerentemente políticas.

3. Por que Israel desejaria deliberadamente matar civis?

Esta é a pergunta mais importante, que deixa todo mundo irritado, e com razão.

Mais uma vez, não há justificativa para a morte de inocentes em Gaza. E não há desculpa para a negligência de Israel em incidentes como a morte de quatro crianças em uma praia em Gaza. Mas vamos recuar e pensar nisso por um minuto.

Por que motivo Israel desejaria deliberadamente matar civis?

Quando civis morrem, Israel parece um monstro. Isso atrai a ira até de seus aliados mais próximos. Imagens horríveis de inocentes feridos e mortos inundam a mídia. Protestos crescentes contra Israel se realizam em toda parte, da Noruega a Nova York. E o número relativamente baixo de mortes de israelenses (falaremos disso adiante) provoca frequentes alegações de uma reação "desproporcional". Mais importante, as mortes de civis ajudam enormemente o Hamas.

Como isso tudo poderia ser do interesse de Israel?

Se Israel quisesse matar civis, seria terrível. O EIIL matou mais civis em dois dias (mais de 700) do que Israel em duas semanas. Imagine se o EIIL ou o Hamas tivessem as armas, o exército, a força aérea, o arsenal nuclear de Israel e o apoio dos EUA? Seus inimigos teriam sido aniquilados há muito tempo. Se Israel realmente quisesse destruir Gaza, poderia fazê-lo em um dia, a partir do ar. Por que realizar uma incursão por terra mais dolorosa e cara, pondo em risco a vida de seus soldados?

4. O Hamas realmente usa seus civis como escudos humanos?

Pergunte ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, o que ele acha das táticas do Hamas.

"O que vocês estão tentando conseguir enviando foguetes?", pergunta ele. "Eu não gosto de negociar com sangue palestino."

Não é mais uma pura especulação que o Hamas coloca seu civis na linha de fogo. O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhr, x admitiu claramente na TV nacional de Gaza que a estratégia do escudo humano se mostrou "muito eficaz".

A organização de assistência UNRWA, da ONU, emitiu uma furiosa condenação ao Hamas depois de descobrir foguetes escondidos não apenas em uma, mas em duas escolas infantis em Gaza na semana passada.

O Hamas disparou milhares de foguetes contra Israel, raramente matando civis ou causando danos sérios. Ele os lança de áreas densamente povoadas, incluindo hospitais e escolas.

Por que lançar foguetes sem causar qualquer dano real ao outro lado, atraindo um grande prejuízo para seu próprio povo, depois colocar seus próprios civis na linha de fogo quando veem que há reação? Mesmo quando a IDF adverte os civis para evacuarem suas casas antes de um ataque, por que o Hamas lhes diz para ficar no local?

Porque o Hamas sabe que sua causa sai ganhando quando os gazenses morrem. Se há uma coisa que ajuda o Hamas -- que lhes dá alguma legitimidade -- é a morte de civis. Foguetes nas escolas. O Hamas explora a morte de suas crianças para conseguir a simpatia do mundo. Ele as usa como armas.

Você não precisa gostar do que Israel está fazendo para ser contra o Hamas. Possivelmente, Israel e a Fatah são moralmente equivalentes. Ambos têm muita razão do seu lado. O Hamas, porém, não tem nenhuma.

5. Por que as pessoas pedem que Israel ponha fim à "ocupação" em Gaza?

Porque elas têm memória curta.

Em 2005, Israel encerrou a ocupação em Gaza e retirou todos os soldados e demoliu todos os assentamentos. Muitos colonos israelenses que se recusaram a partir foram expulsos à força de suas casas, aos chutes e berros.

Foi uma medida unilateral de Israel, parte de um plano de desengajamento para reduzir o atrito entre israelenses e palestinos. Não foi perfeito -- Israel ainda deveria controlar as fronteiras, o litoral e o espaço aéreo de Gaza --, mas considerando a história da região, foi um primeiro passo muito significativo.

Depois da evacuação, Israel abriu postos de fronteira para facilitar o comércio. Os palestinos também receberam 3 mil estufas que já produziam frutas e flores para exportação há vários anos.

Mas o Hamas preferiu não investir em escolas, comércio ou infraestrutura. Em vez disso, construiu uma extensa rede de túneis para abrigar milhares de foguetes e armas, incluindo as mais novas e sofisticadas do Irã e da Síria. Todas as estufas foram destruídas.

O Hamas não construiu abrigos antibombas para sua população. Mas construiu alguns para seus líderes se esconderem durante os ataques aéreos. Os civis não têm acesso a esses abrigos exatamente pelo mesmo motivo que o Hamas lhes diz para ficarem em casa quando vêm as bombas.

Gaza teve uma grande oportunidade em 2005 que o Hamas desperdiçou ao transformá-la em estoque de armas contra Israel em vez de um Estado palestino próspero, que, com o tempo, pode ter servido de modelo para o futuro da Cisjordânia. Se a Fatah precisava de mais um motivo para rejeitar o Hamas, ali estava.

6. Por que o número de baixas é tão maior em Gaza do que em Israel?

O motivo pelo qual menos civis israelenses morrem não é porque há menos foguetes caindo sobre eles. É porque eles são melhor protegidos por seu governo.

Quando os mísseis do Hamas rumam para Israel, sirenes tocam, o domo de ferro entra em ação e os civis são levados às pressas para abrigos antibombas. Quando os mísseis de Israel voam para Gaza, o Hamas diz aos civis para que fiquem em suas casas e os enfrentem.

Enquanto o governo israelense diz para sua população fugir dos foguetes dirigidos contra ela, o governo de Gaza manda sua população ficar na frente dos mísseis que não são voltados contra eles.

