OPINIÃO

Pela Internação Compulsória dos Viciados

Propinolândia é a região mais perigosa e malfrequentada de Brasília – instalada na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes.

30/06/2017 21:48 -03 | Atualizado 30/06/2017 21:48 -03
ROBERTO STUCKERT FILHO/PR
Partidos de ex-presidentes como Sarney, Lula, Dilma, FHC e Collor estão envolvidos em diversas acusações de corrupção.

Eles caminham em bandos, vagando a esmo, feitos zumbis pela região central da cidade. Têm aparência decrépita, suas faces causam repugnância em qualquer cidadão que os veja. Eles não têm mais capacidade de raciocínio. Só se preocupam com a dose seguinte, com a adrenalina do esquema, com o prazer momentâneo daquilo que os consome por dentro. A ideia fixa de conseguir mais e sempre mais daquilo mesmo.

Por mais uma dose eles são capazes de tudo. Muitos se prostituem, se vendem sem pudores em plena luz do dia. Entram em um cômodo abafado e sem janelas e ali combinam o pagamento. Enfiam as notas em um bolso qualquer e saem. São capazes de trair os parentes mais próximos em nome do vício. São uns amorais.

Sei que sofrerei a patrulha do politicamente correto, mas afirmo para quem quiser ouvir: eles devem ser todos internados à força. Imediatamente.

Internação compulsória já!

É assim a anatomia da Propinolândia – a região mais perigosa e malfrequentada de Brasília – instalada na ponta do Eixo Monumental, ali na Esplanada dos Ministérios, na Praça dos Três Poderes.

São vários quarteirões ocupados pelos "nóias". Empreiteiros e empresários passam por ali dia e noite, enquanto políticos vendem seus corpos e consciências, em um indigno leilão da carne.

Ninguém sabe exatamente quando o fluxo começou. Deixemos tal tarefa ingrata para os futuros historiadores. Havia algumas evidências no início dos anos 1990, com a CPI dos Anões do Orçamento, na qual a Odebrecht já surgia em negócios suspeitos.

Outros falam do período 1990-1992, quando ocorreu o impeachment do presidente Fernando Collor. Seu tesoureiro, dizem, achacava empresários, demandando dinheiro. Feito um "nóia" armado de uma navalha: "perdeu playboy". Era um amador, jamais chegaria ao posto de Tesoureiro do PT.

PT, aliás, que aparecia como aquele ex-viciado, que julga tudo e todos, dizendo que só ele ali tinha dignidade. Mas já na gestão de Erundina na prefeitura de São Paulo, quando ela afastou seu vice de uma secretaria devido aos boatos de exigência de propina de empreiteiras, estava claro que o partido também era forte candidato a frequentador da Propinolândia.

No governo do sociólogo, a coisa continuou a ganhar musculatura. Mas parece que foi no governo do metalúrgico que o negócio desandou.

Pelos corredores escuros do Congresso Nacional, circulam figuras decadentes à procura de mais uma propina, mais uma dose daquilo que os mantém vivos-quase-mortos. Nada passa impune. Da licitação de canetas para os escritórios até a construção de uma hidrelétrica, tudo aparece como uma oportunidade de conseguir mais uma gorjeta, mais um agrado, mais uma propina.

Despudorados, roubam da saúde dos velhinhos, da merenda das crianças, tudo para sustentar o vício. O fluxo é ininterrupto. Não há mais salvação. Esses infelizes estão tão enfiados no vício, que não são mais capazes de uma escolha racional.

Repito: é preciso interná-los à força.

Deixá-los em alguma clínica de reabilitação, dedicados a trabalhos manuais ou cuidado da terra para que percam pouco a pouco o vício do roubo.

A abstinência de propina é terrível. O indivíduo começa a suar frio ao perceber que terá que viver apenas com seu salário de vinte e tantos mil reais. Que terá que pagar a pensão do filho com a amante. Que não poderá mais levar a matriz para umas férias na França, comprar-lhe joias e roupas caras, jantares de tantos mil reais.

Agora só restará o restaurante por quilo do Setor Bancário Sul durante a semana. Restará comprar roupas na Riachuelo. Restarão só as bijuterias parceladas junto a um comerciante da rua do ouro.

Muitos não resistem e acabam preferindo a morte.

Mas é preciso ter fé no ser humano. Eu confesso que não conheço nenhum caso de político que tenha deixado a Propinolândia e que viva agora uma vida livre daquele vício. Mas deve haver algum caso. É preciso que haja algum caso.

Para acabar com a Propinolândia, porém, não basta expulsar o viciado. Isso só faz que eles se espalhem pela cidade, criando várias pequenas Propinolândias. É preciso atacar as grandes facções que controlam o local: PMDB, PSDB, PT. As brigas e os conluios desses grupos na divisão da droga e da renda são um problema gravíssimo.

Basta. A sociedade não pode mais fingir que não vê tal decadência. O Congresso é um espaço público e deve ser liberado para o uso dos cidadãos de bem. Sonho com o dia em que nossas famílias e nossas crianças poderão voltar a passear despreocupadas por aquela área. Sem temer que seus celulares e carteiras sejam roubados.

É preciso empreender uma ação policial para prender os grandes traficantes de propina, e uma ação social de internação compulsória de todos os viciados em propina.

Chegou a hora, Brasil! Chega de fechar os olhos! Chega de olhar para o outro lado! Internemos todos aqueles infelizes! Eles e suas famílias um dia ainda irão nos agradecer.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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