OPINIÃO

O melhor do Brasil é o brasileiro

17/01/2016 20:21 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
franckreporter via Getty Images
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Ser cliente do setor de serviços no Brasil é viver uma tensão permanente entre sistemas tão complicados, quase impossíveis de acessar, e pessoas que verdadeiramente querem ajudar. Como navegar neste mar tão turbulento e complexo? Depois de dois anos e meio observando a navegação dos brasileiros, entendo um pouco melhor as regras do jogo.

Há pouco tempo tive uma série de complicações em um hospital, do qual resultou primeiro uma receita médica à qual tive uma alergia (apesar de ter sido bem claro sobre esta alergia durante o atendimento); depois uma segunda receita aparentemente correta, mas para uma dose de medicamento que não existe nas farmácias. Depois de uma mini-odisséia por várias farmácias, que (corretamente) insistiram que eu tinha que voltar ao médico para receber uma terceira receita, quase desisti. Mas, em vez de ficar zangado e mostrar a minha irritação, fiz o oposto. Com tom de desespero, pedi ajuda. Estava doente, cansado e com dor.

E, de repente, milagres aconteceram. Em vez de continuarem mostrando a impossibilidade da minha busca pelo antibiótico, as pessoas da farmácia se transformaram em apoiadores. E para me tirar da minha miséria, procuraram uma solução até encontrarem. Notei que quem resolveu o meu problema não foi o chefe da farmácia, nem o assistente, mas uma senhora muito discreta que nem falou comigo durante todo o processo. Fico eternamente grato a ela.

Essa não é a primeira vez que algo do tipo acontece comigo. Lembro de uma situação em um supermercado em que eu estava procurando por frutas congeladas que a minha esposa teria encontrado em 30 segundos. Depois de quase 5 minutos de procura frenética e completamente inútil, implorei ajuda a um senhor que, como seu homólogo da farmácia, conseguiu encontrar rapidamente o que eu procurava.

Então, minha conclusão é simples. Em vez de lutar contra o orgulho, melhor ir diretamente ao órgão mais importante do corpo brasileiro, o coração. Porque a compaixão é muito forte neste país. Como qualquer um de nós, o brasileiro reage mal à confrontação e irritação, ainda mais quando vem de um estrangeiro. Mas se for pedido a ajudar, com desespero em vez de raiva, brasileiros e brasileiras respondem com uma rapidez e eficácia incomuns.

E talvez este instinto seja mais forte nas pessoas comuns do que nas chefias, porque pessoas comuns têm que viver em situações de complexidade todos os dias. Afinal, não há problema no Brasil que não tenha solução. Tentar evitar estes problemas em primeiro lugar talvez tire dos brasileiros e brasileiras a oportunidade de mostrar uma emoção fundamental para o bem do país: a sua compaixão.

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