OPINIÃO

Feliz ano velho

18/01/2016 18:54 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian President Dilma Rousseff gestures during a meeting with members of Brazil Popular Front, an organization made up of representatives of civil society and popular movements, during a meeting at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on December 17, 2015. AFP PHOTO/EVARISTO SA / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O ano de 2016 surge com cheiro de mofo e naftalina.

Ano que já nasce velho, como numa triste sequência de um filme ruim.

Não há nada de novo no horizonte da economia e da política brasileira.

Tudo voltará a ser como era antes, é questão de pouco tempo.

Ocorre agora apenas um breve recesso, uma pausa para o café, o tradicional armistício tupiniquim que se prolonga até o fim do carnaval.

[Ainda que haja fogo e fumaça, sangue e cifrão pelas ruas e pelas páginas dos jornais]

Vejamos o caso do cenário econômico.

O primeiro Relatório Focus do ano, divulgado no dia 8 do corrente ano, traz previsões nada animadoras para o País.

Esperava-se, àquela ocasião, um IPCA da ordem de 6,93% e um "crescimento" do PIB de -2,99% para o ano de 2016.

Ou seja, 2016 - esperam os analistas de mercado - será como uma reprise de 2015, quando o IPCA fechou o ano acima dos 10% e o PIB, abaixo dos - 3%.

Já imagino o que dirá o comentarista que detesta tudo o que escrevo:

"Isso não significa nada. Primeiro, economistas nunca acertam suas previsões. Segundo, essas previsões são feitas por empresas do setor financeiro que odeiam o governo popular-revolucionário de nossa injustiçada presidente".

De fato, economistas não são particularmente bons em fazer previsões. Especialmente - como já diz a piada - quando elas dizem respeito ao futuro.

O relatório Focus, como bem se sabe, é falho em vários aspectos.

Ciente de suas limitações, resolvi então comparar a diferença entre o resultado esperado pelo mercado no primeiro Relatório Focus de cada ano, com o resultado efetivamente observado.

As tabelas abaixo trazem essas informações para o IPCA e o PIB.

Vejamos primeiro a inflação.

2016-01-18-1453147053-4605135-IPCA.png

Como vemos, até 2010 as previsões sobre o IPCA rondavam a finada meta de inflação do BCB, 4,5%.

A partir do governo Dilma e da desastrosa gestão de Tombini à frente do Banco Central, as expectativas dos agentes vão se descolando do centro da meta. O que já sinaliza a perda de credibilidade da Autoridade Monetária.

Mas é importante notar que o mercado dá mais crédito ao governo do que ele de fato merece. Desde 2010, os agentes subestimam de maneira sistemática a inflação medida pelo IPCA. No pavoroso ano de 2015, o erro foi de mais de 4%, uma enormidade.

A continuar a tradição, não será surpresa, portanto, se o IPCA fechar 2016 acima dos 6,9%.

A tabela abaixo traz as mesmas informações para o PIB.

2016-01-18-1453147139-793316-pib.png

Desde 2011 os agentes do mercado têm esperados avanços do PIB sistematicamente maiores do que o de fato se observou naqueles anos. Não há ainda o número fechado do PIB de 2015, mas já sabemos que ele será negativo, de forma que também no ano passado o mercado foi mais otimista do que deveria ter sido.

Mas é a primeira vez nos últimos 10 anos que se espera já em janeiro um PIB negativo, de quase - 3%.

Em suma, em 2016 continuaremos a discutir e a sofrer com uma economia que caminha para trás, e cujos preços caminham para frente.

O nome dessa combinação nefasta é "estagflação".

Do ponto de vista político, a coisa caminhará no mesmo compasso entediante do ano passado.

Dilma ainda é presidente, mas será que termina seu mandato?

Cunha ainda é presidente da Câmara, mas quando será que ele vai ser preso afinal?

Renan Calheiros ainda é presidente do Senado, sabe Deus como e por quê.

Continuaremos com o fascismo travestido de "politicamente incorreto" dos bolsonetes no Facebook.

Continuaremos com a deselegância dos coxinhas nos bares e restaurantes da vida.

Continuaremos com a insanidade intelectual e a flexibilidade moral dos petistas.

Continuaremos nessa mesma pisada, até que um meteoro ou outra forma de Deus ex machina apareça para resolver todos os conflitos dessa novela enfadonha chamada Brasil.

Feliz ano velho para todos.

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