A explicação popular para isso é que o Hamas é pobre e não tem recursos para proteger sua população como faz Israel. O motivo verdadeiro, porém, parece ter mais a ver com prioridades desordenadas do que recursos deficientes (ver pergunta nº 5). Isto tem a ver com vontade, e não capacidade. Todos aqueles foguetes, mísseis e túneis não custam barato. Mas são prioridades. E não é que os palestinos não tenham um punhado de vizinhos ricos em petróleo para ajudá-los, como Israel tem os EUA.

O problema é que se as baixas de civis em Gaza diminuírem o Hamas perderá a única arma que tem nessa guerra de relações públicas incrivelmente eficaz. É do interesse nacional de Israel proteger sua população e minimizar as mortes dos gazenses. É do interesse do Hamas fazer exatamente o contrário nas duas frentes.

7. Se o Hamas é tão mau, por que todo mundo não é pró-Israel nesse conflito?

Porque as falhas de Israel, embora menores em número, têm um impacto maciço. Muitos israelenses parecem ter a mesma mentalidade tribal que os palestinos. Eles comemoram o bombardeio de Gaza do mesmo modo que os árabes celebraram o 11 de Setembro. Um relatório da ONU descobriu recentemente que forças israelenses torturaram crianças palestinas e as usaram como escudos humanos. Elas agridem adolescentes. Muitas vezes são descuidadas em seus ataques aéreos. Elas têm professores que explicam que o estupro pode ser a única arma realmente eficaz contra o inimigo. E muitos comemoram publicamente as mortes de crianças palestinas inocentes.

Para ser justo, esse tipo de coisa acontece dos dois lados. Elas são uma consequência inevitável das diversas gerações criadas para odiar o outro lado ao longo de mais de 65 anos. Colocar Israel em um padrão mais elevado significaria tratar os palestinos com o racismo das expectativas reduzidas.

No entanto, se Israel se considera em um nível mais elevado, como afirma -- precisa fazer muito mais para mostrar que não é igual ao pior de seus vizinhos.

Israel está se conduzindo a um crescente isolamento internacional e suicídio nacional por causa de duas coisas: 1. A ocupação; e 2. A expansão dos assentamentos.

A expansão dos assentamentos é simplesmente incompreensível. Ninguém realmente entende sua necessidade. Virtualmente todos os governos dos EUA -- de Nixon a Bush e Obama -- foram claramente contrários a ela. Não há justificativa para isso, exceto uma bíblica (veja pergunta nº 2), que torna ligeiramente mais difícil considerar os motivos de Israel como meramente seculares.

A ocupação é mais complexa. O falecido Christopher Hitchens tinha razão quando disse sobre a ocupação dos territórios palestinos por Israel:

"Para que Israel se torne parte da aliança contra seja qual for o nome que lhe dermos, barbarismo religioso, teocrático, possivelmente termonuclear teocrático ou agressão teocrática nuclear, não pode, terá de dispensar a ocupação. É muito simples.

"Pode ser, você pode pensar nisso como uma espécie de estilo europeu, um país de estilo ocidental, se quiser, mas ele não pode governar outras pessoas contra sua vontade. Não pode continuar roubando sua terra do modo como faz todos os dias. E é incrivelmente irresponsável que os israelenses, conhecendo a posição dos EUA e de seus aliados em todo o mundo, continue se comportando dessa maneira inescrupulosa. E temo que eu saiba demais sobre a história do conflito para pensar em Israel como uma pequena ilha cercada por um mar de lobos vorazes, e assim por diante. Quer dizer, conheço muito sobre como esse Estado foi fundado e a quantidade de violência e privação que envolveu. E sou prisioneiro desse conhecimento. Não posso descartá-lo."

Como se viu em Gaza em 2005, o desengajamento unilateral é provavelmente mais fácil de falar do que realizar. Mas se Israel não trabalhar mais firmemente na direção de uma solução de dois Estados (talvez três, graças ao Hamas), acabará tendo de fazer a dura opção entre ser um Estado de maioria judaica ou uma democracia.

Ainda é muito cedo para chamar Israel de um Estado de apartheid, mas quando John Kerry disse que Israel poderia acabar sendo um no futuro, não estava completamente errado. É matemática simples. Existe um número limitado de maneiras de que um Estado judaico binacional com uma maioria de população não judia possa manter sua identidade judia. E nenhuma delas é bonita.

Vamos encarar, a terra pertence aos dois hoje. Israel foi escavada da Palestina para os judeus com a ajuda da Grã-Bretanha no final dos anos 1940, assim como meu país natal, o Paquistão, foi escavado da Índia para os muçulmanos mais ou menos na mesma época. O processo foi doloroso e deslocou milhões em ambos os casos. Mas isso faz quase 70 anos. Hoje há pelo menos duas ou três gerações de israelenses que nasceram e se criaram nessa terra, para os quais é realmente seu lar e que muitas vezes são considerados responsáveis e têm de pagar por atrocidades históricas que não são sua culpa. Eles são programados para se opor ao "outro", assim como as crianças palestinas. Em seu cerne, este é um conflito religioso tribal que nunca será resolvido a menos que as pessoas parem de escolher um lado.

Então você realmente não precisa escolher entre ser "pró-Israel" ou "pró-Palestina". Se você apoia o secularismo, a democracia e uma solução de dois Estados -- e é contra o Hamas, a expansão dos assentamentos e a ocupação --, você pode ser as duas coisas.

Se continuarem lhe pedindo para escolher um lado depois de tudo isso, diga-lhes que você escolhe "homus".