OPINIÃO

E se o PT ganhar em 2018?

04/08/2015 16:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Aloizio Mercadante/Flickr
Sumaré (14 de outubro de 2010) - Em visita à Região Metropolitana de Campinas, onde teve expressiva votação na eleição para o governo do Estado este ano, o senador Aloizio Mercadante destacou o papel que o PT e os partidos de oposição tiveram ao pautar os desafios da próxima gestão. "Metade do nosso Estado votou na oposição, o que demonstra o alto nível de insatisfação. Por isso, grande parte do que construímos na campanha eleitoral continuará em pauta como prioridades imediatas para o Estado de São Paulo. Entre elas, a necessidade de uma educação de qualidade, de resolver os problemas na área do transporte, o abuso dos pedágios, os problemas da saúde e da segurança pública", disse Mercadante. Em Hortolândia, onde foi recebido pelo prefeito Angelo Perugini, o senador agradeceu a vitória que obteve nas urnas: 54,8 mil votos (57,93%). No município vizinho, Sumaré, onde encontrou o prefeito José Antonio Bacchim, Mercadante obteve 59,4 mil votos (49,76%). Outro resultado significativo foi registrado na sede regional, Campinas, onde o senador foi escolhido por 225,5 mil eleitores (39,92%). "Quero agradecer a militância da Região de Campinas, que foi fundamental para que nossa candidatura obtivesse uma votação tão expressiva", ressaltou o senador. Mercadante desatcou também o desempenho do partido nas urnas. "O PT elegeu as maiores bancadas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa de São Paulo. Nosso grande desafio, agora, é consolidar a vitória de Dilma Rousseff para a presidência da República. Espero ver como grande manchete, após as eleições de 31 de outubro, que São Paulo deu a vitória à Dilma", acrescentou o senador. Segurança pública – Mercadante lembrou que neste sábado completam-se 2 anos do confronto entre policiais militares e civis em frente ao Palácio dos Bandeirantes. "Esse triste episódio comprovou a ausência de uma política de segurança pública no Estado, a falta de comando, o nível de descontentamento dos servidores estaduais e a falta de disposição desse governo de abrir negociações. Vamos continuar solidários à categoria dos policiais e com a certeza de que nossa bancada de deputados na Assembleia Legislativa prosseguirá fiscalizando e cobrando atitudes do governo do Estado", completou o senador.

Já disse em outro texto: o Brasil não é um país de tradições democráticas. Colônia, Império, Ditaduras, falsas democracias de elite, esses são os regimes típico em nosso país.

A democracia é coisa frágil nessas terras.

Mesmo a Nova República começou de maneira não muito democrática, com um presidente eleito indiretamente. E pior, o eleito não assumiu - culpa da indesejada das gentes -, quem ocupou a cadeira foi o lorde maranhense, Sir Ney, que havia sido presidente nacional tanto da ARENA como do PDS, os dois partidos de situação da Ditadura Militar... Que anticlímax!

Desde a eleição de Collor em 1989 o Brasil vive um período único em sua história de apreço pela democracia, de respeito às regras do jogo. Os presidentes entraram e saíram do Palácio do Planalto de forma ordeira, dentro da lei.

Porém, convém lembrar, o Brasil é a terra da jabuticaba e da tomada de três pinos.

A partir de 1994 passamos a viver sob um regime "bi-multi-partidário" (que me perdoe Sério Abranches e sua refinada tese de presidencialismo de coalizão)

É bipartidário no sentido de que desde então apenas dois partidos disputam de fato e vencem as eleições presidenciais: PSDB e PT. É multipartidário pelo fato de nenhum deles ser capaz de governar sozinho. O PSDB teve que pedir benção ao PFL, o PT tem hoje que pedir benção ao PMDB.

O que mantém a normalidade em um regime bipartidário é a crença fundamentada de que ninguém é situação ou oposição para sempre.

O PT nunca ganhou uma eleição presidencial no primeiro turno. O que já é motivo de esperança para os adversários.

Em 2002 Lula teve 61,27% dos votos, enquanto Serra teve 38,7%. Em 2006 Lula teve pouco mais de 60,8% e Alckmin pouco mais de 39,1%. Em 2010 Dilma teve 56% e Serra, 43,9%. Em 2014, finalmente, Dilma teve 51,6% e Aécio, 48,3%.

Ou seja, a diferença de votos no segundo turno tornou-se cada vez menor. A vitória do PSDB, especialmente nessa última disputa, parecia bastante provável (ou pouco improvável).

O lado negativo desse equilíbrio é que a sociedade brasileira está radicalmente polarizada. Não há mais debate político, há apenas ofensas e pregação para convertidos.

A situação econômica está se deteriorando rapidamente e Dilma tem a pior avaliação de todos os presidentes da Nova República.

(Por isso, aliás, a chamei no último texto de "a pior presidente" do período, um contraponto a Lula, o mais bem avaliado da história e tido por todos os petistas como o melhor presidente de todos os tempos. Pessoalmente não a acho a pior, pois ninguém tira de Collor esse título. Mas há gente que tem preguiça de ler e interpretar textos).

Retomando.

Os escândalos da Petrobrás parecem até mais graves e com provas mais robustas que as do mensalão. Dirceu - eminência parda do primeiro governo Lula - está novamente na prisão. Teme-se pela biografia de Lula, temem-se os riscos de impedimento de Dilma.

Mas imagine o seguinte cenário: suponha que Dilma consiga terminar seu segundo mandato - como creio que acontecerá - e mais, imagine que a economia se recupera a partir de 2017, de forma que melhore significativamente a avaliação do seu governo - menos provável, mas não impossível.

Agora - a cereja do bolo - imagine que o PT, seja com Lula, com Sibá Machado, com Zé das Couves, consiga vencer as eleições de 2018 e emende o quinto governo consecutivo nesta macambúzia República.

Imaginou? Pois eu não gosto nem de imaginar.

Uma nova derrota eleitoral provavelmente será insuportável para amplos grupos já radicalizados. Talvez as passeatas da oposição deixem de ser micaretas com camisas da CBF e fotos no Instagram. Talvez os ataques a Guido Mantega (e outros petistas) não fiquem apenas nas palavras. Talvez as bombas que serão jogadas no Instituto Lula não serão de fabricação caseira.

Talvez seja demasiada tensão para nossa frágil democracia.

Talvez seja demasiada frustração para nossos falsos democratas.

Parafraseando Augusto dos Anjos, ao ver sua sombra projetada na ponte Buarque de Macedo: penso no Destino, e tenho medo!

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