OPINIÃO

O Reino Unido, um reino unido

20/09/2014 14:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
ASSOCIATED PRESS
FILE - In this Monday, Sept. 8, 2014, file photo a No sign is displayed in Eyemouth, Scotland. As the battle to decide the future of Scotland and the UK enters its final week, both sides have launched some of the largest ad campaigns in Scottish political history. Millions of pounds (dollars) have been spent and thousands of acres of trees sacrificed to produce countless advertising posters and pamphlets, only for the messages they contain to end up being ridiculed and parodied on social media. (AP Photo/Scott Heppell, File)

Identidade é uma questão complexa. Todos temos dentro de nós várias identidades. Sou filho, irmão e também pai. Também, e mais relevante para os eventos no meu país esta semana, sou filho de uma mãe escocesa e um pai inglês. Então, acima de tudo, sou britânico. Como disse em uma entrevista recente, torço para Escócia no rúgbi a para Inglaterra no futebol, e portanto sofro bastante nos dois esportes. Nasci e cresci na Inglaterra mas passei todas as minhas férias de verão na Escócia, e ainda hoje insisto com a família para que, quando estamos no Velho Continente, possamos desfrutar de uns dias na terra do whisky, de Haggis, etc.

Por isso, para a minha alegria pessoal, além de profissional, o eleitorado escocês decidiu votar por 55% contra 45% para ficar dentro do Reino Unido; que era melhor ser juntos ou "Better Together", como a campanha pelo "não à independência" ficou conhecida. E isso com uma base de participação bem alta, de 85%; algo quase inédito num país que não tem voto obrigatório e onde a participação nas eleições nacionais fica por volta de 60%.

E agora? O Primeiro Ministro britânico foi enfático na sua declaração logo depois a confirmação do resultado. A escolha é clara. Todos respeitam, e também as vozes daqueles que queriam uma Escócia independente são ouvidas. Além disso, como disse a Sua Majestade, "devemos nos lembrar de que, apesar da diversidade de opiniões que foram expressas, temos em comum um amor duradouro pela Escócia, que é uma das coisas que ajuda a nos unir".

O momento é de olhar para um futuro conjunto, cumprindo as promessas feitas durante a campanha do referendo, para devolver mais poder para o parlamento escocês (não esqueçam que já houve uma grande devolução de poder para Escócia, País de Gales e Irlanda de Norte no fim dos anos 1990). Também chegou o momento de deliberar sobre uma questão delicada, o papel dos parlamentares escoceses no parlamento britânico em Westminster em questões que são devolvidas para Escócia, conhecido pelos anoraks do constitucionalismo britânico como o "West Lothian question".

Isto é para os próximos meses. Podemos, por agora, só observar o nível de maturidade democrática no meu país, que lhe permite debater uma questão muito difícil e emocional, chegar a uma conclusão, respeitar o resultado e seguir em frente. Sem medo, sem preconceito, e com uma participação impressionante. É um sintoma de um país confiante. Pessoalmente, vou continuar a chorar pela Escócia no rúgbi, apreciar a bebida nacional da terra materna e sentir, não só como profissional mas mais importante ainda como pessoa, orgulhosamente britânico.

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